Resenha: A Invenção das Asas, de Sue Monk Kidd

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Quando a Amazon faz promoções de ebooks, normalmente a ideia da falência mensal me parece bastante tentadora. Foi deste modo que "A invenção das Asas" chegou ao meu Kindle: com um precinho camarada de R$ 9,90. E dentre todos os livros que já tive a chance de comprar em uma promoção, devo dizer que esse realmente tinha tudo para despertar o meu interesse e valer a pena:


A Invenção das Asas
Autora: Sue Monk Kidd
Editora: Paralela - 328 páginas
Em sua terceira obra, Sue Monk Kidd, cujo primeiro livro ficou por mais de cem semanas na lista de mais vendidos do New York Times, conta a história de duas mulheres do século XIX que enfrentam preconceitos da sociedade em busca da liberdade. Sue Monk Kidd apresenta uma obra-prima de esperança, ousadia e busca pela liberdade. Inspirado pela figura histórica de Sarah Grimke, o romance começa no 11º aniversário da menina, quando é presenteada com uma escrava: Hetty “Encrenca” Grimke, que tem apenas dez anos. Acompanhamos a jornada das duas ao longo dos 35 anos seguintes. Ambas desejam uma vida própria e juntas questionam as regras da sociedade em que vivem.

Não é de hoje que tenho interesse na luta feminista. Embora não seja versada no assunto, tento ler o que posso na medida do possível e fico feliz quando posso encontrar personagens fortes, ainda mais se algum deles for real. É o caso de Sarah e Angelina Grimké, que foram notáveis na luta pela causa da abolição e do feminismo em uma época absolutamente hostil para esse tipo de ativismo. No caso de "A Invenção das Asas", estamos falando de uma história grandemente romanceada embora baseada em personagens reais e me agradou poder conhecer esses nomes tão fortes, porém dos quais provavelmente só tomaria conhecimento bem mais tarde.

Angelina e Sarah Grimké

A obra é narrada em primeira pessoa e dividida em capítulos onde os acontecimentos são narradas hora por Sarah e hora por Encrenca. Cada uma localizada em dois extremos da vida naquela época e aprisionada por algo: por seu gênero ou pela cor de sua pele.

Foi bastante fácil para mim sentir empatia pelas personagens, ainda mais quando algumas delas são reais - ainda que romanceados. Senti empatia por Sarah, a respeito do que ela queria mas não conseguia por ser mulher, e de Encrenca, por sua ânsia de liberdade e que lhe era tirada de todas as maneiras possíveis, na sua luta para manter uma mente para o seu senhor e outra para si mesma. Ambas - Sarah e Hetty - eram presas por grilhões, porém estes sendo feitos de matérias muito diferentes, como demonstra um dos trechos, nesse caso descrito por Encrenca:

"Ela estava presa como eu, mas presa por sua mente, pela mente das pessoas em volta dela, não por lei. Na Igreja Anglicana, Sr. Versey dizia: 'Cuidado, você pode ser escravizado duas vezes, uma vez pelo corpo e uma vez pela mente'. Tentei dizer isso a ela. Falei: 'Meu corpo pode ser escravo, mas não minha mente. Pra você é o contrário'. "

Mas não há grilhões que não possam ser rompidos. De uma maneira ou de outra, as correntes sempre se arrebentam, especialmente se a pessoa persiste na luta. Isso não chega a ser um spoiler, pois se não fosse uma luta contra a maré, nem haveria livro nem história a ser contada.

Claro que há pontos negativos: por vezes me entediei com algumas passagens que me soaram lentas e coisas que não consegui visualizar ou entender muito bem do que se tratava. Esse foi o caso da descrição de algumas das colchas de Charlotte, mãe de nossa amada Hetty "Encrenca", e também das doutrinas e características dos quakers, que constituem parte vital na história das irmãs (sobre isso aliás deveria haver algo mais nos apêndices).

Em função disso o livro pode parecer muito lento para alguns, mas no meu caso digo que essas partes não representava para mim uma grande coisa: eu tinha interesses bem maiores para me fixar no que havia de tedioso e me agarrei  ao que vi de positivo. E valeu a pena. Até o momento "A invenção das Asas" foi um dos melhores investimentos que fiz e em breve tentarei comprar o livro físico para fazer trocentas marginálias e marcações com post-its. #amo .

Enfim: devo dizer que o livro está acima das expectativas, mas creio que ela seja mais adequado a quem se identifica mais com o tema ou com as causas centrais. Como sempre tive muita empatia com isso, valeu a pena do início ao fim. ;-)

Quatro corujas e saudades de Hetty.

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