Resenha: Filha do Amanhecer, de Pauline Gedge

segunda-feira, outubro 05, 2015

Eu li e reli esse livro várias vezes, porque sou fascinada pelo Antigo Egito. Lembro que encontrei essa obra num sebo e a capa me cativou. Só que eu não tinha dinheiro na hora, então escondi o livro na estante, atrás de todos os outros e no dia seguinte comprei o bendito por 8 reais. Pauline Gedge romanceou a vida de uma das personagens mais incríveis da história do Antigo Egito: a faraó Hatshepsut.




A capa tá bem ruim, a única que encontrei


Sinopse:

Primeiro romance histórico de Pauline Gedge, Filha do Amanhecer venceu o prêmio Alberta Search-for-a-New-Novelist e se tornou um bestseller internacional. Trata-se da história de Hatshepsut, a jovem que governou o Egito, dominou as artes da guerra e da política, viveu segundo a sua própria vontade e chefiou um império.


O livro


Hatshepsut era filha de Tutmés I com a grande esposa do rei Ahmose, na XVIII dinastia do Império Novo no começo do século XV a.C.. Cresceu inquieta, tendo a educação tipicamente palaciana e casou-se com seu meio-irmão Tutmés II para que ele pudesse ser o rei do Alto e do Baixo Egito. Enquanto isso, acompanhamos o jovem Senemut, de origem humilde, que tem desejo de crescer na vida e na carreira. A história dos dois se cruza várias vezes ao longo dos anos. Tutmés I amava muito a filha, uma menina de atitude, uma inteligência muito aguçada, hábil na caça e bastante voluntariosa. Ela era a favorita do faraó para sucedê-lo.

Com a morte de Tutmés II e com a minoridade de Tutmés III, Hatshepsut se torna a regente, mas isso não é suficiente. Por isso, ela se coroa faraó. Raspa os cabelos, veste o saiote e o toucado e precisa enfrentar o preconceito das grandes famílias reais, dos sacerdotes e dos partidários de Tutmés III, uma mera criança, para se manter no trono. Com amigos e aliados nos lugares-chave, ela consegue manter o trono e a paz no reino. O Egito era um império próspero, muito rico e muitos achavam que a esposa do rei não teria condições ou pulso firme para governar. Mas os registros históricos indicam que durante os 22 anos em que permaneceu a frente do Egito, o reino teve paz e muita prosperidade.

Estátua de Hatshepsut

São muitos os conflitos e situações que Hatshepsut e Senemut, que depois se torna seu amante, precisam passar. Nem todo mundo gosta de ter uma mulher como faraó e quando Tutmés III cresce e se torna um jovem e ambicioso guerreiro e líder do exército, sua oposição à madrasta cresce cada vez mais. O maior desgosto de Hatshepsut é que sua filha não tem sua mesma força e espírito de liderança para poder governar e ela teme o que possa acontecer a si e a seus amigos se Tutmés assumir o trono à força.


Avaliação


Título original: Child of the Morning
Editora: Bertrand Brasil
Ano: 1977
Páginas: 462

O mais legal desse livro é que ele é sobre uma grande mulher que de fato existiu, que realmente se coroou faraó e que teve seu nome apagado da história por ordem dos homens que vieram depois. Foi somente no século XIX que seu nome começou a ser resgatado e seus feitos e obras devidamente creditados, como o magnífico templo de Milhões de Anos e sua missão militar na Núbia e a expedição ao Punt, hoje a Somália, uma terra rica em mirra, incenso, ébano, marfim e animais exóticos que negociava muito com o Egito, devidamente retratados no livro.

Deir el-Bahari, o Templo de Milhões de Anos, no Egito

A múmia de Hatshepsut foi identificada em 2007. A rainha morreu de câncer de fígado, tinha diabetes e seus restos mortais foram encontrados em 1903, mas permaneceu sem identificação, tendo sido inclusive chamada de "múmia indigente". Como os egípcios acreditavam que apagando o nome da pessoa, ela não seria reconhecida no pós-vida, muitas múmias egípcias permanecem até hoje sem identificação. Já que sua vida foi praticamente apagada por Tutmés III, ainda há muita coisa sobre ela que não se sabe.

Para quem procura protagonistas fortes, femininas e que ainda tenham sido faraós do Egito, sugiro fortemente esse livro. Sei que a edição física está esgotada, mas acredito que é possível achar em ebook. Cinco corujinhas para Hatshepsut.

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