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A Garota da Biblioteca

O livro deste post é especialmente para as noivinhas de plantão. Você já ouviu falar em "O momento mágico", de Jeffrey Zaslow?


Título: O momento Mágico (The Magic Room)
Autor: Jeffrey Zaslow
Editora: Novo Conceito - 320 páginas.
Em uma cidadezinha, a 100 quilômetros de Detroit, há uma loja antiga com mais de 78 anos que se tornou um ícone em roupas para casamento e vestidos de noiva. Por ali já passaram mais de cem mil moças: noivas, mães e madrinhas. Seus vestidos vão além de roupas elegantes para mais uma cerimônia: eles representam, no imaginário das noivas e de seus pais, a garantia de uma noite de princesa, um símbolo do "felizes para sempre". Para estas moças este lugar é certamente uma linha divisória: de um lado está a fé no amor e no romance, e do outro, a ingenuidade e o medo. Da substâncias desses sentimentos contraditórios, Jeffrey Zaslow selecionou histórias que as vezes nos fazem rir, às vezes nos partem o coração, mas que oferecem um panorama do que é o casamento e do que as famílias ensinam às suas filhas sobre amor e compromisso.

Bom, uma promessa e tanto para as que estão com um pé no altar. Não é o meu caso, mas o que me interessou na obra foi a história do local em si e da promessa de beleza nas histórias de lá, sem contar o fato de o autor ser um jornalista. E lá fui eu em direção ao livro ansiosa e disposta a catar a versão digital (R$ 18,99 na Amazon).

O que encontrei soou bem interessante mas não em todos os níveis que eu esperava. Em primeiro: a loja é mesmo muito interessante. Sua formação, o início até os dias atuais, as ideias que transformaram o local no que é hoje é bem legal. A história de algumas noivas também é linda, mas nem todas são interessantes. Em algumas delas eu queria era mais jogar o Kindle longe, coisa que God sabe que não posso fazer porque a bodega custa caro.

Explicando melhor: o fato é que não sou alguém que tem "aquela ideia" de casamento ou sonhe em estar em um vestido de noiva para aquele que promete ser o dia mais importante da vida. Sequer sou lá muito romântica. Minha ideia a respeito de casamento é a mais prática possível portanto os sonhos das noivas e toda a preocupação maluca de fazer uma grande cerimônia e uma super festa simplesmente não entra na minha cabeça. Ou seja, não tive empatia pela maior parte das personagens. Não sou parte do público-alvo ao qual se destina o livro.

Não posso falar muito a respeito dos aspectos gráficos do livro, afinal li o e-book. Sobre ele, aliás posso falar bastante. Quem puder, fuja da edição digital deste livro a menos que tenha um tablet visto que ele possui muitas fotos, portanto é interessante vê-las coloridas. Em suma: se você está para casar ou ainda somente sonha com o casamento, esse livro pode ser uma boa pedida.

Alguns livros são difíceis de ler. E não estou falando de livros ruins. Estou me referindo a obras boas, mas que trazem em suas páginas algumas verdades e situações difíceis de digerir e enfrentar. É sobre uma dessas pérolas literárias que vamos falar agora: Perdão, Leonard Peacock.

Título: Perdão, Leonard Peacock (Forgive-me, Leonard Peacock)
Autor: Matthew Quick
Editora: Intríseca - 224 páginas.
Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinado à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem aos poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia, Leonard estará morto. 


Sinopse tensa, não é? Bem diferente do livro bestseller de seu autor. Afinal provavelmente todo mundo conhece Matthew Quick pelo livro "O lado bom da Vida", que tinha uma pegada bem mais cômica. Eu li o antecessor de "Perdão, Leonard Peackock" e sinceramente não gostei. Rolou até uma risada ou outra, mas não me interessei nem mesmo em escrever algo sobre. Mas tudo bem, dei uma segunda chance ao autor, afinal uma carreira literária não é feita somente de best-sellers. Não me arrependi: valeu muito a pena ter arriscado.

Como mencionei lá em cima, é uma obra cheia de momentos difíceis de enfrentar, de verdades que são bem difíceis de engolir. O cotidiano de Leonard não é nada fácil. Para o leitor que tenha o mínimo de empatia, é bem simples sentir a dor e a tristeza dele. O livro é tocante e comovente ao extremo e tudo isso sem cair na pieguice. O texto e a narrativa são muito atraentes e é impossível não ser atraído para a mente do protagonista e entender o que o leva a um momento tão extremo: toda a tristeza, as humilhações, os pequenos gestos de abuso e negligência. 

É um livro que fala sobre pessoas, pequenas segundas chances e todos os gestos que impulsionam para os diferentes rumos da vida, seja ela a loucura ou a reinvenção. Com isso, esse livro foi para a minha lista de preferidos de todos os tempos. 

Se tiver a oportunidade, leia. É um dos maiores achados da literatura recente. E cinco corujas é pouco para classificar o que senti por esse livro.


E eis aqui mais uma das minhas leituras deste ano. Não que seja a mais recente, mas como sempre, foi aquela pela qual me interessei de imediato em escrever uma resenha. Ok, não tão de imediato assim, já que li 11 livros depois dele ("Vale das Bonecas" inclusive foi o que li logo depois deste), mas tudo bem, você deve ter entendido o que quero dizer.

Bom, antes de mais nada, vamos falar no escolhido: Mel e Amêndoas, de Maha Akhtar.

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Livro: Mel e Amêndoas (Miel y Almendras)
Autor: Maha Akhtar
Editora: Planeta do Brasil - 448 páginas.
O destino e as histórias de seis mulheres acabam se cruzando em um salão de beleza em Beirute, e elas compartilham momentos de solidão, felicidade, medo e frustração. Esse é o pano de fundo de “Mel e Amêndoas”, novo livro da jornalista Maha Akhtar. Mouna Al-Husseini, a atrevida proprietária do salão Cleópatra, luta para sobreviver com o pouco dinheiro que ganha, além de ter de aguentar a rispidez de sua mãe, que a repreende por nunca ter se casado. Já Amal, sua tímida assistente, mantém um segredo a sete chaves. Do outro lado do balcão, suas novas clientes desenvolvem um sentimento de profunda amizade, apesar de suas diferentes procedências sociais, religiosas e culturais: Imaan Sayah, uma importante diplomata libanesa, Nina Abboud, vítima da guerra que ainda não conheceu o verdadeiro amor, Lailah Hayek, uma ex-Miss Líbano infeliz no casamento, e Nadine Safi, esposa de um ex-embaixador e dona de uma calorosa personalidade. Essa narrativa sensível e envolvente, cheia de personagens femininas cativantes e histórias paralelas, leva-nos a caminhar pelas exóticas ruas de Beirute e sentir seus aromas, seus personagens e seus conflitos.

Antes de começar a resenha em si devo avisar: falar desse livro traz para mim um misto de sensações, que infelizmente não são lá muito agradáveis. E vou explicar a razão. Desde o momento em que descobri a existência desta obra, fiquei interessada de imediato. 'Mel e Amêndoas" logo de início tinha tudo para ser uma leitura especial:

  1. Porque gosto de livros que falem sobre vida de mulheres. (ainda mais quando são mulheres fortes)
  2. Porque gosto de livros que falem sobre mulheres do Oriente Médio. (quase sempre é uma narrativa forte, seja ficção ou não)
  3. Porque a autora é jornalista.

Ou seja, era um prato cheio para alguém com os meus gostos.

Bom, devo dizer que fui frustrada em algum momento. Ou em tantos momentos que nem sei dizer. Para ser franca, "Mel e Amêndoas" foi o pior livro que li este ano e, quiçá, um dos piores que já li na vida.

Antes de qualquer coisa: é um livro lento, que fala sobre amizade e também (de alguma forma) sobre o papel da mulher, com vários obstáculos possíveis seja no universo ficcional ou real, ainda mais levando em consideração o local onde a ação se passa. E olha que já li muitos livros sobre mulheres e ainda mais sobre mulheres do mundo árabe. Sempre foi um universo que me cativou, portanto não sofro de falta de bagagem no assunto. Ficcional ou não, as personagens são desinteressantes (a única que me causou algum interesse foi justamente Mouna, e ainda assim me decepcionei com ela). Elas foram escritas e mostradas de maneira boba e preguiçosa, cuja escrita não ajudou em nada. Uma perspectiva que não é nada boa tendo em vista a forma que a narrativa é desenvolvida.

O livro é narrado em 3º pessoa, no tipo que chamam de narrador observador. Não é o tipo de narrativa mais simples, mas normalmente é o que mais me agrada. O problema é que a autora conseguiu tornar o livro fraco, nada cativante e incompleto em vários setores, sem contar a "ação" que passa de um núcleo para outro várias vezes sem a menor nexo ou coerência. Para dizer a verdade, me senti como se estivesse lendo uma fanfic mal escrita, ou um pdf mal traduzido ao invés de uma obra literária. Além disso, "Mel e Amêndoas" tem o fim mais preguiçoso que já li na minha vida (não, isso não é um spoiler).

Em suma: uma decepção tremenda. O desperdício de R$ 44,90 porque eu tenho a edição física. Na ânsia de ler o livro, fiquei meses esperando pela versão ebook que só saiu há pouco tempo. Antes eu tivesse esperado mais, pois provavelmente teria R$ 15 a menos de prejuízo.

Enfim, decepções são inevitáveis na vida de um leitor. E esse livro vale uma coruja e olhe lá.

Nos meses em que estive ausente eu me envolvi com muitos livros. Neste meio tempo em que não escrevi uma postagem sequer, meu perfil no Skoob exibiu a marca de mais de cem livros lidos em 2013. Eu poderia escrever então sobre muita coisa, mas resolvi discorrer da minha leitura mais recente: “O Vale das Bonecas.”

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O Vale das Bonecas:Autora: Jacqueline Susann
Editora: Record | 512 páginas
"Anne, Neely e Jennifer têm um sonho em comum: o sucesso no showbiz. As três se conhecem em Nova York e se tornam amigas. Circulando pelos bastidores nem sempre glamourosos do mundo dos espetáculos, elas compartilham os mesmos objetivos, decepções e um apetite voraz por pílulas estimulantes, que ingerem com fartas doses de uísque. Qualquer semelhança é realmente mera coincidência com a vida de quase-estrela da Broadway de Susan nos anos 50. Mesmo sendo o romance mais característico dos anos 60 O VALE DAS BONECAS parece ter previsto os movimentos pós-punk e pós-feministas dos anos 90. Foi adaptado para o cinema em 1967 com Sharon Tate, Patty Duke e Barbara Parkins nos papéis principais e mesmo com o passar do tempo, não perdeu o frescor. Jacqueline Susan deixou sua cidade natal, Philadelphia, aos 18 anos, partindo para Nova York onde viveu como atriz por muitos anos. Contudo, foi o sucesso de suas três novelas O vale das bonecas, A máquina do amor e Uma vez só é pouco que a transformaram em uma verdadeira superstar. Susan, que morreu em 1974, foi casada com o produtor Irving Mansfield."

Trata-se de um clássico da literatura americana, que fez muito barulho quando foi lançado e apontado como um dos livros que mais vendeu no mundo. Não posso discorrer a respeito da veracidade desta estatística, mas na prática posso dizer o que se isso for verdade, dá para entender a razão de tanto burburinho.

Posso dizer que inicialmente enrolei eras com a leitura deste livro. Ler pdf em um e-reader é uma das coisas mais penosas do mundo e a letra ficava muito pequena. Já tinha feito muitas tentativas de começar, mas nunca tinha passado das primeiras cinco páginas até o dia em que me deu uma louca, achei um arquivo pdf que tinha convertido para mobi mais-ou-menos legível e me envolvi na leitura. Não apenas passei da página cinco como simplesmente não consegui parar enquanto não cheguei até a última linha. E fiquei com o livro na cabeça a ponto de ignorar tantas outras boas leituras para resenhar e me propus em escrever esta.

Escrito em terceira pessoa e dividido entre os pontos de vistas das três personagens protagonistas, “O vale das bonecas” é pura literatura de entretenimento. Um dos casos raros de obras consideradas ‘clássicas’ e que serve para diversão. Você não encontrará nele nenhuma linguagem profunda, nenhuma pegadinha altamente reflexiva de professores de vestibular, nem nada do gênero. É aquilo que as pessoas costumam chamar de “prazer culpado”. A leitura é muito envolvente, independente de sua linguagem não ser sofisticada, porém está longe de ser algo que tenha um final feliz.

Os personagens são muito interessantes e por várias vezes tive vontade ora de esganá-los e ora de pegá-los no colo: Anne, com sua frieza e determinação, Jennifer com sua busca pela independência e pela juventude prolongada e Neelie, com seu incrível talento artístico e poder de autodestruição. A obra explora muito bem a sua época e os bastidores do mundo das celebridades e não é dífícil entender a razão, afinal sua autora esteve muito envolvida com aquele universo. Por mais distante que este mundo esteja de nós – por seu contexto histórico somente visto que o mundo dos famosos agora é tão louco quanto, porém com menos glamour e mais acessibilidade – é plenamente possível ao leitor se envolver com os dilemas que regem a vida destas mulheres.

Em suma: se você não tem vergonha de ler romanções ou de ter prazeres culpados, provavelmente vai gostar MUITO deste livro.

Classificação de quatro corujas sem nenhuma vergonha na cara. :-)

E eis que depois de um tempo considerável afastada e vários livros lidos durante esse tempo, estou de volta para falar de uma dessas leituras. A escolhida da vez é uma biografia. Se você esteve acompanhando as notícias literárias, provavelmente já escutou falar deste livro, ou se pelo menos algum dia esteve atento às notícias do mundo, provavelmente conhece a biografada:


Livro: Eu sou Malala - A História da Garota que Defendeu o Direito à Educação e Foi Baleada Pelo Talibã
Autor: Malala Yousafzai, Christina Lamb
Editora: Companhia das Letras – 360 páginas
Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz. Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã.

Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente. “Sentar numa cadeira, ler meus livros rodeada pelos meus amigos é um direito meu”, ela diz numa das últimas passagens do livro. A história de Malala renova a crença na capacidade de uma pessoa de inspirar e modificar o mundo.

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Se você leu a sinopse, provavelmente sabe quem é Malala Yousafzai então não é preciso me ater a detalhes sobre a garota, que é mundialmente conhecida por sua luta e sua causa. Muito jovem, Malala tem muitas histórias para contar, típicas de quem apesar da tenra idade, já viveu os maiores desafios que alguém poderia enfrentar. E é nessas histórias que o leitor viaja pelas 360 páginas do livro.

Escrito em parceria com a jornalista Christina Lamb, ele adota uma narrativa em primeira pessoa e vem desde a infância – com flashes da vida de seus pais – e chega aos tempos atuais e seu cotidiano pós-atentado. É um livro comovente, porém tedioso. Sim, tedioso, Lamento ter de dizer isso, mas na prática não era como se pudesse ter sido de uma outra forma. Talvez pela história de vida de Malala, o tom seja muito ‘professoral’. A narrativa em primeira pessoa (óbvio, visto que é uma autobioggrafia) não ajuda muito se a ideia é tornar a leitura minimamente atraente. Dá um tom sério demais (para o mau sentido, visto que a causa de Malala é excelente) e um jeito de “sou perfeita”. Porém isso não significa que seja mal escrito. É que basicamente não sou fã de quase nada escrito em primeira pessoa, tendo ele uma causa nobre envolvida ou não. Poucos são aqueles que conseguem me agradar nesse sentido.

Vale lembrar que “Eu sou Malala” não é uma leitura de entretenimento, não vai te distrair em nenhum sentido, não vai limpar sua mente de absolutamente nada, pelo contrário, vai incomodar, (mas não tanto também, afinal há coisas piores neste sentido). Fala de uma grande causa e de uma grande pessoa. Nesse sentido, você encontrará exatamente aquilo ao qual o livro se propõe.

Três corujas porque o livro não me agrada como biografia, mas cumpre o que promete, tenha certeza disso.

Escrevendo aqui nesse espaço acho que nunca cheguei a abordar nenhuma conversa na qual eu fale dos meus escritores preferidos, não é mesmo? Pois bem, acho que aqui nesse post esse será um dado importante. Então é hora de revelar meu segredinho: minha escritora preferida, em uma panorama geral, é a Letícia Wierzchowski. Tem gente que se surpreende em ver como alguém que consome tanto de literatura estrangeira tem como preferida uma escritora nacional, mas isso não é algo exatamente que possa ser compreendido, mas sim, sentido.

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Minha lista de livros já lidos tem em seu ranking duas de suas obras, em primeiro e segundo lugar como meus preferidos: “A Casa das Sete Mulheres” e “Um farol no Pampa”. Além destes, tenho em casa “A Prata do Tempo” e “Os Getka”. Ainda não tive como ler toda a sua obra, mas é uma vontade antiga que tenho. Normalmente não tenho esse tipo de interesse em me aprofundar na leitura das obras de um autor em específico, mas justifico minha vontade na escrita de Letícia. A narrativa da autora é algo que me toca profundamente.

Sendo fã dela, não é exatamente surpresa contar que fiquei esperando e comprei ainda na pré-venda o e-book do seu último romance, “Sal”. E eis que a data do lançamento chegou e finalmente o recebi no meu e-reader. E o li em duas madrugadas. (Santa tecnologia!)

Antes de mais nada, vamos à uma apresentação:


Sal
Letícia Wierzchowski
– 240 páginas
Editora: Intríseca
Um farol enlouquecido deixa desamparados os homens do mar que circulam em torno da pequena e isolada ilha de La Duiva. Sob sua luz vacilante, a matriarca da família Godoy reconstitui as cicatrizes do passado. Em sua interminável tapeçaria, Cecília entrelaça as sinas de Ivan, seu marido, e de seus filhos ausentes, elegendo uma cor para cada um. Com uma linguagem poética, a premiada escritora gaúcha Leticia Wierzchowski, autora de A casa das sete mulheres, dá voz e vida a cada um dos integrantes da família Godoy, criando uma história delicada e surpreendente, enriquecida por múltiplos e divergentes pontos de vista.

Como mencionei anteriormente, li o livro em duas madrugadas e me deixei levar pelo sabor das palavras. Adoro o modo como ela escreve e não me decepcionei de nenhuma forma com a escrita. Por vezes me confundi entre seu modo de narrar já que o foco se divide entre os vários personagens, mas atribuo a confusão à minha pressa em devorar o que eu podia. Outro fato que pode ter contribuído bastante nisso foi o fato de estar lendo em ebook. Um impresso com um projeto gráfico definido e melhores divisões poderia ser melhor neste ponto.

Sobre a narrativa, às vezes acontece de ser maçante. Em alguns momentos você vai se confundir e julgar que há personagens em excesso e certas situações poderiam ser resolvidas de uma outra maneira, ou talvez descritas em uma linguagem mais direta. Em outras ocasiões você nota que o personagem julgado como sem função finalmente brilha em algum momento (Julieta), e o que você acha que deveria brilhar em algum momento acaba ficando para trás de alguma maneira (Ernest e Tobias).

Defeito sim, mas nada grave. Nada que não aconteça em várias outras obras de escritores mais alardeados. Nada que tire o brilho do livro e de sua escrita em si. Talvez uma segunda leitura mude minha opinião, afinal uma releitura começa a despertar a mente para outras particularidades.

Nessa primeira viagem eu me permiti ser levada pelos personagens, acolhendo especialmente Orfeu, Julius e Cecília, sem contar a fase de querer chutar outros, como Eva e também o próprio Julius (ok, motivos compreensíveis, mas dá vontade de chutar assim mesmo). Não me decepcionei com o que encontrei, achei a história linda e terminei de ler com um nó na garganta. É fundamentalmente uma história de perdas, fins e recomeços. É normal sentir o peso dos personagens e se emocionar com eles.

Por fim, não acho que seja o melhor romance da autora, (ainda tenho "A casa das sete mulheres" e "Um farol no pampa" como meus preferidos de todos os tempos e dificilmente os tirarei do topo da lista) mas "Sal" certamente vai ter um lugarzinho especial no coração e na estante, junto com meus outros livros favoritos. Vale a pena, mas com três corujas devido aos pequenos problemas de enredo.

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