Resenha: Livre, de Cheryl Strayed

sábado, outubro 03, 2015

Eu demorei muito para pegar esse livro porque já tinha visto o filme e meio que rolou uma preguicinha. Mas me arrependi de não ter lido o livro antes que, como era de se esperar, é muito mais completo e intenso que o filme. Não que o filme seja ruim, ao contrário, é emocionante, mas no livro temos muito mais.




Sinopse:

Aos 22 anos, Cheryl Strayed achou que tivesse perdido tudo. Após a repentina morte da mãe, a família se distanciou e seu casamento desmoronou. Quatro anos depois, aos 26 anos, sem nada a perder, tomou a decisão mais impulsiva da vida: caminhar 1.770 quilômetros da Pacific Crest Trail (PCT) – trilha que atravessa a costa oeste dos Estados Unidos, do deserto de Mojave, através da Califórnia e do Oregon, em direção ao estado de Washington – sem qualquer companhia. Cheryl não tinha experiência em caminhadas de longa distância e a trilha era bem mais que uma linha num mapa. Em sua caminhada solitária, ela se deparou com ursos, cascavéis e pumas ferozes e sofreu todo tipo de privação.


O livro
Narrado em primeira pessoa, nós temos todos os pensamentos, sensações, dúvidas, iras e problemas que se passam pela cabeça de Cheryl. Sua vida está de cabeça para baixo depois da morte da mãe, que demorou muito para superar. Sua mãe morreu jovem, de câncer de pulmão, uma doença que demora a apresentar sintomas. Geralmente, ele é descoberto em estado avançado. Cheryl não acreditava que sua mãe poderia morrer de câncer de pulmão, justo ela, que não fumava, era natureba. Aquilo era impossível.

Cena do filme Livre, com Reese Whiterspoon

O médico deu no máximo um ano de vida. Cheryl e o padrasto se dividem para cuidar dela no hospital, quando as dores se tornaram insuportáveis demais para ficar em casa. Os irmãos de Cheryl se mantém longe, com dificuldades para lidar com a situação da mãe. Temos passagens da vida da família, como quando a mãe apanhava do primeiro marido, que trancava os filhos para fora quando queria ficar sozinho, que não os alimentava e estrangulava a mãe a cada nova briga.

Ao invés de um ano, ela morreu em um mês. Cheryl não estava junto e ficou completamente transtornada. Chegou ao hospital, o corpo da mãe esfriando, com luvas cheias de gelo sobre os olhos para preservaras as córneas. Este evento mudou sua vida, acabou com seu casamento, onde ela teve vários casos extraconjugais. Acabou se separando do marido, se viciando em heroína e grávida do namorado que a apresentou ao vício.

Enquanto tentava comprar uma pá para desenterrar o carro, ela vê um livro sobre a Pacific Crest Trail, uma longa trilha que se estende da fronteira dos Estados Unidos com o México até à sua fronteira com o Canadá, com 4260 km no total. Cheryl então decide: ela percorreria a PCT, partindo de Mojave, na Califórnia, até a Ponte dos Deuses, no Oregon, num total de 1770 km.

O problema é que Cheryl não se preparou adequadamente para o percurso. Quando nós tínhamos trabalho de campo na Geografia, ou até quando fiz o mestrado em paleontologia, nós tínhamos uma aula anterior só com os preparativos, o que levar, o que não levar, que roupa usar. Cheryl seguiu os textos que leu, mas também levou uma mochila imensa, com metade do peso dela, carregada de coisas inúteis, como camisinhas e uma serra dobrável. Suas botas eram pequenas demais, o que detonou seus pés. A mochila era excessivamente pesada, o que acabou com suas costas, deixando marcas nos quadris, esfoladuras e hematomas. E enquanto ela anda, temos flashes do seu passado e de tudo o que aconteceu com ela.



Avaliação
Título original: Wild
Editora: Objetiva
Ano: 2013
Páginas: 376

Eu sofri, ri, chorei e fiquei irada com Cheryl durante sua caminhada. [[L]] Teve momentos em que queria sacudi-la pelos ombros, em outras queria sentar e conversar com ela, em outras queria poder oferecer uma garrafa d'água. Por não estar preparada para a trilha, Cheryl sofreu com desidratação intensa, com sapos, feridas nos pés e trechos cobertos de neve, que a obrigaram a fazer um desvio na trilha.

Cheryl é uma mulher real e contando sua vida. Temos noção plena de suas ideias equivocadas e opiniões. Ela mantém um diário e lê livros na trilha, revendo sua vida, fazendo descobertas, curando a si mesma e se perdoando, deixando as pessoas irem, como sua mãe. Também sabemos de todos os problemas que teve como assédio óbvio de alguns caras.

O que me incomodou mesmo foi uma mulher se dizer feminista e achar que o comportamento que os homens tinham com ela era normal. Que eles só sabiam se comportar daquela forma e que todas as vezes que os caras a ajudaram era gentileza, e não machismo descarado de caras que viam uma mulher sozinha na trilha e achavam que ela devia querer sua ajuda. Houve momentos de gentileza sim, companheirismo de outros trilheiros da PCT, mas em outros casos Cheryl se comportava como a sociedade espera de uma mulher e ela ainda dizia ser feminista. Ela pode estar equivocada, como qualquer pessoa. E mesmo esse pensamento equivocado engrandece o livro, pois Cheryl admite várias vezes que ela não sabia de nada antes de começar a trilha.

Recomendo muito o livro. Muito mesmo. Ainda estou absorvendo a leitura, porque isso não foi uma simples aventura. Foi uma jornada sobre si mesma. Cherryl diz várias vezes que aquilo era algo para ela fazer sozinha e que sua mochila, apelidada de Monstra, era o fardo que ela precisava carregar. Por toda esse magnífica experiência, dou cinco corujas e deixo aqui a recomendação para que você leia e urgente.

Leia também!

0 comentários

Não se acanhe e deixe seu comentário.
Mas não aceito comentários esdrúxulos, ofensivos, com erros, preconceituosos... Ahh, você me entendeu.

Google+

Contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Resenhas

Sensacional!

Muito bom!

É bom...

Já li melhores.

Horrível