Resenha: Toda Luz que não Podemos Ver, de Anthony Doerr

terça-feira, janeiro 05, 2016

Este livro me surpreendeu pela forma como a história se passa em plena Segunda Guerra Mundial. A forma como o autor trabalhou o tema da guerra e inseriu uma curiosa jornada a respeito de dois órfãos, uma moça que perdeu a visão ainda criança, filha do chaveiro do museu de história natural de Paris e um valioso diamante amaldiçoado fazem deste um dos melhores livros que li em 2015.

Toda Luz que não Podemos Ver




Sinopse:

Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu.

Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia.

Uma história arrebatadora contada de forma fascinante. Com incrível habilidade para combinar lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, o premiado autor Anthony Doerr constrói, em Toda luz que não podemos ver, um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.


O livro

Marie vive com o pai em um apartamento modesto perto do museu. Seu pai é o chaveiro responsável e muito bom em construir maquetes. Assim que uma catarata tira a visão de sua filha, ele começa a construir uma maquete para que ela possa ser independente. Compra-lhe livros em braile, especialmente de ficção científica, como Júlio Verne, e está sempre por perto dela, levando-a ao trabalho, onde todos os funcionários a conhecem e a deixam transitar em seus laboratórios.

Enquanto isso, Werner e sua irmã mais nova tentam sobreviver na casa das crianças, um orfanato para as crianças cujos pais morreram nas minas de carvão, na Alemanha. Werner é alucinado por ciência e tecnologia, como a irmã, e ambos escutam uma misteriosa transmissão sobre ciências do rádio que encontraram no lixo e que Werner conseguiu consertar. Ele viaja nas palavras e nas lições de ciências que saem dali. Mas é possível perceber a mudança no ambiente conforme acompanhamos Werner. Uma estranha bandeira vermelha está agora pendurada pela cidade. Frau Elena, responsável pela casa, está tensa e a comida começa a rarear.

Em Paris, a iminente invasão nazista põe em risco um dos maiores tesouros do museu: um diamante que dizem ser amaldiçoado, devido à trilha de tragédias que deixou pelo caminho. É um tesouro que os nazistas adorariam pôr a mão. Por isso o diretor do museu pede ajuda para seus funcionários de confiança e com quatro pedras idênticas os manda para longe de Paris. Somente ele sabe com quem está o verdadeiro diamante e quem carrega as réplicas.

Werner fica tão bom com equipamentos, especialmente rádio, que depois de consertar o aparelho de um oficial nazista, ele é cooptado para uma escola de formação. Sua irmão não gosta disso, acha que ele está cedendo para um lado mau, do qual pode nunca voltar e do qual ela não concorda. Werner se sai muito bem com rádios e acaba numa equipe que caça transmissões ilegais ou do inimigo.

A história de Marie e de Werner se ligam quando surge o vilarejo de Saint-Malo, hoje uma região turística na região da Bretanha, na França, uma bela vila medieval que foi ocupada pelos nazistas e quase destruída pelos bombardeios. Os dois acabam se encontrando nessa cidade após uma noite intensa de bombas e baterias anti-aéreas, mas suas histórias correm paralelas e ficamos imaginando como eles, finalmente, se conhecerão. Mas esteja preparado. Muita coisa dá errado neste livro, muitas partes tristes.

Quando meus cabelos se tornarem grisalhos
Você vai me beijar e dizer que me ama em dezembro assim como me ama em maio?


Avaliação


Título original: All the Light We Cannot See
Ano: 2015
Páginas: 528
Editora: Intrínseca

Este é um livro muito sensível, muito singelo, ainda mais se tratando do cenário tão cruel e desumano como o da Segunda Guerra. Não temos campos de concentração sendo descritos, nem a visão clara de prisioneiros seguindo para campos de extermínio, mas saber de tudo isso só torna o livro ainda mais tenso e singelo. Me fez lembrar de A Vida É Bela, que também se passa na Segunda Guerra, mas que tenta contar uma história de amor e alegria num cenário tão terrível.

Marie pode ser chata e impertinente, mas é uma criança curiosa e inteligente, que enxerga muito melhor do que muitas pessoas ali. Ela tem um amor intenso pelo pai, pelo tio-avô e pela empregada da casa em Saint-Malo. Já a história de Werner é bem amarga, já que ele sabe que, pôr fazer parte da juventude Hitlerista, há coisas que os outros não perdoam.

O autor talvez tenha estendido demais o final, mas provavelmente ele também tenha sentido saudade dos personagens e quis atar a maioria das pontas. Indico muito este livro, que ganhou o Pulitzer de Ficção. Cinco corujinhas para ele.

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1 comentários

  1. Adorei a resenha! Esse livro tava na minha lista de livros desejados, agora ele está na lista de livros que devem ser comprados e lidos imediatamente! Obrigada!

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