Resenha: Breakable, de Tammara Webber

sábado, julho 25, 2015

Gosta de new adults com mocinhos atormentados? Aliás, mocinhos atormentados, tatuados e lindos de morrer? Pois bem, você está na resenha correta: estamos falando de Lucas Landon, mocinho misterioso de "Easy" e que ganhou um livro só pra ele. Aliás, um livro mais que acertado...




Título: Breakable
Autora: Tammara Webber
Editora: Verus | 364 páginas
Landon Lucas Maxfield teve uma infância privilegiada, levando uma vida tranquila com os pais e tendo um futuro promissor à sua frente, até que uma tragédia impensável destruiu sua família e o fez duvidar de tudo que um dia pareceu tão certo.
Agora um intenso e enigmático homem, Lucas só quer deixar o passado para trás. Quando ele conheceu Jacqueline, foi fácil desejar ser tudo aquilo de que ela precisava. Mas se há uma coisa que a vida lhe ensinou é que a alma é frágil e que todos os seus sonhos podem ser destruídos em um piscar de olhos.

Um detalhe: estamos falando de uma série, portanto habemus spoilers do livro anterior. Se você ainda não leu Easy, dê o fora e volte aqui depois. Se você leu, mas quer relembrar a história, temos uma resenha sobre o livro aqui no blog, então refresque sua memória antes de se aventurar nesse post. Só não diga que não foi avisada.

Sendo assim, vamos a Breakable e começando pelo básico: Landon Lucas é um garoto feliz. Um rapaz de ouro, com uma família amorosa e várias possibilidades para o seu futuro. Isso dura até o dia em que sua mãe é estuprada e assassinada e sua família se destroça, tanto pelos acontecimentos quanto pela incapacidade de lidar com o luto e o sentimento de culpa. E todas as possibilidades de futuro se destroçam ao mesmo tempo. Landon e seu pai saem da cidade e mudam para a casa do avô paterno em uma cidade litorânea.

Com isso, ocorre a grande virada negativa: longe de suas referências, sem o pai - que se torna a cada dia mais distante - e incapaz de lidar com o luto, o garoto passa a procurar todas as formas de fuga que estão ao seu alcance, como álcool e drogas. Ao mesmo o trauma deixou para Landon Lucas diversos gatilhos relacionados a abuso sexual. E são esses gatilhos que nortearão seu percurso, desde o inferno pessoal até seu caminho para reconstruir sua vida e seu futuro. Trajetória essa que é o objetivo do livro e da qual vou tentar não dar mais spoilers que o necessário.

Uma análise sobre o livro:

A obra em si tem uma forma bem interessante de narração. Escrita em primeira pessoa, ela se divide em dois pontos de vista distintos: Landon e Lucas. Landon é o garoto feliz do passado e também aquele que cresce sob a sombra do trauma da tragédia familiar enquanto Lucas é sua versão reconstruída e que tenta abrir seu caminho e construir o futuro.

Iniciamos a trama acompanhando Landon acordando no hospital e sofrendo o impacto inicial dos acontecimentos. Já estamos nos deparando com o grande ponto de ruptura e o início do seu grande pesadelo. Logo em seguida, alternamos para Lucas, em seu lugar na universidade e as impressões sobre como as pessoas reagem a sua presença e também sobre personagens importantes de “Easy”. Ou seja: uma alternância interessante e que dá alguma leveza ao contar uma história com temas bastante pesados, mas com alguns pontos de interesse que valem ser ressaltados e discutidos mais a frente.

Também vale a pena informar que Breakable não conta com o mesmo valor educativo que encontramos no primeiro livro, embora isso não seja algo que desmereça. O valor de entretenimento é maior, assim como o seu potencial de drama. Landon Lucas também é mais carismático como protagonista que Jackie no livro anterior, o que torna a tarefa de ler um livro com muitos pontos retomados de “Easy” ser bastante prazeroso.

(Desculpa Jackie, mas você realmente não ajudou muito até metade de "Easy").

A razão de contar uma história com as próprias palavras

Começando pelo básico: não se trata de uma continuação de Easy, nem mesmo da mesma história sob o ponto de vista do mocinho. Estamos falando de um livro que supre as lacunas deixadas pela história do personagem e que poderiam render páginas e mais páginas que não seriam devidamente aproveitadas caso fosse feito em "Easy". Lucas Landon tem uma voz e uma história que deve ser contada por ele mesmo.

Na verdade, nunca a decisão de um segundo livro foi tão acertada. Isso porque, em "Easy", quando os detalhes sobre o segredo de Lucas se revelaram sob a voz de Jackie, achei extremamente forçado. A sensação que tive na época foi de que a autora se esmerou em dramatizar algo e forçar uma situação que justificasse elementos que ela criou e eram significativos para a trama - a razão para as tatuagens, por exemplo. Mas quando tudo isso passou a ser mostrado pelos olhos do personagem, tudo passou a ter o viés de realidade e deixou de soar como uma barra forçada. Passou a ser real e palpável.

Quantas histórias passam a soar reais porque a pessoa ganhou a devida voz para contar?

A culpa, o luto e a cultura do estupro

Em “Breakable” temos um livro no qual a cultura do estupro - tão citada em “Easy”- marca sua presença, mas de outra forma. Se no livro anterior tínhamos como foco uma vítima direta e seu crescimento pessoal ao lidar com o turbilhão de aspectos dessa cultura, agora a luz se volta para alguém que sofreu as consequências de forma indireta e que passa a carregar uma consciência incomum a esse respeito, especialmente o do quanto as ‘piadas de estupro’ não tem a mínima graça e merecem repreensão.

Essa consciência, tão rara em homens, dará todas as explicações necessárias para vários pontos de “Easy” que soaram forçados sob o ponto de vista de Jackie. Isso desde o fato de ele sempre estar em todos os lugares quase ao mesmo tempo, até os detalhes do trauma em si, que conforme mencionei antes, me soaram como forçação de barra por parte da autora inicialmente.

Vale dizer também que a presença de uma protagonista feminina nesse livro é velada. Ok, temos Jackie na vida do rapaz, mas embora ela seja uma personagem importante para o andamento da trama, a mãe dele é a presença mais vigorosa. É pela lembrança dela e pela sombra do que aconteceu a ela que sua história se desenvolve. É desse ponto que ele parte e forma sua trajetória, desde o inferno no qual ele lida com culpa e luto até o momento em que se torna capaz de enxergar uma luz no fim do túnel.

Avaliação do livro

Temos um livro que não tem o valor educativo de seu antecessor, porém lida com outros assuntos pertinentes a cultura do estupro e que merecem discussão. Temos também um protagonista carismático até mesmo em seu drama além de crível de uma forma que nem sempre temos o prazer de encontrar em um new adult, gênero normalmente tão dedicado à pegação. A escrita é fluída e os problemas que senti em "Easy" quase não surgiram em "Breakable", de modo que o desempenho é melhor em comparação ao livro anterior. Isso obviamente se reflete nas quatro corujinhas em comparação a três corujas que "Easy" ganhou em sua avaliação.

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