Retrospectiva Literária 2016

sábado, dezembro 31, 2016

Ok, sei que estou falhando bastante aqui no blog, mas se tem algo com o qual o 'Garota da Biblioteca" sempre pode contar é com o post de retrospectiva literária. Afinal posso não estar lá muito firme com as resenhas, mas ao menos tento ser firme com as leituras.


De acordo com o Skoob foram 86 livros lidos em 2016. Dentre esses livros, 60 deles são de autoria feminina (um número razoável, embora gostaria de ter ido mais longe). Creio que esse número poderia ser maior caso dois meses de ressaca literária não estivessem no meu caminho. Nesse período tudo que consegui ler foram fanfictions de Supernatural. Isso atrapalhou meu desempenho no Desafio Literário 2016, do qual estava participando mas acabei largando durante a ressaca e não tive mais tempo para recuperar. Mas tudo bem: se o número de fanfics que li não foi algo útil como literatura, pelo menos melhorou meu inglês, então acho que não posso reclamar demais.

Analisando esses números, meu primeiro sentimento é de tristeza e desânimo, afinal olha só o número de resenhas perdidas! Mas tudo bem, bola para frente e vamos que vamos porque 2017 tá chegando e sei que posso fazer melhor.

Bora conferir o que passou de melhor e pior pela minha estante e pelo Kindle?

Os melhores de 2016

"A Guerra Não Tem Rosto de Mulher" de Svetlana Aleksievitch: Passei boa parte de 2016 esperando ansiosamente pelos livros de Svetlana Aleksievitch, e esse livro especificamente está no top five dos melhores livros que li na vida. É um daqueles que você mal consegue formular uma opinião logo após sua leitura porque ele dá muita coisa para o leitor pensar a respeito. Fala sobre coragem, sobre machismo, ingratidão, heroísmo e esquecimento.  

"As Meninas Ocultas de Cabul" de Jenny Nordberg: Nessa obra o assunto são as meninas que se vestiram ou ainda se vestem de homem no Afeganistão. Os motivos são vários e podem mudar de acordo com a dinâmica familiar e suas necessidades: desde luta pela sobrevivência material até uma tentativa de gerar um herdeiro legítimo, e sua transição de volta ao papel feminino com a chegada da puberdade. É um livro surpreendente em especial por ser uma tradição antiga em um país ao qual acharíamos que o assunto poderia despertar estranheza. Nele, a autora reúne histórias reais e de resistência ímpar. Trata-se de uma obra que desperta curiosidade e inúmeros questionamentos a respeito dos papéis de gênero na sociedade, ainda mais em um local no qual a segregação ao sexo feminino é regra.

"A Vida Invisível de Eurídice Gusmão" de Martha Batalha: Único livro de ficção em meio a uma lista que preza pela presença de biografias, o livro de Martha Batalha fala sobre cultura do machismo e invisibilidade feminina. Sobre um machismo que é tão frequente que passa despercebido porque muitos não consideram grande coisa. Fala sobre mulheres cheias de capacidade que foram impedidas de se realizar porque nasceram no lugar e no tempo errado. Também é um dos meus livros preferidos de todos os tempos.  

"Querido Líder" de Jang Jin-Sung: Digamos que 2016 tenha sido o ano em que pude consolidar meu interesse em leituras a respeito da Coréia do Norte, e "Querido Líder" ofereceu um vislumbre diferente: estamos aqui falando também em relatos históricos, em coisas que aconteceram na alta roda, de alguém que teve acesso a esferas mais elevadas de poder, respondendo a diversas curiosidades. Sei que existem muitas dúvidas a respeito da veracidade de relatos dados por refugiados norte-coreanos já que muitos fatos são difíceis de comprovar, fico com o pé atrás com muitos tópicos que leio, mas esse é um dos melhores livros que já li nos últimos tempos.

"Para Poder Viver" de Yeonmi Park: Ainda no embalo da leitura sobre a Coréia do Norte, tive a chance de ler a história de Yeonmi Park. Demorei a engrenar, mas prossegui e não tenho arrependimentos. Encontrei nesse livro um relato tocante e sensível sobre alguém que já vivenciou muitas das piores facetas desse mundo e que finalmente pôde transcender, uma vez que esteve em um lugar onde essa chance foi concedida. Com ele é possível saber de muitos fatos a respeito do tráfico de pessoas: informações desconcertantes a respeito das fugas e também sobre o que muitos imigrantes - especialmente mulheres - encontram no meio do caminho. É desconcertante, mas ao mesmo tempo admirável.  

As Decepções de 2016

"Eu Fui a Melhor Amiga de Jane Austen"de Cora Harrison: Sim, caí no conto do "se tem Jane Austen envolvida, já quero". Mesmo sendo uma história totalmente romanceada, mesmo para o público jovem, provavelmente terei desejo de ler e assim o fim. Sim, menções a Jane estavam lá, mas tanto a escrita quanto os personagens me irritaram demais. Enfim, a expectativa é a mãe das decepções.

"Sedução da Seda" de Loretta Chase: Além do período de ressaca literária no qual só conseguia ler fanfiction de Supernatural, também tive uma fase na qual me viciei loucamente em romances de época. Para o bem ou para o mal "Sedução da Seda" foi o livro que me tirou dessa fase: a história era lenta, mal escrita e mal planejada e os personagens não possuíam um pingo de carisma. O que me fez continuar foi chegar aos 70% da leitura e decidir que seria melhor continuar para sentir que não perdi meu tempo. Isso me rendeu um livro a mais nos números de 2016, e uma lembrança constante para evitar os outros livros da trilogia. 

"Dentro do Segredo" de José Luis Peixoto: Já mencionei que 2016 foi o ano das leituras sobre Coréia do Norte, não? Então você pode imaginar qual seria minha reação diante de um livro com as experiências de alguém que embarcou para o país como turista. Sempre tive curiosidade em saber como funcionavam os pacotes de turismo para estrangeiros interessados na Coréia do Norte, mas sabe quando o livro te disse muito pouco? Pelo menos a mim ele não disse quase nada, salvo algumas curiosidades aqui e ali. Não teve nenhum significado pra mim, talvez um efeito esperado depois de ter passado por outros livros sobre o lugar. O significado que ele teve para mim foi a persistência já que demorei muito a terminá-lo. Algo que só fiz para que não sentir que foi tempo e esforço perdido. 

"A Livraria dos Finais Felizes" de Katarina Bivald: Livros sobre livros sempre foram atraentes para mim, mas é uma experiência que vem rendendo muito pouco. Foi esse o resultado do meu interesse em "A Livraria dos Finais Felizes". A escrita é interessante e pelo menos até metade a história parecia ser razoável, mas depois disso simplesmente decaiu e acabei perdendo o interesse. E se tudo tinha um ritmo parado - afinal não havia promessa de grandes viradas de acordo com a sinopse - nas páginas finais então tudo vem repentinamente, acontecendo sem maiores explicações. No fim, acho que as pérolas da protagonista a respeito de livros e alguns autores eram melhores que o livro inteiro em si. 

"Ler, Viver e Amar em Los Angeles" de Jennifer Kaufman e Karen Mack: Sim, mais uma vez outro livro sobre livros. E sim, outra decepção. Encontrei uma protagonista sem qualidades (e esnobe em vários sentidos), uma história rasa, um final que deixa a desejar. A escrita é válida e fluida, mas simplesmente a história não acontecia. Nem mesmo algumas raras considerações sobre livros e autores me despertou o interesse. No fim, terminei a leitura por mera curiosidade sobre os porres literários mas sem a mínima noção de como classificar o livro como sendo uma boa leitura.

Então, minha gente: Ano novo prestes a começar, muitas leituras esperando, muitos livros novos para descobrir e diversas oportunidades de fazer melhor. Que 2017 seja melhor para esse bloguinho humilde!

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