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A Garota da Biblioteca

Romances fofos e com clichês? Sim, amo e nunca neguei. Livros são elementos da história? Yay! Já tô lá com o livro em mãos ou em e-reader! Sim, isso quer dizer que eu fui com tudo, mas infelizmente o resultado não foi dos melhores. Pelo menos rendeu uma resenha...   

Resenha: A pequena livraria dos sonhos, de Jenny Colgan










Sobre o livro

“Nina Redmond é uma bibliotecária que passa os dias unindo alegremente livros e pessoas – ela sempre sabe as histórias ideais para cada leitor. Mas, quando a biblioteca pública em que trabalha fecha as portas, Nina não tem ideia do que fazer.

Então, um anúncio de classificados chama sua atenção: uma van que ela pode transformar em uma livraria volante, para dirigir pela Escócia e, com o poder da literatura, transformar vidas em cada lugar por que passar.

Usando toda a sua coragem e suas economias, Nina larga tudo e vai começar do zero em um vilarejo nas Terras Altas. Ali ela descobre um mundo de aventura, magia e romance, e o lugar aos poucos vai se tornando o seu lar.

Um local onde, talvez, ela possa escrever seu próprio final feliz.”


O que achei


Antes de mais nada é importante entender que eu tinha expectativas a respeito do livro. Não é de hoje que ficava de olho na autora, sabendo que ela escreve justamente histórias com elementos que adoro. Fiquei muito feliz quando soube que teríamos livros dela aqui no Brasil e rapidinho foi para minha lista de desejados. Só que infelizmente tenho problemas com expectativas: na maior parte do tempo elas não se concretizam.

O livro é bem leve. A narrativa é delicada e a construção do cenário e da atmosfera é bem fofa. O problema é que não consegui me envolver ou me importar com os personagens, mesmo a protagonista. Gosto de romances sobre livros - com livrarias ou bibliotecas - mas não consegui me envolver com Nina, com sua compulsão literária ou o desenvolvimento da história em si. Visualizei o cenário durante a leitura, mas era como se não fosse nada demais. Não consegui suspender a descrença a ponto de acreditar na história ou nos acontecimentos, mesmo quando pareciam ser interessantes. 

Outro ponto é que não consegui encontrar química entre o casal principal, não vi nenhum chamariz no triângulo criado pela autora ou a mínima graça no recurso. Ela deu muita atenção a um determinado personagem e aí vai lá e pá! Tira um dos elementos desse triângulo da história de uma forma bem… meh. Foi como se esse ponto tivesse se desenvolvido de maneira preguiçosa porque não sabia o que fazer com os personagens no fim das contas.

Apesar disso, pode ser uma boa opção para quem está atrás de um romance, uma leitura rápida, divertida ou do tipo que não vai provocar uma ressaca literária.

Ainda espero ler mais livros escritos por Jenny Colgan, mas esse começo não foi dos mais promissores. Por hora vamos de duas corujas (e talvez meia).

A curiosidade pelo que acontece no mundo das elites parece ser uma constante. E claro, não apenas a curiosidade como também a inevitável vontade de dispor das mesmas possibilidades. O que poucos são capazes de ver é que nem todo dinheiro e privilégio são capazes de expurgar o tédio ou o quanto esse esforço para evita-lo podem levar a uma degradação talvez irreversível. É um panorama desse mundo que promete o livro de estreia de Marcelo Vicintin, publicado pela Companhia da Letras.


Sobre o livro:

“Dizem que o dinheiro não muda ninguém, apenas desmascara; e é num mundo sem máscaras que as predileções humanas ficam mais claras.” Esta é a síntese de um romance em que dois narradores privilegiados se alternam para contar cada um a sua história. Um deles é Egydio, herdeiro de uma empresa de navegação, que cumpre pena em prisão domiciliar após ser flagrado por uma força-tarefa da Polícia Federal; a outra é Marilu, espécie de arrivista em busca da imagem perfeita, mergulhada num presente frenético e incerto. São personagens que não buscam a simpatia do leitor, pelo contrário. Mas seu encanto está justamente no que neles há de corrompido. É necessário considerar as nuances da escrita ― a meio caminho entre a paródia e a crítica, procurando abarcar um contexto muito mais amplo, o do Brasil desse início de anos 2020 ― para que se possa adentrar no coração desta que, sem dúvida, é uma das estreias literárias mais corrosivas e corajosas dos últimos anos.”

O que eu achei

as sobras de ontem de marcelo vicintin


Escrito em primeira pessoa, a história é contada pelo ponto de vista de dois personagens: um herdeiro e empresário em prisão domiciliar e uma vaidosa alpinista social de um modo no qual espera-se que estejam intercaladas. Logo de imediato é possível notar diferenças gritantes nas vozes dos personagens:

Egydio, o herdeiro da empresa de navegação da família é um sujeito com uma vida interior intensa, digamos assim. Talvez por ele estar tomado pelo tédio ele tenha muito a dizer. Muito, muito mesmo. Infinitas e infinitas páginas mesmo quando ele não tinha nada a dizer ou acrescentar. Muitas digressões sendo que poucas representavam algo para a trama. Verborragia mesmo.

Tudo isso muda quando a narrativa passa a ser de Maria Luiza. Talvez refletindo sua superficialidade como alpinista social, ela tem pouco a oferecer. Mesmo sua história é considerada secundária. Toda a verborragia pertence a Egydio. A ela cabe aquilo que é considerado fútil e sem importância. Mesmo os momentos em que hábitos descritos são os mesmos parece que o peso dado aos acontecimentos é diferente. Maria Luiza é vista como ambiciosa porém simplória: um retrato dos tempos atuais. Já Egydio também é ambicioso, mas também puro enlevo. Digamos que ele se justifica de uma maneira que consideramos melhor, ou talvez apenas deixamos de dar atenção porque afinal é um sujeito rico, de família respeitável e chato pra caramba.

Algo que me deixou desconfortável a respeito foi a simplicidade no tratamento de Maria Luiza. Atribuo esse ponto ao fato de que deve ter sido mais fácil e confortável para o autor escrever e formular o que dizia respeito a Egydio. Enquanto ele ficou a cargo de toda verborragia e dono dos holofotes, Maria Luiza acabou coadjuvante em um livro no qual deveria ser uma das protagonistas. Diante disso não haveria prejuízos a história caso o livro fosse menor. Pelo menos haveria um equilíbrio.

Durante o livro você espera que a história de ambos acabe interligada de algum modo. Bom, quando isso ocorre não é de uma maneira completa, mas sim algo dispensável. Algo que o leitor mal notaria a menos que esteja prestando atenção.

Fiquei um tanto decepcionada pelo final. A narrativa se perdeu e o desfecho soou estranho. O recurso de finais em aberto pode ser interessante a depender das circunstâncias, mas não funcionou nesse livro,  ou pelo menos não do modo como foi formulado.

Na minha avaliação dou três corujas e é o bastante.

Título: As Sobras de Ontem

Autor: Marcelo Vicintin

Publicado em: 2020

Páginas: 216


Preciso ser sincera e dizer que não aprendo mesmo. Mais uma vez tive grandes expectativas em relação a um livro e mais uma vez saí decepcionada. Não interessa que expectativa seja mãe da decepção que eu vou lá e crio assim mesmo. E foi isso que aconteceu quando li “Observações sobre um planeta nervoso” de Matt Haig. 




Sinopse: 

 
"Após anos convivendo com a depressão e as crises de pânico, Matt Haig percebeu que determinadas interações nas redes sociais agiam como gatilhos para a sua ansiedade. Em uma tentativa de buscar uma saúde mental mais equilibrada no mundo altamente conectado em que vivemos, Haig começou a pesquisar a relação entre a quantidade de informações, imagens e interação virtual ao nosso dispor e nossa sensação crescente de cansaço, solidão e depressão. 

Se somos bombardeados de imagens felizes e temos acesso a todo tipo de informação o tempo todo, por que nos sentimos cada vez mais perdidos e solitários? Por que vemos a incidência de quadros como depressão, ansiedade e síndrome do pânico aumentar? Para o autor, essas perguntas só podem ser respondidas fazendo uma análise da nossa sociedade, hoje dominada pela tecnologia e pela lógica do consumo. Uma de suas conclusões é que o modo como vivemos está projetado para nos fazer perder o controle. 

A partir desse prognóstico, Haig traz propostas para manter a sanidade em um planeta que nos deixa desequilibrados e para buscar a felicidade mesmo com a ansiedade sendo encorajada. Observações sobre um planeta nervoso é um olhar pessoal e fundamental sobre como se sentir feliz, humano e pleno no século XXI."  

O que achei: 

Acho que devo explicar como encontrei e me interessei pela obra. Conheço o autor por conta de uma leitura anterior. "Razões para continuar vivo" é um dos meus livros preferidos da vida e isso foi mais do que suficiente para me deixar interessada em "Observações sobre um planeta nervoso". O problema é que criar expectativas nunca é uma boa ideia.

Devo dizer que não se trata de um livro ruim, mas uma questão de expectativas frustradas. Apenas não era o que eu esperava, de dizer que minha experiência como leitora não foi das melhores porque no fim das contas o livro não era pra mim (nem tinha obrigação de ser). 

A obra é um compilado de textos, rascunhos e reflexões do autor acerca do tema, mesclando saúde mental e a relação que temos com a internet e seus recursos. Alguns desses textos são tão pequenos que sequer chegariam a ocupar meia página. Não se trata de uma obra para uma leitura contínua. Na prática cada texto explora diferentes ângulos e formas para dizer a mesma coisa. Isso faz com que a obra acabe sendo muito repetitiva em determinados momentos. Entendo o recurso, mas não quer dizer que me agrada, pelo menos não da forma como foi elaborado. 

“Observações sobre um planeta nervoso” tem suas pérolas, pontos interessantes aqui e ali. Serviu como um reforço sobre a necessidade geral de avaliar nossa relação com a internet e os impactos das redes sociais sobre a saúde mental de seu público. Mas não sendo minha primeira leitura a respeito do tema, o livro acabou não oferecendo novidades ou novas perspectivas ou algo novo a se pensar, mas sim um relato pessoal. Em alguns pontos senti quase como se fosse algo escrito em um caderno de rascunho, uma primeira versão para ser polida mais tarde. 

Na verdade meu problema foi esperar algo com um pouco mais de estrutura e organização, por mais profundidade ou impacto. Quando vi que não seria o caso esperei que o nome do autor fosse o bastante para aproveitar a leitura. Infelizmente isso também não aconteceu. Nesse caso não posso culpar outra pessoa além de mim mesma. 

Para quem estiver disposto a ler, aconselho que não faça uma leitura apressada. Não é um livro daqueles que se devora, mas sim daqueles que se aproveita melhor quando lido aos poucos, sem alimentar grandes expectativas.

Na minha avaliação, penso que vale três corujas:



Volta e meia minha lista de leitura acaba contando com livros que tenham a corrida como elemento principal. Do mesmo modo, minha lista também foca muito em livros de não-ficção e sobre transtornos mentais. Nesse caso, “Corra para ser Feliz” era uma aposta e tanto para minhas leituras de 2020.

(Sim, eu percebi que já tem um tempo que não posto nada nesse blog, mas devo dizer que minhas leituras continuam funcionando.)

Resenha: Corra para ser feliz, de Bella Mackie


Sobre o livro:

Bella Mackie tem problemas com a ansiedade desde criança, mas um divórcio complicado fez com que ela se sentisse no fundo do poço, sem forças para sequer levantar do sofá, quanto mais pensar em lidar com a rotina e colocar a vida de volta nos eixos. Um dia ela resolveu fazer algo diferente: correr.

Sua primeira tentativa durou cinco minutos, mas o suficiente para que ela voltasse a calçar os tênis e saísse para correr no dia seguinte. A razão? Por alguns minutos ela não chorou, não teve seus pensamentos dominados por pânico, tristeza ou ansiedade. E então ela repetiu o processo, um dia após o outro buscando o mesmo alívio. O livro é resultado da experiência da autora usando a corrida como uma maneira de lidar com a ansiedade e a depressão e encontrar um novo caminho.

O que achei

O livro é interessante, mas acabei travando em alguns momentos. Isso fez com que eu me sentisse incomodada. A leitura tende a ser boa, mas muitas vezes a autora utiliza dados de pesquisas e artigos científicos para falar sobre depressão, ansiedade e a importância dos exercícios físicos. O recurso foi tão usado quebrou um pouco a narrativa. O excesso de dados me deu a oportunidade de trabalhar com a famigerada leitura “por cima”. Não gosto disso, mas acaba sendo um recurso útil nessas horas.

Na minha opinião o livro é mais fluido quando as experiências da própria Bella Mackie são utilizadas. Os relatos a respeito da luta dela contra a ansiedade e a depressão foram ricos o bastante para que o leitor entenda do que se trata. A postura assumida por ela ao contar sua história também oferece uma visão de gentileza e autocompaixão, o que pode ajudar um leitor com dificuldades semelhantes a olhar para si mesmo de modo menos ríspido, mais paciente. Algo muito valioso em dias como hoje, nos quais a tendência dominante é enxergar esse tipo de postura como uma fraqueza indesejada.

Um ponto importante é que Mackie não coloca a corrida como uma cura mágica, mas sim como uma ferramenta que a levou para lugares inesperados. Aliás, ela destaca justamente que não existe uma cura rápida ou uma maneira certa. A corrida foi uma forma de ampliar seu mundo - tão pequeno durante o auge da depressão - para algo cada vez maior. A autora faz questão de frisar que cada um tem a própria história e que as ferramentas utilizadas por um podem não ser as mais adequadas para outro.

Importante mencionar também que em nenhum momento ela ignorou ou demonizou o papel dos medicamentos em sua jornada. Pelo contrário: os resultados alcançados não dizem respeito somente a corrida, mas a um conjunto de elementos devidamente integrados. A mensagem clara é de que não existem curas rápidas, mas existem caminhos. Existe esperança. Isso é o mais importante de tudo.

Título: Corra para ser Feliz
Título original: "Jog On"
Autora: Bella Mackie
Tradutora: Laura Folgueira
Editora: Harper Collins
Páginas: 304
Ano de lançamento: 2019


Avaliação do blog

Confesso que fiquei na dúvida a respeito de como avaliar o livro. Isso porque eu acabava me deslocando muito na leitura quando vinha a avalanche de dados. Em um momento eu estava imersa e um pouco depois já estava praticando a leitura por cima. Optei por quatro corujas por pensar que os percalços valeram a pena.


Boa leitura!

Em 2016 passei por uma período no qual estive viciada em romances de época. Foi nesse tempo que cheguei a ler cinco ou seis livros seguidos desse gênero e comecei essa série. Agora finalmente posso riscar uma coleção da minha lista de leituras pendentes. Rá! *risca, risca, risca com sensação de dever cumprido.*


Sinopse:Daisy Bowman sempre preferiu um bom livro a qualquer baile. Talvez por isso já esteja na terceira temporada de eventos sociais em Londres sem encontrar um marido. Cansado da solteirice da filha, Thomas Bowman lhe dá um ultimato: se não conseguir arranjar logo um pretendente adequado, ela será forçada a se casar com Matthew Swift, seu braço direito na empresa.
Daisy está horrorizada com a possibilidade de viver para sempre com alguém tão sério e controlador, tão parecido com seu pai. Mas não admitirá a derrota. Com a ajuda de suas amigas, está decidida a se casar com qualquer um, menos o Sr. Swift.
Ela só não contava com o charme inesperado de Matthew nem com a ardente atração que nasce entre os dois. Será que o homem ganancioso de quem se lembrava era apenas fachada e ele na verdade é tão romântico quanto os heróis dos livros que ela lê? Ou, como sua irmã Lillian suspeita, o Sr. Swift é apenas um interesseiro com algum segredo escandaloso muito bem guardado?
Fechando com chave de ouro a série As Quatro Estações do Amor, Escândalos Na Primavera é um presente para os leitores de Lisa Kleypas, que podem ter certeza de uma coisa: embora as estações do ano sempre terminem, a amizade desse quarteto de amigas é eterna.

O Livro


Como mencionado na sinopse, o livro gira em torno de Daisy Bowman, no momento sendo pressionada pelo pai a se casar de qualquer maneira. Isso porque seu pai, Thomas Bowman, considera as temporadas de eventos sociais na Inglaterra como desperdício de recursos uma vez que a filha não encontra algum pretendente aristocrata mesmo em sua terceira temporada nos eventos sociais de Londres. Seus planos incluem Matthew Swift, braço direito na empresa e a quem trata como filho. Na prática Bowman, não se sente ligado aos seus próprios filhos, considerando faltar a eles traços como ambição e determinação. Essa situação é um pouco pior com Daisy, com quem ele menos se identifica. Nesse passo, o casamento representa uma forma de Daisy ser útil a sua família, caso contrário, ela se torna uma parasita.

Daisy, conforme o esperado, detesta a ideia pois enxerga Swift como uma cópia de seu pai - frio e ambicioso - e totalmente subserviente as ordens do seu chefe. Além disso, o rapaz sequer tem traços ou características atraentes. A memória de Daisy a seu respeito é de "um saco de ossos", por exemplo. Suas amigas se unem para tentar encontrar outra alternativa, qualquer outro pretendente. Ela só não contava que Swift estivesse muito mudado, muito menos que o rapaz nutrisse sentimentos por ela. Obviamente existe um segredo envolvido, mas sabe quando não é lá essas coisas? Até ocupa algo na segunda metade do livro, mas não chega a representar algo tão importante assim. O livro preza por simplicidade no enredo, sem a menor vergonha. Devo muito agradecer a esse respeito, aliás.

Avaliação:

Antes de tudo, devo informar que "As Quatro Estações" não foi uma série tão interessante assim. Li enquanto estive no vício dos romances de época e interessada no trabalho da autora (gostei muito de "Os Hathaways" e pensei nas leituras dos livros de Lisa Kleypas como um investimento seguro, por assim dizer). O primeiro livro não me interessou muito, mas acabei lendo o segundo e as coisas foram acontecendo. Mesmo quando saí do vício acabei continuando a leitura de maneira burocrática, e agora acho seguro dizer que esse foi um dos livros mais interessantes da série, pelo menos para mim.

O volume se concentra no desenvolvimento da relação entre os dois personagens. Tem um pouco de humor e também de simplicidade. Ok, existe um segredo - aliás alardeado na sinopse - mas estamos falando de algo menor e explorado somente bem mais tarde, perto do fim do livro. Isso dá ao casal um desenrolar de romance sem muito para atrapalhar. As amigas sequer fazem grandes aparições, mesmo em uma coleção cuja temática oferece (ou deveria oferecer) mais que o romance, mas também a amizade. E embora ação seja um componente quase sempre interessante em livros históricos, gostei muito da simplicidade da história.

Apesar disso fiquei um pouco decepcionada com o desenrolar do livro em geral. Esperava um pouco mais do pai de Daisy. Minha pressa em ler "Escândalos na Primavera" definitivamente não foi por ser uma fã da coleação, mas pelo que encontrei na amostra do primeiro capítulo do livro, disponível no terceiro volume da quadrilogia, onde o personagem foi explorado de uma forma interessante:
– Pensei que você desejaria ser útil para alguém – rugiu Bowman. Sempre fora da natureza dele combater a rebeldia com uma força esmagadora. – Pensei que desejaria um marido e um lar em vez de continuar vivendo como uma parasita.
Daisy se encolheu como se ele a tivesse estapeado.
– Não sou uma parasita.
– Não? Então me explique como o mundo se beneficiou com sua presença. O que você já fez para alguém?

Esperei mais nesse ponto. Talvez pai e filha se entendendo de alguma forma, talvez ele pedindo desculpas ou ao menos lamentasse pelas palavras ditas no início do livro.  Foi um pouco triste ver seu seu papel sendo não foi muito mais que reclamar e esbravejar. Eu teria ficado mais interessada caso algo diferente acontecesse nesse ponto. Ou ao menos que essa fala pudesse ser mais explorada no desenvolvimento de Daisy.

Outra coisa me incomodou: acabei perdendo brevemente a noção da época na qual a história se passava. Em um dado momento, é citado o ano de 1937 (quando a referência deveria ser o pânico de 1837). Já em outro temos a menção a um evento em comemoração aos 280 anos do nascimento de Shakespeare. Não é um erro de digitação capaz de incomodar um leitor acostumado a passar direto em certas coisas - normalmente sou assim, mas não foi o caso dessa vez.

Ainda tendo em mente minhas leituras dos trabalhos de Lisa Kleypas ainda gosto mais de "Os Hatthaways" pelo menos no quesito romance histórico. Não resenhei todos os livros de "As Quatro Estações" aqui no blog, mas durante a leitura da coleção senti que o humor não era o forte, soava muitas vezes forçado e cansativo como um todo, mas diante do cenário completo posso dizer que a quadrilogia teve um bom encerramento.

Três corujinhas, se for pensar em um panorama geral do livro.



Iniciando o Desafio Literário 2017 proposto pela Sybylla, acabei fuçando meu Kindle em busca de livros que se encaixassem nas categorias propostas. Foi quando me lembrei de “Precisamos de Novos Nomes” esperando pacientemente em meio a um monte de coleções no dispositivo. Hora perfeita para começar o desafio, não? Então acabei escolhendo essa obra para o quesito "livro com personagem não branco".


Sinopse:
NoViolet Bulawayo nasceu em 1981, no Zimbábue, e fez parte da primeira geração nascida depois da independência oficial do país. Sua infância se passou, portanto, sob um clima de confiança, estabilidade e esperança. Muito diferente do cenário em que vivem Darling, Bastard, Chipo, Godknows, Sbho e Stina, as crianças com nomes peculiares que figuram em Precisamos de novos nomes, seu romance de estreia.
Essas crianças a cada dia tentam fugir de Paraíso, o aglomerado de barracos de zinco onde elas e suas famílias vivem desde que suas antigas casas foram demolidas violentamente a mando do governo. As fugas são para perto, para Budapeste, o bairro vizinho onde roubam as goiabas do quintal das casas das famílias brancas e ricas, ou ainda com as brincadeiras que criam para se distrair do cotidiano entediante sem escola nem comida: fingem procurar Bin Laden para ganhar a recompensa do governo americano; criam um jogo em que os países mais poderosos invadem os países menores. As fugas acontecem também quando sentem um misto de vergonha e empolgação ao se aglomerarem ao redor dos carros das ongs que lhes trazem presentes e roupas inadequadas.
Mas é a vida de Darling, a protagonista-narradora, que o romance acompanha. A menina de dez anos que conhecemos em suas brincadeiras no Paraíso, sonha com o dia em que morará na América. Esse dia finalmente chega e Darling terá de enfrentar o frio, a saudade de sua família e de seus amigos e a adaptação nesse país que nunca vai se tornar o seu país de fato, mas que mudará seu sotaque, moldará o olhar do mundo e a afastará, irremediavelmente, de sua terra natal.
Precisamos de novos nomes é um romance de formação, cuja protagonista ao mesmo tempo precisa enfrentar as novidades da adolescência e da vida adulta que chega e se adaptar a uma terra onde sempre será estrangeira.
Os assassinatos políticos, o estupro, o charlatanismo de alguns religiosos, a aids, a fome, enfim, tudo aquilo que a imprensa ocidental reafirma a respeito dos países africanos estão neste livro, mas muito distintamente contada por uma voz ao mesmo tempo cruel e inocente, a voz de uma criança sensível, esperta e sonhadora.

O Livro:

Narrado em 1ª pessoa, o leitor contempla o mundo com os olhos de Darling, que começa a história com cerca de 10 anos. Seu cotidiano revela um cenário muito longe de uma infância idílica: em plena crise interna, seu país está a beira de um colapso, a pobreza é generalizada, tal como a violência: um companheiro indesejável, porém próximo em todos os sentidos. O ar chega a estar carregado e basta um mínimo ato para que todo o frágil equilíbrio se desfaça e o caos seja a única certeza.

Em meio a todo esse turbilhão, Darling e seus amigos roubam goiabas, procuram brincadeiras para passar o tempo e, de uma certa forma, esquecer o passado e o cenário de incertezas que os cercam, seja nos grandes acontecimentos ou mesmo nos atos de violência que parecem menores em comparação com o retrato desses tempos. Seus olhos contemplam tudo e narram de uma maneira tão crua e inocente que chega a ser desconcertante. Sabe a ideia da honestidade infantil a toda prova? É o que temos aqui.

O tempo passa e, com o colapso iminente tomando conta de seu país, a menina é enviada aos Estados Unidos para morar com a tia – o chamado "sonho americano", tão antigo e ainda tão atual. Uma vez que ela deixa o seu lar, podemos acompanhar seu crescimento. Sua voz narrativa amadurece aos poucos, bem como sua percepção de mundo. Com isso nos deparamos com alguns sentimentos típicos de imigrantes: pequenas peças que compõem um quebra-cabeças complexo, um cenário muito ambíguo: a diferença entre o sonho e a realidade, a saudade de casa e o sentimento de inadequação e de não pertencer a nenhum dos dois lugares. Ou seja: situações emocionalmente conflitantes somados ainda aos desafios já habituais de adolescência e juventude.

Avaliação:


Confesso que tive algumas dificuldades e precisei de algum tempo para pensar sobre o livro e também a respeito do que escreveria. A voz da infância de Darling é fácil de ler, e visualizar mesmo o que está nas entrelinhas. O problema é quando o seu tom começa a mudar a medida em que o tempo passa após sua chegada aos Estados Unidos. Não sobre sua adolescência, mas sua juventude, quando ela começa a discorrer mais sobre a saudade de casa, as diferenças culturais e o cotidiano de dificuldades de quem é imigrante ilegal, não apenas oriundo de países da África, mas também de outros locais, em especial falando da despersonalização e na invisibilidade ao qual essas pessoas se obrigam a viver para permanecer no que ela chama de prisão, nesse caso, uma prisão escolhida:


“Não voltávamos para nossa terra para visitar porque não tínhamos os documentos para nosso retorno, então fícavamos, sabendo que se fôssemos não poderíamos entrar de novo na América. Ficávamos, como prisioneiros, só que escolhemos ser prisioneiros e adorávamos nossa prisão; não era uma prisão ruim. E como as coisas só pioravam no nosso país, apertávamos ainda mais os nossos grilhões e dizíamos, Não vamos embora da América, não, não vamos embora”

O meu problema está longe de ser a escrita ou qualquer coisa nesse sentido. Meu desconforto foi sentir a voz da personagem soando tão envelhecida a ponto de fazer o leitor pensar em uma passagem brusca de tempo na qual Darling pudesse ter constituído família e até chegado a meia idade. Um tom que muda no capítulo seguinte e ganha mais jovialidade, sendo mais próximo da idade da personagem, destoando do que parecia ser a proposta. 

Não que essa parte do livro tenha sido ruim – longe disso, afinal muitas das reflexões mais interessantes sobre imigração e saudades de casa estavam ali – mas o capítulo parecia fora do lugar e fez a história perder a sensação de continuidade, quase transformando o livro em uma obra sobre pequenos relatos, algo parecido com contos, mas talvez organizado sem muito cuidado. Como se cortasse o clima e a atmosfera anterior. Por vezes o que veio depois disso soou arrastado e tedioso. Sobre esses trechos, cheguei a pensar que talvez os capítulos estivessem fora de ordem na criação do ebook. Para ser sincera, ainda sou capaz de crer nessa hipótese. 

Também tive alguns problemas com o final do livro, sobre o ponto no qual ele é interrompido. Foi algo abrupto e que fazia sentido para a história, embora obviamente isso não o torne menos desconfortável. Talvez outros recursos fossem mais interessantes nesse ponto.

Ok, não é um livro grande: menos de 300 páginas. Ele abarca vários itens sem grande profundidade - ato esse responsável pela maior parte das críticas sobre a obra no Goodreads. Mas pelo menos para mim a sua densidade é revelado de uma forma diferente. Denso na crueza, na honestidade, na inocência e na ingenuidade. É um livro sobre resiliência, saudades e referências. Também é um livro sobre sentimento de não pertencer, seja a América ou em sua própria terra natal e, acima de tudo, sobre recomeços.

Outro ponto importante: as temáticas soam tão próximas que é inevitável fazer a comparação com Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie. Evitar esse tipo de comparação injusta foi uma das minhas maiores dificuldades. Quem tentar fazer esse tipo de experiência sem dúvida considerará "Precisamos de Novos Nomes" como um livro ao qual falta profundidade, mas na prática temos elementos diferentes em jogo. Ifemelu era uma mulher feita, com experiência acadêmica e que um cenário com mais oportunidades, enquanto Darling teve a vida virada pelo avesso muito cedo, passando pelas experiências de uma maneira muito crua e intensa sem a mesma maturidade. Entende o quanto a comparação é injusta?

De qualquer modo terminei o livro pensando que Ifemelu e Darling poderiam ser boas amigas. Mesmo com muitas diferenças, cada uma com suas vivências, experiências e personalidades, tive a sensação de que elas se completam de alguma maneira.

Darling é uma personagem incrível em todos os sentidos, com seus conflitos e suas reflexões. Seu olhar sobre o mundo – seja o de Paraíso, Budapeste ou sobre a América – é capaz de fazer o leitor rir, sentir-se desconfortável e até mesmo ir as lágrimas. Isso me faz considerar a autora sendo muito habilidosa no uso da narrativa em 1ª pessoa, recurso do qual francamente não gosto. Isso é o suficiente para me fazer ter curiosidade em ler mais livros de NoViolet Bulawayo.

Pensando nos itens anteriores, talvez minha avaliação fosse de três corujas e meia, mas vou arredondar para quatro corujinhas e sem medo de ser feliz.


Já faz algum tempo que sinto uma certa curiosidade pelo trabalho de Elena Ferrante. Os volumes da tetralogia napolitana (ou sei lá como se chama) vem sendo muito comentados e elogiados entre leitores, sem contar ainda o mistério que envolveu sua identidade. Como eu tenho uma resolução pessoal de não me envolver em trilogias ou coleções sem que todos estejam publicados, acabei optando por um livro avulso e finalmente dar o pontapé inicial (infelizmente não tão bem sucedido assim, pelo menos no meu caso).



Sinopse:“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.” Com essa afirmação ao mesmo tempo simples e desconcertante Elena Ferrante logo alerta os leitores: preparem-se, pois verdades dolorosas estão prestes a ser reveladas.
Lançado originalmente em 2006 e ainda inédito no Brasil, o terceiro romance da autora que se consagrou por sua série napolitana acompanha os sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade, Leda, que, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide tirar férias no litoral sul da Itália. Logo nos primeiros dias na praia, ela volta toda a sua atenção para uma ruidosa família de napolitanos, em especial para Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena que sempre está acompanhada de sua boneca. Cercada pelos parentes autoritários e imersa nos cuidados com a filha, Nina parece perfeitamente à vontade no papel de mãe e faz Leda se lembrar de si mesma quando jovem e cheia de expectativas. A aproximação das duas, no entanto, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças da própria vida — e de segredos que ela nunca conseguiu revelar a ninguém.

O livro:

Escrito em 1ª pessoa, acompanhamos toda a trama pelo olhar de Leda, o que pode ser desconfortável para alguns leitores. As lembranças, percepções e inquietações da protagonista dificilmente são consideradas compreensíveis, em especial no tocante a ideia idílica de maternidade. 

Não que o livro aparente ser algo destinado a tocar no assunto da decepção com a qual muitas mulheres se deparam diante de um retrato diferente do comercial de margarina. Não é um livro que pretenda ter um toque feminista. É apenas o fato de que Leda não tem filtros. Ela buscava ser diferente, buscava ser independente e muitas vezes 'não se encaixava' nos papéis em que se envolveu, como o de esposa e mãe. Papéis que se revelaram como empecilhos para sua personalidade e seus desejos. Sua mente é revelada sem a menor cerimônia para o leitor. Ela é crua e brutalmente honesta a respeito de tudo. 

Seus pensamentos a respeito de suas filhas, as lembranças a respeito de sua família e seus atos são dissecados e desenvolvidos como se fossem considerações daquelas de todos os dias, a respeito de um livro ou um programa de TV. Isso torna muito fácil a ideia de citá-la como egocêntrica. Pega mal que você exponha certos pensamentos e isso a coloca diretamente na berlinda, em especial quando todas são desenvolvidas de maneira tão franca. Ou pior: quando seus pensamentos várias vezes se concretizaram em atos que muitos não perderiam tempo em condenar. 

Já a trama que a induz? A família que ela observa? Não rende muita coisa, pelo menos não mais que o pontapé para suas reflexões e alguns vôos de sua imaginação.

Avaliação:  

Francamente? Acabei decepcionada se pensar em um panorama geral. Gostei da escrita considerava a personagem intrigante e estava curiosa pelo desenrolar da história - mesmo não gostando do ponto de partida para a situação. O problema foi notar que não faltava muito para o fim do livro e as coisas ainda estavam naquele pé: foi o suficiente para me fazer perder as esperanças. O fim foi algo abrupto, sem muito sentido, sem qualquer resolução. Algo... WTF, talvez? 

Confesso que não entendi o hype que o livro teve sendo alvo de tantas resenhas elogiosas no Skoob. Gosto da escrita ágil e convidativa (aliás, convidativa o suficiente para continuar buscando mais trabalhos da autora), gosto da honestidade de Leda, e isso se contrapõe a minha decepção, equilibrando um pouco a balança na hora de avaliar. Eu me irritei muito com ela, mas não cheguei a odiar a personagem como muitos fizeram. De um certo modo pude ser grata pelo desconforto: a ideia de estar no lugar de outra pessoa e enxergar o mundo de uma maneira que pode não ter muito a ver com a sua pode ser enriquecedora (também é o que faz os livros enriquecedores, de uma certa forma). A ideia é interessante, mas o desenrolar do livro e o que deveria ser o atrativo não rendeu.

Três corujinhas e mais disposição para ler outros livros da autora, ok?


Sempre tive um certo interesses por livros sobre livros, e esse título especificamente estava bombando na minha lista de recomendações da Amazon e do Goodreads. Você resistiria a tantos sinais do destino? Eu não resisti, e assim "A Livraria Mágica" acabou na minha lista da Black Friday e, consequentemente, na minha estante.


Sinopse:
O livreiro parisiense Jean Perdu sabe exatamente que livro cada cliente deve ler para amenizar os sofrimentos da alma. Em seu barco-livraria, ele vende romances como se fossem remédios. Infelizmente, o único sofrimento que não consegue curar é o seu: a desilusão amorosa que o atormenta há 21 anos, desde que a bela Manon partiu enquanto ele dormia. Tudo o que ela deixou foi uma carta — que Perdu não teve coragem de ler. Até um determinado verão — o verão que muda tudo e que leva Monsieur Perdu a abandonar a casa na estreita rue Montagnard e a embarcar numa jornada que o levará ao coração da Provence e de volta ao mundo dos vivos. Sucesso de público e crítica, repleto de momentos deliciosos e salpicado com uma boa dose de aventura, A livraria mágica de Paris é uma carta de amor aos livros — perfeito para quem acredita no poder que as histórias têm de influenciar nossas vidas

O Livro

Narrado ora em 3º pessoa, ora na 1ª - através do diário de viagem de Manon - a escrita se dá de uma forma poética, focada em sensações e descrições e de desenvolvimento lento. Perdu, o protagonista vive preso em uma rotina que não exige muito esforço ou pensamento, focado sempre nos atos cotidianos e com poucas mudanças ou reflexões além daquelas exigidas por seu trabalho de farmacêutico literário. A indicação de livros como remédio faz com que ele se envolva nos problemas dos outros e dê conselhos aos demais, mas seus próprios problemas permanecem intocados. Seu barco-livraria e sua rotina representa segurança, uma bolha, mas nunca a possibilidade de um recomeço, uma vez que sua representação é de fuga, bem como sua rotina. Não pensar parece ser uma regra.

Esse limbo dura 21 anos, tempo no qual não lê a carta deixada por Manon ou sequer entra no quarto em que compartilhavam. As lembranças do abandono são tão frescas quanto no dia em que ela partiu e tudo que ele faz é remoê-las quando não consegue evitá-las. Não haveria nenhuma promessa de mudança até o dia em que uma nova vizinha chega ao prédio onde mora. Abandonada pelo marido, ela não dispõe de móveis ou objetos para casa e isso mobiliza a vizinhança para doação de itens. Ao disponibilizar um deles, Perdu se vê diante das lembranças que evitava e da tão temida carta, cuja leitura após tanto tempo o faz embarcar em seu barco-livraria em uma viagem de cura e descobertas. - pelo menos essa é a premissa.

É uma sinopse que chamaria minha atenção? Com certeza. Gosto desse tipo de coisa de 'abandono em prol da cura ou viagens de autodescoberta'. O livro cumpre o que promete? Bem, aí já é outro caso.

Avaliação:

Acho que não sei muito bem como descrever ou definir esse livro em poucas palavras. Não chega a ser uma decepção total, mas também está longe de ser uma alegria. Definitivamente não é algo que faça parte do meu top 20. Talvez a frase "a expectativa é a mãe das decepções" seja um bom indicativo da minha reação.

A respeito do livro posso dizer que demorei a terminar diante da minha frustração. Quase 20 dias entre o começo e o dia em que uma insônia me fez cumprir o desafio de fazer esse livro ser o último de 2016, mas bem que poderia ter se prolongado por mais tempo, talvez indefinidamente.

A história era muito parada, os personagens não tinham carisma e tudo que consegui durante muito tempo foi revirar os olhos diante de atos e palavras. Perdu me irritava profundamente, desde a incapacidade de lidar com sua perda até sua abordagem na barca-livraria. Os diários de Manon surgiam como se a autora escrevesse algo e quisesse encaixar em algum lugar, simples assim. Dava uma visão a respeito da personagem, mas poderia ser algo colocado de outra maneira, em outras ocasiões.

Certo, durante boa parte até a metade do livro tive vontade de jogá-lo pela janela, porém outros fatores além da "vontade-de-acabar-logo-com-isso" me fizeram continuar: a escrita era convidativa embora se esforçasse muito para ser bela e passar emoção, as referências literárias espalhadas aqui e ali pareciam interessantes, e alguns punhados de frases e parágrafos inspiradores para uma coisa ou outra nem que seja admiração e análise posterior. Itens que por fim garantiram um bom número de post its colados nas páginas, de modo que não posso exatamente reclamar do livro como sendo um desperdício do meu tempo.

A obra cumpre o que promete? Não, ao menos não no meu caso. Foi muito luto, muita enrolação para pouca livraria, pouca literatura e um cadinho só de mágica. Apesar disso não posso negar que encontrei outras coisas belíssimas, deixando minha opinião a respeito dele um pouco mais equilibrada.

Digamos que o livro poderia ter sido mais, muito mais. Infelizmente, ficou no meio do caminho. Três corujinhas tá de bom tamanho.

Peguei esse livro sem saber direito sobre o que se tratava. A sinopse me parecia promissora, mas nem sabia que tinha virado filme ou que tinha todo o rebuliço em cima por causa disso. Levei apenas um dia para terminar a leitura e admito que fiz mil suposições sobre o misterioso crime que aparece na trama.

Capa de A Garota no Trem

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Sinopse:
Um thriller psicológico que vai mudar para sempre a maneira como você observa a vida das pessoas ao seu redor.
Todas as manhãs, Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas dágua, pontes e aconchegantes casas.
Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes a quem chama de Jess e Jason , Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess na verdade Megan está desaparecida.
Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos. Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota No Trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.

O livro

Rachel Watson é alcoólatra e vê seus dias passarem de acordo com o vai e vem do trem, indo e voltando para o trabalho. Sua vida anda vazia e sem sentido desde o divórcio com Tom, tudo parece desmoronar, enquanto ela fantasia ao ver as pessoas em suas casas da janela do trem. Ela até tem um casal preferido, deu nomes a eles e inveja sua felicidade.

Sem medir as consequências de seus atos, Rachel bebe e bebe muito. As pessoas percebem, até seu marido, que não hesita em pedir o divórcio e ir morar com a amante, com quem tiveram uma filha. Isso por si só já joga Rachel em uma espiral de bebedeiras e viagens de trem constantes, além de sempre decepcionar a amiga com quem divide apartamento.

Tem momentos do livro em que você quer estapear Rachel para que ela acorde para a vida. Em outros, ficamos com pena e queremos abraçá-la e dizer que vai ficar tudo bem. Ela faz muita burrada, muita, depois não se lembra devido à amnésia alcoólica. Sua vida parece ganhar algum sentido quando ela percebe que a mulher que ela tanto invejava pela janela do trem está desaparecida e, tentando ajudar, ela vai à polícia.

O problema é que uma alcoólatra com histórico de desordem e problemas emocionais, acusada de invadir a casa do ex-marido não é uma testemunha muito confiável. E é assim que Rachel se envolve cada vez mais com o caso, ao perceber que ninguém lhe dará ouvidos.


Avaliação

O livro prende e prende bastante. É impossível não se identificar com algumas sensações, emoções e tristezas da protagonista Rachel, que mostra uma força inesperada perto do final do livro. Acho que o principal ensinamento aqui é que ninguém é o que parece ser e isso quase custa a vida dela. Personagens detestáveis e irritantes, situações perigosas e intrincadas que vão se revelando aos poucos conforme deciframos a mente de Rachel, que já vimos, pode não ser muito confiável.

A autora nos leva por esses caminhos tortuosos nos revelando os verdadeiros fatos sobre o desaparecimento de Megan e dividindo a narrativa entre três mulheres: Rachel, Megan (a mulher que ela via pela janela do trem) e Anna, a amante de seu ex-marido que acabou se casando com ele. A forma com que Paula nos leva pela vida de Rachel é primorosa e até um pouco triste, pois a forma como os outros a veem dá pena. E a maneira como Rachel se tortura, pensando em seu ex-marido e em sua vida perfeita e feliz acaba atingindo o leitor também.

Quem está precisando de um bom thriller psicológico e não pretende dormir tão cedo, pode pegar A Garota no Trem tranquilamente. Ele perde um pouco de ritmo e fica meio devagar em alguns momentos, mas não é algo que chega a atrapalhar a narrativa em si. Quatro corujinhas e uma recomendação para você ler também. ♥

Título original: The Girl on the Train
Editora: Intrínseca
Páginas: 378
Ano de lançamento: 2015

Sim, minha gente: Eu tenho uma certa atração por livros que falem sobre livros ou os coloquem no centro dos enredos. Sendo assim, não é nenhuma surpresa que "Ler, Viver e Amar em Los Angeles" esteja na minha lista de leitura. O problema é que não é de hoje que me dou mal com esse tipo de livro, e esse não foi uma exceção.
  

Sinopse:
Um romance que se inicia em uma livraria, e acaba apimentado por diversos dilemas.
Divorciada pela segunda vez, a vida de Dora se resume a ficar na banheira acompanhada de uma garrafa de vinho e muitos livros – de Tolstoi a Mark Twain, de Flaubert a Jane Austen.
Numa das idas à livraria para se reabastecer para o próximo “porre literário” ela conhece Fred, seu príncipe encantado: formado em Literatura, oferece a ela ideias inteligentes, romantismo e uma válvula de escape.
Mas a convivência com a família do namorado traz à tona sentimentos novos e a desperta para importantes decisões. Dividida entre Fred e o arrependido ex-marido, bem como entre o ócio e a retomada da vida profissional, a personagem nos proporciona uma história divertida, sexy e inteligente.
A heroína imperfeita Dora reflete a angústia da busca por realização e felicidade com que toda mulher irá se identificar.


O Livro:


Narrado em 1ª pessoa, acompanhamos o cotidiano de Dora, discorrendo a respeito de seus problemas, seu passado, sua vida financeira, seu divórcio e sua rotina. Ela não está exatamente em seu melhor momento, então o cenário para o porre literário parece perfeito como forma de enfrentar a situação. O esforço para voltar a trabalhar e um novo interesse romântico prometem agitar um pouco sua vida, assim como a companhia dos seus amados livros. E após um primeiro capítulo razoavelmente interessante, a qualidade vai dar uma volta, comprar um cigarro e não volta mais.

O livro faz diversas promessas, mas não chega a cumprir nenhuma delas. Os livros mesmo aparecem muito pouco, e geralmente de uma maneira na qual seus personagens - em especial a protagonista - usa para agir como a "pessoa elevada do rolê", destilando preconceito literário e esnobismo a respeito de autores e leitores que não se enquadram em seus altos padrões de qualidade. 

Falando em Dora, a sinopse promete uma personagem que "proporciona uma história divertida, sexy e inteligente", mas tudo que encontrei foi uma criatura insuportável e esnobe de carteirinha. Ela não tem o menor carisma ou educação. Aliás, isso vale tanto ela quanto Fred, seu interesse amoroso. De certa forma, dá para entender porque os dois se atraíram.

Avaliação: 


A escrita é fluida, mas a história simplesmente não acontece. A personagem é tão insuportável que, após o primeiro capítulo, foi desamor a primeira vista. Consegui detestar quase tudo e nem mesmo as poucas considerações a respeito de livros, autores e literatura foram capazes de despertar meu interesse. Acabei fazendo leitura dinâmica em alguns trechos - em especial os de sexo - e terminando o livro somente por obrigação, em uma tentativa de sentir que não perdi totalmente meu tempo e dinheiro. Um horror. Posso classificar esse como uma das piores leituras que já fiz.

Uma corujinha e olhe lá. Talvez meia coruja fosse uma nota mais adequada. Com certeza seria uma nota mais justa.


Quando notei que "O Diário Secreto de Lizzie Bennet" ganhou uma continuação, imediatamente coloquei o novo título na minha lista de desejos. Afinal, sendo uma fã da obra de Jane Austen, eu não deixaria essa oportunidade de lado. Tudo isso mesmo o foco sendo uma personagem que, até então, me dava náusea mesmo por uma simples menção.



Sinopse:
Continuação de O diário secreto de Lizzie Bennet, a adaptação moderna de Orgulho e preconceito Baseado na premiada série de web The Lizzie Bennet Diaries — uma adaptação moderna e transmídia de Orgulho e preconceito —, este livro é estrelado por Lydia, a espevitada irmã de Lizzie, conforme ela encara as alegrias e os tropeços no caminho de se tornar adulta na era digital. Antes de Lizzie começar seu popular vlog, Lydia era apenas uma garota normal tramando maneiras de matar aula e criar a identidade falsa perfeita para entrar nas baladas. Talvez ela não tivesse muito foco, mas amava sua família e se divertia para valer. Até que o vlog de Lizzie transformou as irmãs Bennet em sensações da internet, e Lydia adorou virar o centro das atenções, conforme as pessoas assistiam, debatiam, postavam no Twitter, no Tumblr e em blogs sobre a vida dela. Mas então Lydia aprendeu que nem toda atenção é positiva... Depois que seu ex-namorado, George Wickham, aproveitou a fama recém¬adquirida de Lydia, traiu sua confiança e destruiu sua reputação, ela não é mais uma garota ingênua e despreocupada. Agora, Lydia terá de batalhar para reconquistar a confiança e o respeito de sua família e encontrar seu lugar no mundo. Narrado na voz inconfundível e cativante de Lydia, este livro começa exatamente no ponto em que O diário secreto de Lizzie Bennet parou e oferece uma nova abordagem a Orgulho e Preconceito. Apresentando reviravoltas originais, novos personagens incríveis e textos hilariantes, As épicas aventuras de Lydia Bennet leva o leitor para dentro da vida de nossas irmãs favoritas, de um jeito que certamente vai agradar quem já é fã da série — e de Jane Austen de modo geral — e encantar novos leitores.

O Livro:


Se o imaginário popular tem Lydia Bennet como uma garota mimada e absolutamente insuportável, a adaptação moderna do universo de Jane Austen trata de dar a personagem um pouco mais de espaço. Isso significa dar mais atenção aos desdobramentos dos problemas que a presença de Wickham causou em sua vida. Se em "Orgulho e Preconceito" ela sequer sofreu qualquer espécie de incerteza e mal se deu conta do que arriscou, em "As Épicas Aventuras de Lydia Bennet" a situação é outra. A ideia é menos ingenuidade e mais maturidade já que os atos de seu ex-namorado acabaram por lhe trazer consequências duradouras e também públicas. Na obra original de Austen, a situação foi consertada por Darcy sem grandes problemas, mas não é o caso aqui. Todos ficaram sabendo do que aconteceu, e sua exposição - ainda que não chegasse ao cúmulo - tornou sua situação pública. 

Neste livro ela pensa no que aconteceu, na forma como Wickham traiu sua confiança da pior maneira possível e no quanto ela quer e precisa amadurecer, seja para reconquistar a confiança de sua família quanto por si mesma. Sua voz narrativa evoluindo a medida que encontra os obstáculos e planeja novos passos, esbarrando em velhos hábitos e comportamentos, seguindo aos trancos e barrancos, mas sempre com o desejo de evoluir e conquistar seu caminho. (Não, não chega a ser um spoiler, minha gente).

Avaliação


Narrado em 1ª pessoa, tal como o "Diário Secreto de Lydia Bennet, o livro é leve, fluído e bem escrito, sendo capaz de proporcionar uma nova faceta de uma personagem que até então estava no meu Top 5 pessoal de "mais odiados de todos os tempos". Isso tornou a história uma surpresa bastante agradável. Talvez a Lydia escrita por Austen não tivesse chance de mostrar alguma evolução, mas o mesmo não acontece em sua versão atual.

Claro, devo dizer que o livro também não chega a ser perfeito. Esperei um pouco mais no seu desenvolvimento com relação aos acontecimentos descritos (a viagem para Nova York, caso prefira que eu seja mais específica), e sua relação com personagens importantes surgidos dessas ocasiões. Em alguns momentos senti como se algumas peças do quebra-cabeças não se encaixassem da forma como deveriam, a sensação de que alguns detalhes ficaram para trás - ainda que não fossem vitais para o desenvolvimento da história. Foi algo estranho, mas nada que atrapalhasse a leitura.  

O resultado? Quatro corujinhas fofas e a conclusão de que posso olhar para Lydia Bennet com um pouco mais de carinho afinal.


Um dos meus assuntos preferidos para leitura nos últimos tempos com certeza é a Coréia do Norte. Por isso mesmo me senti sortuda ao descobrir esse livro. Ele prometia matar uma curiosidade que eu já nutria há algum tempo e isso me fez criar muitas expectativas. O problema? A expectativa é a mãe da decepção, e o resultado não foi diferente.


Sinopse:
Em inusitada viagem à Coreia do Norte, o escritor José Luís Peixoto descobre as principais cidades e atrações do país em meio aos cânticos, estátuas e obeliscos do regime mais fechado do mundo. Em 2012, o governo norte-coreano realizou grandes celebrações pelo centenário do falecido ditador Kim Il-sung, pai do regime comunista que controla o país desde 1948. Nessa ocasião excepcional, um grupo de turistas ocidentais obteve autorização para viajar durante duas semanas num roteiro que incluiu a capital, Pyongyang, e diversos lugares raramente visitados por estrangeiros. A possibilidade de conhecer a vida cotidiana dos norte-coreanos estimulou uma antiga curiosidade do escritor português José Luís Peixoto. Radicalmente contrário a qualquer governo ditatorial, Peixoto mesmo assim embarcou na excursão, pomposamente batizada The Kim Il-sung 100th Birthday Ultimate Mega Tour, para ver e sentir de perto esse país banido do convívio internacional por sua insistência em fabricar armas nucleares. O resultado de suas experiências como turista na Coreia do Norte é este livro híbrido de relato de viagem e realismo mágico. Imerso no alucinatório culto à personalidade que domina todos os aspectos da cultura norte-coreana, Peixoto viajou pelo país sob a vigilância sorridente dos guias e dos retratos oficiais. Um clima de pesadelo, que contrasta com o discurso triunfalista das autoridades, é o pano de fundo deste percurso fantástico pela distopia inventada por uma caricata dinastia de tiranos.

O livro


Narrado em 1º pessoa, temos aqui algo que pode ser considerado algo parecido com um relato normal de viagens. O atrativo, é claro, fica por conta do fato de não estarmos falando em um lugar comum, mas sim um dos países mais fechados do mundo. Isso significa que tudo - ou praticamente tudo - que diga respeito a sua estadia diz respeito a uma percepção absolutamente filtrada e dependente do olhar hiper vigilante de outras pessoas: por onde anda, o que você vê, come, fala e ouve. Uma experiência de redoma, por assim dizer, com muitas regras a seguir em troca daquilo que se considera um privilégio e na qual as menores coisas podem significar infrações, e isso vem desde o início:


O papel da alfândega tinha uma lista de artigos proibidos. Se levasse algum na bagagem, devia assinalá-lo com uma cruz. Esse era o caso das armas, munições ou explosivos, mas também dos aparelhos de navegação e GPS, dos telemóveis e de qualquer meio de comunicação; não se podia levar drogas, narcóticos e venenos, mas também era interdito levar obras históricas, culturais e artísticas. Não era permitido entrar no país com qualquer tipo de material impresso.

A partir daí temos acesso a visão do autor a respeito da sua estadia, das coisas que viu e experimentou, da visão filtrada, do culto ao Grande Líder e as idiossincrasias das proibições e vigilância do regime. Além disso, também oferece vislumbres de miudezas cotidianas. Aliás, ele passa muito tempo falando na miudeza das miudezas, o que torna muitas vezes a leitura algo muito arrastada.

Avaliação


Bom, eu mencionei que a expectativa é a mãe da decepção, não é? Então está na hora de explicar a razão desse comentário: nesse meio tempo li diversos livros a respeito da Coréia do Norte, e cada um deles trouxe uma informação nova. O problema é que "Dentro do Segredo" não me ofereceu praticamente nada, salvo algumas curiosidades aqui e ali. A leitura não teve nenhum significado pra mim, talvez um efeito esperado depois de ter passado por outros livros sobre o lugar. 

No fim, o que mais me marcou a respeito do livro foi a persistência necessária para encerrá-lo, já que a leitura foi bastante arrastada. Era promissor, mas tudo foi muito concentrado nos atos dele, muito no relato da miudeza das miudezas e em divagações broxantes desanimadoras. Eu poderia ter abandonado a leitura? Claro, mas não o fiz pois demorei para conseguir o livro. Não queria desperdiçar esse tempo e esforço.

Talvez seja uma boa leitura para quem está começando a se interessar pelo assunto, mas provavelmente não é uma boa para quem se interessa por algo mais. Duas corujinhas e olhe lá.


Eu sou uma grande fã de romances históricos. Geralmente eu falo só de ficção científica, né? Mas romances históricos me cativam e Os Príncipes da Irlanda é um daqueles épicos romances, que atravessa gerações. O mais legal do livro é que a personagem principal é a cidade de Dublin.

Os Príncipes da Irlanda


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Sinopse:
O autor examina o conturbado passado da Irlanda, desde os primórdios de sua fundação, passando pela invasão viking, até a Reforma. Rutherfurd cobre os 11 séculos iniciais do país, com personagens fictícios que, perfeitamente ajustados aos relatos reais estudados em profusão pelo autor, trazem ao leitor brasileiro o universo histórico daquelas terras tão enigmáticas. A obra compõe o primeiro volume da saga Dublin e tem como ponto de vista as pessoas daquela cidade.

O livro

A saga de Dublin começa antes da chegada de São Patrício, que catequizou a Irlanda, antes da chegada das tribos celtas. A região onde hoje fica Dublin era um delta lamacento que desaguava no mar da Irlanda. A região era conhecida com Dubh Linn. Temos um casal, o príncipe Conall e a camponesa Deirdre, que viviam na época dos reis de Tara e que, provavelmente, deram origem à lenda celta do deus Cuchulainn.

O autor coloca personagens fictícios em situações que aconteceram ou que podem ter acontecido. Através dos olhos de diversos personagens, interligados em uma delicada genealogia, vemos as mudanças acontecendo no delta de Dubh Linn. O começo pode ser bastante violento, pois as tribos praticavam sacrifícios humanos nos festivais pagãos; em seguida tem a invasão viking, que inaugurou um novo período na região de Dubh Linn, antes da chegada de São Patrício.

História e mitologia estão intrinsecamente ligados às trajetórias de sete famílias, ao longo de vários séculos, os Ui Fergusa e O’Byrne; os Smith; os MacGowan; os Harold; os Doyle; os Walsh e os Tidy. Cada novo capítulo histórico da Irlanda inaugura também um narrativa de cada família. O autor foi especialmente detalhista no capítulo sobre Brian Boru, o Grande Rei de Toda a Irlanda (Árd Righ Gaidel Éirinn), sendo que após sua morte em uma batalha contra os Vikings, a ilha nunca mais esteve sob o domínio de um único monarca. Aliás, toda a parte sobre a invasão viking mostra a tensão de viver sob o julgo de estrangeiros, os movimentos de resistência e os oportunistas, que conseguiram lucrar com a situação.

O livro chega até o século XVI da história irlandesa, com Silken Thomas, importante figura histórica que fez o rei inglês prestar mais atenção às questões irlandesas, que acabou levando à criação do Reino da Irlanda, em 1542.

Avaliação

Esta não é só uma obra de romance histórico. É uma aula de história em si, pois a invasão viking, a chegada de São Patrício, a unificação da Irlanda por Brian Boru, os conflitos com os ingleses, todos os fatos históricos realmente aconteceram. Nós os vemos através de personagens fictícios, mas os eventos são reais, e as consequências do capítulo anterior conduzem ao capítulo seguinte. Transformar a Irlanda e, em especial, a cidade de Dublin em uma personagem, foi uma ideia genial.

O livro também tem mapas, que mostram a ilha em si, o assentamento original de Dubh Linn e a Dublin medieval. Eu como boa geógrafa que sou, apoio mapas em livros e este, que tem a cidade como protagonista, não podia deixar de ter. A narrativa perde um pouco de ritmo do meio para o final, em algumas páginas ele se arrasta mesmo, mas vale à pena continuar.

Título original: Dublin Foundation
Coleção: A Saga de Dublin Livro I
Editora: Record
Páginas: 700
Ano de lançamento: 1ª edição 2006

Este é o primeiro livro da saga; o próximo é O Despertar da Irlanda, que continua a saga a partir do século XVI. Se você é fã de romances históricos como eu, vai curtir muito este livro. Quatro corujas para Dubh Linn e sua conturbada história e uma recomendação para você ler também.


Até mais!
Eu vi o filme Histórias Cruzadas por causa de Viola Davis. Achei um filme bom, me fez chorar, adoro a Viola. Aí eu peguei o livro A Resposta para ler. Queria dar um tempo na ficção científica e aquele livro vinha me olhando do livreiro fazia tempo. Como eu já conhecia a história do filme, o livro me intimidava. Taí a palavra certa. Não sei bem o que vai ser dessa resenha...

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Sinopse:
Uma história de otimismo ambientada no Mississippi em 1962, durante a gestação do movimento dos direitos civis nos EUA.

Eugenia Skeeter Phelan acabou de se graduar na faculdade e está ansiosa para tornar-se escritora, mas encontra a resistência da mãe, que quer vê-la casada. Porém, o único emprego que consegue é como colunista de dicas domésticas do jornal local. É assim que ela se aproxima de Aibellen, a empregada de uma de suas amigas. Em contanto com ela, Skeeter começa a se lembrar da negra que a criou e, aconselhada a escrever sobre o que a incomoda, tem uma ideia perigosa: escrever um livro em que empregadas domésticas negras relatam o seu relacionamento com patroas brancas.

Mesmo com receio de prováveis retaliações, ela consegue a ajuda de Aibileen, empregada que já ajudou a criar 17 crianças brancas, mas chora a perda do próprio filho, e Minny, cozinheira de mão cheia que, por não levar desaforo para casa, já esteve por diversas vezes desempregada após bater boca com suas patroas. Uma história emocionante e estarrecedora onde a cor da pele das pessoas determina toda a sua vida. Um livro que, devido ao seu tema, chegou a ser recusado por quase sessenta editoras antes de ser publicado.

(Skoob)

O livro

O livro é narrado pelo ponto de vista de três personagens: Minny, uma empregada negra que é conhecida por ser uma excelente cozinheira, sempre falar demais e que perdeu o emprego diversas vezes por causa disso; Aibileen também negra, que já cuidou de dezessete crianças brancas e Skeeter, branca, que acabou de voltar da faculdade e que quer ser escritora. Todas elas vivem em Jackson, Mississippi, nos anos 60, uma época de profunda segregação racial.

As três parecem parceiras improváveis, especialmente porque Skeeter é branca, convive com as mulheres da sociedade de Jackson, enquanto as empregadas negras são relegadas a situações humilhantes e degradantes, sem salário mínimo e sem direito ao serviço social. Têm jornadas penosas, não podem usar o banheiro das casas onde trabalham, são vistas com desconfiança por patrões racistas. Precisam usar um banheiro pequeno e abafado na garagem porque são vistas como "sujas e transmissoras de doenças" (!).

Skeeter sonha em ser escritora, mas tudo o que consegue é um emprego no jornal local, escrevendo a coluna de limpeza e cuidados domésticos. Como não entende disso, acaba pedindo a ajuda de Aibileen, que lhe passa todas as dicas e soluções caseiras para uma série de problemas, como manchas na roupa, nos móveis. Aí, depois de receber um conselho de uma editora de Nova York, ela tem a grande ideia que norteia todo o livro: escrever um livro sob a perspectiva das empregadas e de como elas viam a sociedade de Jackson.

O que me faz lembrar de uma coisa em que não quero pensar: que a dona Leefolt tá construindo um banheiro pra mim porque acha que eu tenho doenças. E a dona Skeeter me pergunta se eu não quero mudar as coisas, como se mudar Jackson, Mississippi, fosse o mesmo que trocar uma lâmpada.

(Aibileen)

Skeeter, por sua vez, não esperava se confrontar com tantos privilégios que ela mesma nunca enxergou e do racismo que comete, mesmo que sem querer ou perceber, como quando ela sugere que a Aibileen vá até a biblioteca pública para retirar livros e Aibileen a lembra que negros não podem entrar lá. O projeto começa como um mero livro com várias biografias, mas ela não entende, em princípio, porque Aibileen não pode ser vista conversando com ela, nem recebendo-a em casa. Aquela era uma época em que um negro poderia ser morto ou espancado na rua apenas por estar ali. Ela não entende a raiva de Minny, que é sempre curta e grossa em suas observações. Na primeira vez que Aibileen conversa com Skeeter, ela passa mal e vomita. Cena que não está no filme.

Praticamente todas as personagens brancas são racistas, incluindo Skeeter. Skeeter começa a perceber seus próprios erros e tenta se policiar, aprendendo com Minny, com Aibileen e com as outras empregadas que se dispõem a ajudar. Mas nem tudo são flores. Uma das empregadas diz para Skeeter que ela é odiada e que seu projeto é só um engodo. Skeeter teme por todas as mulheres que estão contribuindo para o projeto, pois ela sabe que sua cor não é problema. O máximo que acontece com ela é ser excluída da sociedade de Jackson. Já para as negras, a morte, o espancamento, o despejo, a demissão, são presenças frequentes.

Histórias furiosas brotam, de homens brancos que tentaram tocá-las. Winnie conta que foi forçada inúmeras vezes. Cleontine disse que se debateu até tirar sangue do rosto do agressor, e que ele nunca mais tentou. Mas a dicotomia de amor e desprezo vivendo lado a lado é o que me surpreende. A maioria é convidada para o casamento das crianças brancas, mas só se for de uniforme. Essas coisas eu já sei; no entanto, ouvi-las da boca da pessoa de cor é como ouvi-las pela primeira vez.

(Skeeter)

Cena do filme Histórias Cruzadas. Minny, Aibileen e Skeeter.

Avaliação

Viola Davis foi muito criticada por ter protagonizado a empregada Aibileen. Uma atriz de sua importância e de seu talento, interpretando uma empregada em uma época de intensa segregação parecia ser algo indigno dela, que ela estava perpetuando um estereótipo clichê demais. Em uma entrevista, Viola conta que sua avó foi empregada em fazendas de algodão no sul, que sua mãe foi empregada por muitos anos e que conversou muito com sua mãe para poder dar vida a Aibileen.

Você só está reduzido a um clichê se você não humanizar um personagem. (...) Eu a vi em uma jornada. Eu a vi tendo humor, coragem e inteligência. Eu a vi numa dualidade. E é isso o que eu procurei acima de tudo. Porque, geralmente, é isso o que está faltando.

Viola Davis

A autora Kathryn Stockett também recebeu várias críticas, de tentar fazer o livro ser sobre segregação racial, sobre personagens negras e de ser mais uma branca tentando escrever sobre personagens negros e tornando-se um best-seller. Há vários pontos válidos aqui. Quando um negro escreve um livro sobre o assunto, ele dificilmente vira best-seller, mas uma branca vira. De repente, todos a ouvem. Mas o livro não é sobre a segregação racial nos anos 60. São três mulheres que decidiram escrever um livro. Vamos de uma narrativa para a outra, vendo o ponto de vista de cada uma. E temos muitos assuntos sendo tratados:

  • violência doméstica
  • supremacia branca
  • violência de gênero
  • racismo
  • falta de empregos para mulheres

A autora coloca no final:

(...) não pretendo pensar que sei como era ser uma mulher negra no Mississippi, sobretudo nos anos 1960. Acho que é algo que uma mulher branca que paga o salário de uma mulher negra jamais poderá entender completamente. Mas tentar entender é vital para a nossa humanidade.

O livro é isso: uma tentativa de uma mulher branca de contar uma história. E ela conseguiu, o livro é bom. Mas também é sobre uma mulher branca enfrentando seus privilégios por ser branca em uma sociedade profundamente racista. O filme deixou de fora muitos aspectos profundos de Aibileen e de Minny e de todas as outras empregadas do livro e sei que a autora apenas arranhou as questões de segregação, porque não era esse o assunto do livro. Assim como Toda a Luz Que Não Podemos Ver não é um livro sobre a Segunda Guerra Mundial.


No mais, sei que ter gostado do livro e ter me emocionado com ele também envolve meus privilégios enquanto branca. Privilégios esses que, assim como Skeeter, eu preciso ver, porque privilégios são transparentes. E preciso desconstruir o meu racismo todos os dias. Nós crescemos nessa sociedade que não é tão diferente daquela que vemos em Jackson, Mississippi. Se Skeeter aprendeu algo com os depoimentos que recebeu, a gente também pode aprender. Quatro corujas para o livro.

Título original: The Help
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 573
Ano de lançamento: 2012

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Amor pelos livros, admiração pela cultura inútil e tendências ao burnout.

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