Resenha: Sweet, de Tammara Webber

quarta-feira, dezembro 23, 2015


"Sweet" é o terceiro volume da coleção/trilogia/sei-lá-do-que-se-trata “Contornos do Coração”. Eu nem sabia que haveria um terceiro volume, de forma que nem tenho ideia se haverá outro livro. E a verdade é que também não sei bem o que pensar do resultado final. 

Bom, voltando ao assunto: só descobri esse terceiro volume quando a Amazon colocou o ebook entre minhas recomendações de leitura. Obviamente eu quis lê-lo assim que descobri sua existência, uma vez que tive esperanças de que ele me desse algum ânimo. E não foi bem assim que as coisas aconteceram:

O livro:


Sinopse:Boyce Wynn é um cara ferido e selvagem, mas resiliente. Pearl Frank sempre foi uma garota obediente, mas agora está inquieta. Quando volta para sua cidadezinha, em crise com sua escolha profissional, Pearl tem duas certezas: Boyce é exatamente aquilo que ela deveria evitar - e tudo o que ela mais quer. Ele é rebelde e barulhento. Indiferente ao que as pessoas pensam dele. Intenso. Forte. Perigoso. Mas Boyce tem mais uma característica - algo que ele esconde de todos exceto de Pearl: ele é doce.
Neste volume da série Contornos do Coração, você vai conhecer a história de dois amigos conforme eles descobrem que sempre foram mais que isso - além de rever personagens conhecidos como Lucas e Jacqueline.

Narrado em primeira pessoa, conforme o padrão dos demais volumes, o livro conta com pontos de vista de Boyce e de Pearl. Os capítulos iniciais começam com o momento em que a vida dos personagens deu uma guinada. 

No caso de Boyce, essa guinada se dá com o falecimento do pai alcoolatra, o que representa uma libertação. Uma vez que não era uma relação de afeto e que a imagem paterna invocava lembranças de abandono e violência doméstica, o rapaz pouco tem a lamentar e seu primeiro ato ao chegar em casa é justamente queimar a poltrona que pertencia a ele. Independente e com o temperamento embrutecido desde a mais tenra idade, a liberdade não lhe traz temor, apenas o sentimento de autonomia e, finalmente, de paz. 

Já para Pearl sua guinada é finalmente ter o ímpeto de ir contra aquilo que os outros sonharam ou planejaram para ela. Seu capítulo começa com a personagem voltando para casa, ensaiando como dizer a mãe que não pretendia fazer a faculdade de medicina e sim um curso em Biologia Marinha. Ela também rememora a péssima reação que seu namorado teve ao saber da mudança de planos, mas de qualquer modo está decidida a prosseguir. Para Pearl, sempre a menina certinha, a liberdade traz um frio na espinha visto que ela nunca realmente a teve. E o único que ela sabe será capaz de compreender seus sentimentos em relação a isso é justamente Boyce, naquela amizade que construída de maneira inusitada e que evoluirá para o romance.

A história de ambos finalmente se revelando, coisas inesperadas acontecendo e também a pegação rolando solta: assim temos um new adult. Mais do que isso e eu estarei dando spoilers.

Avaliação


Entre os três livros que li de “Contornos do Coração”, “Sweet” foi o que mais me soou como uma fanfic: ou seja, como alvo de improvisos para segurar o planejamento da história. Não sei dizer se isso é uma característica da autora (não li os demais livros dela de outra séries) ou do gênero em si. Digo isso tendo em vista a forma como a história se desenvolve e como muitas vezes tendemos a ignorar visto que muitas vezes a história é interessante o bastante para deixar o resto de lado. O livro tem essa pegada do improviso, mas não me cativou o bastante dessa vez.

Gostei dos personagens e da forma como eles se relacionam uma vez que a amizade (a normal e a colorida) estava solidificada. O entrosamento foi interessante, mas a forma como foi construído após a primeira cena, ou seja, o seu desenvolvimento acabou me soando forçado. Já a construção do irmão mais velho de Boyce soou como um clichê ambulante de new adult e também das fanfics, em especial dentro da relação com a tatuadora (da qual me esqueci o nome), mas enfim, ele não era o protagonista, então deixei de lado com gosto mesmo que seu papel fosse fundamental para a formação do protagonista. E então também houve uma revelação a respeito das origens de Pearl que me fez perder as esperanças de tão desnecessária que soou. Uma improvisação desmedida.



Em “Sweet”, Tamara Webber continuou utilizando os relacionamentos abusivos como parte do fio condutor das histórias de ‘Contornos do Coração’. A novidade ficou por conta dos personagens novos, ligados aos protagonistas anteriores mas não com o mesmo foco. O abuso surgiu de ambos os lados: o cotidiano da violência doméstica, como era o caso da família de Boyce, e os indícios de um relacionamento no mínimo estranho entre Pearl e seu ex, do qual temos poucos sinais em primeiros momentos. Dois diferentes focos a explorar e que, de quebra, em uma das ocasiões remonta a “Easy”. 

São pontos de interesse muito fortes, mas não necessariamente bem aplicados e bem sucedidos em todas as etapas: não consegui entender a motivação dos comportamentos iniciais do ex da protagonista. Isso soou totalmente WTF pra mim, mesmo que o personagem tenha alguma função lá depois da segunda metade da história. Porque até mesmo o sentimento de posse da parte agressora de uma relação abusiva tem algum nexo ou lógica mesmo que fizesse sentido apenas para ele, o que não ocorreu em nenhum momento. Não houve nenhum vislumbre, nada, nadinha, necas, nothing, e isso foi frustrante.

Ainda dentro do quesito ‘relacionamentos abusivos’ a construção da família de Boyce soou interessante. Tive empatia por ele, em especial quando sua mãe (ou projeto de mãe) surgiu. Soou terrivelmente verdadeiro a forma como ela – fugindo da violência doméstica e deixando tudo, até os filhos  - para trás, entrou justamente em outro relacionamento marcado pelo abuso e até passou a crer naquilo como uma forma de superproteção e carinho por parte do parceiro, mesmo que a verdade sobre aquilo estivesse quase gritando na cara dos personagens e do leitor. Foi algo bem explorado, mas esse padrão não continuou: Desandou especialmente em outro momento importante quando Pearl chamou a polícia após o ex invadir sua casa e o xerife simplesmente queria deixar o assunto de lado, considerando de menor importância:

“— Olha só, essas coisas acontecem o tempo todo entre os jovens. Garotos com testosterona demais e garotas bonitas que gostam de um draminha... até que a coisa foge do controle.
Fechei as mãos sobre minhas pernas.
— Nós terminamos há meses, e eu não gosto de drama.
Ele levantou as sobrancelhas despenteadas e sorriu com ar experiente, como se dissesse: “É claro que não, mas está aqui”

Eu realmente queria que essa cena tivesse sido melhor explorada, mas não. Não foi. Isso me decepcionou bastante. Acabamos passando para a cena do heroísmo do macho man protagonista de new adult/fanfic e ponto. O pior que nem essa cena de perigo macho style rendeu alguma coisa. Sério que deixaram algo com potencial de lado pra isso??? #facepalm



Vale destacar também que, como normal do new adult, a pegação e o sexo tiveram a sua vez e surgiram com frequência, o que não acontecia tanto nos volumes anteriores por razões óbvias. Devo dizer que também prefiro os anteriores nesse quesito, uma vez que – já devo ter mencionado – não sou muito chegada a cenas eróticas em livros e fanfics, então ignorei solenemente. Era um recurso importante para a história – visto que era um casal sadio e sem problemas nesse quesito, além disso ainda aumenta o número de páginas do livro, mas acabei praticando a famosa leitura dinâmica. 

Em um balanço a respeito do livro, gostei da ideia de abordar Boyce e Pearl. Os dois são bastante carismáticos, em especial Pearl com seus dilemas e uma ideia de rebeldia que no fundo era por algo tão pequeno. O casal é interessante e renderia uma boa história mas o desenvolvimento não me convenceu. Excesso de improviso.

Não tenho ideia se haverá um quarto livro para ‘Contornos do Coração’, mas se houver provavelmente continuarei lendo, mesmo com a decepção nesse terceiro volume. A escrita da autora e também o fato de abordar a violência e o abuso nos relacionamentos para um público jovem sempre me despertarão o interesse e a curiosidade, já que a romantização dos abusos começa bem cedo e a contracorrente começou a ter expressão apenas recentemente. Fico feliz em ver temas assim sendo abordados uma vez que a ficção acaba sendo a melhor fonte de informação nesse sentido.

Três corujinhas, acho que está de bom tamanho:


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