Resenha: Eu sou Malala, de Malala Yousafzai e Christina Lamb

domingo, dezembro 01, 2013

E eis que depois de um tempo considerável afastada e vários livros lidos durante esse tempo, estou de volta para falar de uma dessas leituras. A escolhida da vez é uma biografia. Se você esteve acompanhando as notícias literárias, provavelmente já escutou falar deste livro, ou se pelo menos algum dia esteve atento às notícias do mundo, provavelmente conhece a biografada:


Livro: Eu sou Malala - A História da Garota que Defendeu o Direito à Educação e Foi Baleada Pelo Talibã
Autor: Malala Yousafzai, Christina Lamb
Editora: Companhia das Letras – 360 páginas
Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz. Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã.

Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente. “Sentar numa cadeira, ler meus livros rodeada pelos meus amigos é um direito meu”, ela diz numa das últimas passagens do livro. A história de Malala renova a crença na capacidade de uma pessoa de inspirar e modificar o mundo.



Se você leu a sinopse, provavelmente sabe quem é Malala Yousafzai então não é preciso me ater a detalhes sobre a garota, que é mundialmente conhecida por sua luta e sua causa. Muito jovem, Malala tem muitas histórias para contar, típicas de quem apesar da tenra idade, já viveu os maiores desafios que alguém poderia enfrentar. E é nessas histórias que o leitor viaja pelas 360 páginas do livro.

Escrito em parceria com a jornalista Christina Lamb, ele adota uma narrativa em primeira pessoa e vem desde a infância – com flashes da vida de seus pais – e chega aos tempos atuais e seu cotidiano pós-atentado. É um livro comovente, porém tedioso. Sim, tedioso, Lamento ter de dizer isso, mas na prática não era como se pudesse ter sido de uma outra forma. Talvez pela história de vida de Malala, o tom seja muito ‘professoral’. A narrativa em primeira pessoa (óbvio, visto que é uma autobioggrafia) não ajuda muito se a ideia é tornar a leitura minimamente atraente. Dá um tom sério demais (para o mau sentido, visto que a causa de Malala é excelente) e um jeito de “sou perfeita”. Porém isso não significa que seja mal escrito. É que basicamente não sou fã de quase nada escrito em primeira pessoa, tendo ele uma causa nobre envolvida ou não. Poucos são aqueles que conseguem me agradar nesse sentido.

Vale lembrar que “Eu sou Malala” não é uma leitura de entretenimento, não vai te distrair em nenhum sentido, não vai limpar sua mente de absolutamente nada, pelo contrário, vai incomodar, (mas não tanto também, afinal há coisas piores neste sentido). Fala de uma grande causa e de uma grande pessoa. Nesse sentido, você encontrará exatamente aquilo ao qual o livro se propõe.

Três corujas porque o livro não me agrada como biografia, mas cumpre o que promete, tenha certeza disso.

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