Resenha: O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas

sábado, julho 04, 2015

Em 2015 eu prometi a mim mesma que daria mais oportunidade para os clássicos, e dando seguimento a essa proposta, escolhi "O Conde de Monte Cristo" para ser um dos livros a fazer parte da empreitada. Suponho que você já conheça a história, afinal é um dos mais populares entre os clássicos e conta com diversas adaptações para o cinema, mas caso não tenha a mínima ideia sobre o que se trata, veja aí:




Sinopse:
O Conde de Monte Cristo - Traições, denúncias anônimas, tesouros fabulosos, envenenamentos, vinganças e muito suspense. A trama de O Conde de Monte Cristo traz uma emoção diferente a cada página e talvez isso explique porque a obra do escritor francês Alexandre Dumas se transformou em um clássico da literatura mundial, mexendo com a imaginação dos leitores há mais de 150 anos.

No romance, o marinheiro Edmond Dantés é preso injustamente, vítima de um complô. Anos depois, consegue escapar da prisão, enriquece e planeja uma vingança mirabolante. A galeria de personagens criada por Dumas faz um retrato fiel da França do século XIX, um mundo em transformação, em que passou a ser possível a mudança de posições sociais. As aventuras de Dantés ainda ganharam diversas versões cinematográficas que colaboraram para o sucesso da trama.

Antes de começar a resenhar de verdade, devo dizer que, embora conte com várias adaptações para o cinema, nunca assisti a nenhuma delas. Portanto, li esse livro estando razoavelmente no escuro. E meu deus, que livro. QUE LIVRO!

"E agora - disse o desconhecido -, adeus bondade, humanidade, gratidão... Adeus a todos os sentimentos que regogizam o coração...! Tomei o lugar da Providência para recompensar os bons... que o Deus vingador me ceda o seu para punir os maus!"

(p. 408)

Certamente você já deve ter escutado que a vingança é um prato que se come frio. Devo dizer que esse livro leva isso bem a sério. Dantés tinha tudo e perdeu em um piscar de olhos: sua família, sua liberdade, sua carreira em ascensão e também grande amor. Ele foi preso e condenado injustamente às vésperas de seu casamento e seu cativeiro dura 14 anos. Além disso, entre sua fuga e sua chegada para o início da vingança também se passa muito tempo, então temos aqui um homem paciente e sem nada a perder. Após tanto tempo de inferno, tudo o mais é lucro. E a essa altura, tempo e paciência são coisas que o protagonista tem de sobra.

Algo bem interessante a respeito da vingança é notar como Dantés é bastante hábil ao manipular o que está a sua volta, porém quase tudo que acontece aos seus inimigos é desencadeado como consequência de seus próprios atos. Cada um deles tem ambições e falhas de caráter que vão determinam o jogo e os acontecimentos. Se não houvesse Dantés envolvido em muitas dessas situações, boa parte delas poderia ser classificada como um "aqui se faz, aqui se paga".

"O Conde de Monte Cristo" é retrato bem cru e mordaz a respeito da natureza humana e da forma que a vingança pode afetar a tudo e a todos que estão em volta. Nem tudo é vingança e regojizo. Para dizer a verdade, o preço de ser deus ou ter poder semelhante em mãos é bem alto. Até que ponto a vingança é uma questão de justiça e reparação? O que determina o limite entre justiça e maldade? Essas são questões que permeiam a obra e sustentam uma história imensa em todos os sentidos.

Não vale ter medo de livrão:

Falando em história imensa, você já deve ter notado que é um livro grande, não? Originalmente, a obra foi publicada em forma de folhetim, o que justifica a forma como muitos personagens vão ficando para trás e reaparecendo apenas bem depois, ou como as tramas vão aparecendo e sendo resolvidas antes de passar para outro ponto.

A publicação em folhetim também é algo que justifica alguns erros de continuidade. Alexandre Dumas não era do time que tinha grande cuidado com a revisão de suas obras antes da publicação, sem contar o fato de se envolver com o desenvolvimento de vários livros ao mesmo tempo. Esses erros provavelmente passam despercebidos pela maioria, que vai no calor da leitura, mas que pode incomodar um pouco os mais atentos. Também existem pontos nos quais os acontecimentos soarão bastante improváveis, mas basta lembrar que: primeiro, estamos falando de um folhetim; e segundo, se houver dinheiro e tempo no meio, pouco pode ser considerado inverossímil. E dinheiro é algo Dantés também tem de sobra.

Então isso quer dizer que não vale ter medo de livrão: a história é super envolvente e sua linguagem é bastante convidativa. Seus enredos são familiares e você mal sente as páginas passando, mesmo que por muito tempo a história se concentre em personagens em especial e pareça esquecer de outros durante boa parte do tempo. Não é a toa que esse livro é considerado um dos grandes marcos da literatura.


Avaliação

Cinco corujas merecidas!

Título original: Le Comte de Monte-Cristo
Autor: Alexandre Dumas
Editora: Zahar
Número de páginas: 1663 páginas.

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5 comentários

  1. Troca essas corujas, mulé! =P

    Olha, eu morro de curiosidade de ler esse livro. Eu vi a adaptação mais recente do livro em que o Jim Caviezel é o conde (que homem, meldels, que homem) e fiquei curiosa com o livro em si. Mas o problema é que eu li Os Três Mosqueteiros e lembro a dificuldade que foi pra ler o bendito! Aí meio que fiquei travada para os clássicos. Mas depois dessa sua resenha, acho que vou dar uma chance.

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    1. Fia, embarca. Inclusive é um daqueles clássicos que vale a pena ter a pipoca do lado. <3

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  2. Somos duas, eu fiz a mesma promessa a mim mesma. Sair do lugar comum dos milhares de lançamentos, olhar para o passado. Acabei com isso construindo um projeto de leitura com um amigo, o "Projeto Victor Hugo 2015", mas minha amiga Mi disse outro dia "É melhor ler Dumas, clássicos divertidos." kkk E ai, zapeando venho parar aqui em uma ressenha do Dumas! #Legal

    Dele, eu li "Os três mosqueteiros" e os elementos narrativos que você pontuou em "O conde de Monte Cristo" também são encontrados nele. Mas ainda assim é uma leitura que vale muito a pena, sem contar que toda vez que leio esses autores que escreviam em folhetim me imagino como os contemporâneos dele, lendo o jornal do dia, quem sabe pulando as noticias para ir direto a cereja do bolo e no final comentando com a vizinhança! hohoh

    Pandora
    O que tem na nossa estante

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    1. Ei, sabe que estou tentando Victor Hugo também? Eu estou com "Os Miseráveis" tanto na estante quanto no kindle, mas acabei começando por "Os Trabalhadores do Mar". Comecei anteontem inclusive.

      Ah, sua amiga tem razão. Se é pra começar, vale começar pelos que tem grande potencial de entretenimento. É bom pra ajudar a desbravar a linguagem (dependendo da tradução e da editora) e também pra perder o medo.

      (Imagino mesmo como era o pessoal esperando meses para chegar o próximo capítulo da história. Devia ser mesmo engraçado.)

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  3. Sempre fui um grande fã do filme, apesar de até então nunca ter lido o livro. Por conta disso resolvi lê-lo e para a minha surpresa a diferença entre as obras (o que é algo normal) é imensa! se o titulo do filme não fosse o mesmo do livro, poderia ate dizer que se tratam de obras diferentes haha :D
    Mas enfim, levei um pouco menos de 3 semanas para concluí-lo e no final fiquei muito satisfeito. Porém existem algumas ressalvas, a questão da cronologia (como você mencionou) é uma delas, que me levava a ficar constantemente ficava fazendo as contas! haha E apesar de ser um livro grande, fiquei com aquela sensação de que muita coisa importante foi deixada de lado ou entao que ficou 'inacabada' (falo isso pensando em personagens como o Franz, Albert e Mercedes).
    Mas nada disso faz sombra a imagem dessa belíssima obra!

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