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A Garota da Biblioteca

Bom, acho que já mencionei antes que sou uma fã dos trabalhos das irmãs Brontë, não é mesmo? E assim como ocorre com Jane Austen, meu interesse não se limita somente as obras originais de Charlotte, Emily e Anne. Por sorte calhei de descobrir esse amor na hora certa já que apenas os famosos "Jane Eyre" e "O morro dos ventos uivantes" - e suas respectivas adaptações para o cinema - não seriam o suficiente.

Hoje temos acesso não somente as obras mais famosas mas também as menos conhecidas, os spin-offs e também biografias romanceadas. E em meio a esse interesse recém descoberto, não pude deixar de lado a oportunidade de ler algumas dessas obras, especialmente os demais trabalhos originais das irmãs Esse é o caso de "Shirley", escrito pela irmã mais famosa do trio.

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ShirleyAutora: Charlotte Brontë
Editora Pedrazul | 397 páginas
Nas profundezas da Yorkshire rural, Briarfield, por volta de 1811, as guerras napoleônicas causavam grandes transtornos. O comércio estava péssimo, comerciantes enfrentavam a bancarrota e usineiros como, Robert Moore, um jovem e ambicioso cavalheiro, se via forçado a lutar para manter o seu negócio. É neste cenário, em que a ordem social de toda a região estava abalada, que a vibrante, emancipada, inteligente e misteriosa jovem herdeira, Shirley Keeldar, retorna à mansão de Fieldhead. Obstinada, assim que ela toma posse da grande quantidade de terra, da casa e do imóvel onde funcionava o moinho de Robert Moore, muita coisa começa a mudar na região. Rapidamente se torna amiga íntima da órfã e delicada Caroline, uma menina muito bonita, sobrinha do reverendo anglicano Helstone. Shirley guarda um segredo, mas isso não impede que todos os homens elegíveis do município, assim que souberam de sua chegada e fortuna, lhe propusessem casamento. Exceto Moore que, preocupado com seu negócio, não dava muita atenção ao assunto, muito menos a uma das jovens que era secretamente apaixonada por ele. Intrigas, rebeliões, doenças, solidão, orgulho e paixão marcam este romance que, no final, os verdadeiros sentimentos, finalmente, vêm à luz e a verdade é descoberta.

Lançado em 1849, "Shirley"foi seu segundo romance publicado, ganhando as ruas após "Jane Eyre". Logo em seu título temos uma particularidade e tanto: na época, Shirley era um nome incomum, e considerado masculino o que serviu bem para ajudar na delimitação da personagem título e dar o tom de sua personalidade como veremos mais adiante.

Dentre as protagonistas temos Shirley Keeldar e Caroline Helstone. Elas apresentam personalidades bem opostas: Shirley é ousada, obstinada e valoriza sua independência, o que definitivamente era bastante ousado para aqueles tempos: em suma, ela tem nome e atitudes também consideradas masculinas. Já Caroline Helstone é meiga, sensível e tímida, porém não menos inteligente. E embora sejam personalidades opostas, trata-se de uma amizade bastante duradoura. Também é possível dizer que os opostos se atraem não somente no amor.

Narrada em terceira pessoa por um narrador onisciente e sem nome, a escrita é fluida e não apresenta grandes dificuldades para acompanhar a trama. Logo em seu início podemos ver uma das marcas registradas de Charlotte que é uma escrita bastante sagaz e repleta de finas ironias e é bastante convidativa até o aparecimento das protagonistas. Isso reduz a sensação de 'encheção de linguiça' que muita gente detesta nos clássicos.

Falando nelas, tanto Caroline quanto Shirley são personagens muito ricas em personalidade e força, cada uma a sua maneira. Charlotte não economizou em palavras ao criá-las ou descrever suas emoções e isso se traduziu em personagens bastante críveis e capazes de despertar afeição por parte dos leitores. Essa é uma boa marca nos trabalhos da autora e uma das coisas que mais gosto de apreciar quando leio suas obras.

Tal como "Jane Eyre" temos em jogo temas como independência feminina e fortes amores, porém também podemos contar com um plano de fundo bem mais agitado. O caos das guerras napoleônicas não são somente pano de fundo, mas representam parte fundamental da história, o que a tornou bastante dinâmica em termos de ação. Se em sua obra mais famosa, a história pessoal da protagonista e a personalidade de Mr. Rochester era capaz de preencher páginas e mais páginas sem que sentíssemos tanta falta de acontecimentos externos, "Shirley" traz conflitos muito interessantes a baila e sem soar como aula de história.

Da esquerda para a direita: Anne, Emily e Charlotte Brontë, retratadas pelo irmão Branwell.

Esse livro também traz mais informações interessantes sobre a autora: como todas as obras de Charlotte, também temos aqui uma boa dose de coisas pessoais. De acordo com estudiosos, Shirley foi baseada no que Charlotte imaginava de Emily ("O Morro dos Ventos Uivantes") caso tivesse nascido em uma família rica, onde sua personalidade obstinada pudesse prevalecer e se sobressair sem que houvesse dificuldades.

Já sobre Caroline, o comentário é que suas características se basearam em Anne ("A Moradora de Wildfell Hall") descrita como doce, conciliadora e reservada. A tese sobre Caroline também desperta algumas dúvidas já que em diversos momentos ela se assemelha muito ao que já foi escrito sobre a própria Chalotte, mas de todo modo isso serve para mostrar o quanto a autora usou de sua própria vida para criar suas tramas.

Como fã de Charlotte Brontë e que, além desta obra também já leu "Jane Eyre" e "Vilette", devo dizer que estamos falando de um livro muito interessante. Tal como 'Jane Eyre', temos o encanto de uma boa narrativa, bastante fluida e também mordaz em vários momentos. Eu me senti grudada no livro, porém quase ao fim senti como se a trama tivesse perdido o foco. Os atos que se desenrolam para levar ao desfecho me pareceram que Charlotte estava com pressa em terminar o livro e sem inspiração para encontrar novas saídas (aliás, um panorama muito reconhecido no mercado literário de todos os tempos.). Mas devo dizer que isso não diminui em nada o brilho da história.

Enfim, devo dizer que esse é o meu segundo colocado no ranking dos preferidos de Charlotte Bronte. Ok, não que signifique muita coisa, afinal ela escreveu somente quatro livros, mas como já li três deles, creio que seja um Top 3 válido, pelo menos até que eu consiga ler "The Professor". Ate lá, "Shirley" é uma leitura que vale muito a pena!

Quatro corujas para essa belezinha! (sim, eu disse isso. Processe-me)

Não é segredo para ninguém que minhas últimas semanas não foram nada fáceis. Problemas se acumulando, imprevistos surgindo e além de tudo isso, uma tremenda falta de ânimo para me envolver com leitura. Isso fez com que eu ficasse sem válvulas de escape, já que os livros costumam ser as melhores ferramentas para me distrair. Ou seja: eu estava em meio a uma ressaca literária.

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Imagem: Não achei nem na busca reversa do Google. Quem souber me avise, please!
Os sintomas da ressaca literária são facilmente identificáveis pelo menos no meu caso: concentração dispersa, 'cabeça cheia', falta de vontade de sequer olhar para a estante ou para o Kindle, desânimo notável pela ideia de ter que escolher algo para ler. Sintomas que são péssimos para quem é leitora quase compulsiva. 

Além do estresse, algumas ressacas literárias acontecem após ter lido um livro muito bom. Eu mesma já passei por isso depois de livros como "Americanah" e "Ardil-22". Aliás, devo dizer que esse tipo representa a maioria das ocorrências do problema . Não que exista algum número ou pesquisa nesse sentido, isso é apenas um achismo. 

Imagem: Editora Arqueiro

Seja como for, durante esse período vi muita gente falando que estava passando por algo parecido e também usando o nome de 'ressaca literária' para nomear esse período tenso na vida de qualquer leitor A maioria dessas pessoas eram marinheiras de primeira viagem nesse assunto, portanto acho que vale compartilhar algumas dicas sobre o que fazer: 

1. Leia livros de não-ficção: Muitas vezes minha ressaca literária é reflexo do excesso de livros que leio. Com isso minha mente fica cheia de histórias e simplesmente pede tempo para conseguir digerir os assuntos, especialmente se as últimas leituras forem de livros densos. Nesse caso, os livros de não-ficção - especialmente as biografias - são armas bastante valiosas. No meu caso, esse tipo de obra é capaz de 'limpar a mente' e preparar o espírito para uma próxima leitura.

2. Leia livros de outro gênero: Comecei a sair da minha última ressaca literária quando resolvi ler uma distopia após uma sequência de romances e new adults. Na ocasião apelei para eles devido ao fato de precisar de uma leitura leve, mas com o tempo a temática começou a me intoxicar. Para acabar com os excessos lancei mão de uma alternativa completamente diferente em gênero literário. E funcionou. Pode ser que a mudança de ares possa fazer bem também no seu caso.

3. Apele para o seu guilty pleasure: Sabe aqueles livros que são um tremendo prazer culpado e que temos vergonha de assumir que lemos? Então, eles são boas ferramentas contra a ressaca  literária. O meu guilty pleasure são romances da Harlequin. Não sou leitora fiel, mas se a sinopse é boa gasto meus R$ 9,90 ou um pouco mais em ebooks desse tipo.

4. Respire fundo e espere passar: Essa poderia ser a primeira alternativa, mas eu sou muito impaciente para me dar essa folga a menos que seja necessário. Mas se o seu cérebro está pedindo arrego vale a pena tentar dar esse descanso a ele antes de tentar qualquer uma das alternativas acima. Vá fazer outra coisa e tente não se preocupar com isso. Quando menos esperar sua vontade de ler vai dar o ar da graça.  

E você? Tem algum truque para fugir dessa dita-cuja? 
Tcharaaaan! Overdosando (essa palavra existe?) de posts durante a semana após um longo período de abstinência! E a culpada por isso é a Lady Sybylla, que me incluiu na TAG Liebster Award. Convenientemente eu estive sem internet durante um longo período e ela não me falou nadinha... até a hora que resolveu soltar a bomba.



E siiim! Responderei a TAG, que segue algumas regrinhas:

  • Escrever 11 fatos sobre você
  • Responder as perguntas de quem te indicou a TAG
  • Indicar de 11 a 20 blogs
  • Fazer 11 perguntas para quem você indicar
  • Inserir no post uma imagem com o selo Liebster Award
  • Linkar de volta quem indicou.

Sim, responderei, mas com algumas alterações: eu não tenho 11 blogs a quem indicar. Aliás dá para contar nos dedos os blogs que conheço e por serem muito mais antenados do que eu provavelmente já responderam a TAG. Portanto, sem indicações e nem sugestões de novas perguntas.


11 fatos sobre mim:



1. Aprendi a ler através de gibis: 

Meus pais comentam que, para variar um pouco no acervo de histórias infantis, eles compravam gibis da Turma da Mônica. Com o passar do tempo - e a medida em que fui aprendendo a ler - acabei dispensando a ajuda deles e tentava ler sozinha. Ainda tenho alguns em casa, inclusive o almanacão dos 30 anos.

2. Não tenho o menor problema com spoilers:
Perdi as contas de quantos livros eu li já sabendo qual seria o final. Meu foco é o desenvolvimento da história, portanto não estou nem aí para possíveis revelações de enredo.

3. Adoro Jane Austen:
Comecei a ler Jane Austen enquanto estava na faculdade, mas não pude prosseguir na leitura, porém, anos depois conheci melhor o trabalho dela e hoje tento manter um acervo de livros da autora e de trabalhos baseados em sua obra. Aaaamo!

4. Adoro as irmãs Brontë:
Não lembro como me interessei pelo trabalho delas, mas o primeiro livro que li foi "Jane Eyre". Depois disso, minha relação com os livros das irmãs é a mesma que tenho com os de Jane Austen. Aliás, gostaria que houvesse mais de Anne Brontë para ler.

5. Sou autora de fanfics:
Se alguém conhece o blog Limão em Limonada, sabe que sou autora e já escrevi vários posts sobre o universo das fanfics e suas semelhanças com a blogosfera. Hoje o blog está fora do ar devido ao maravilhoso serviço #sqn do Uol Host, mas pretendo resgatá-lo algum dia. E não, minha identidade de ficwriter é secretíssima então não vou falar mais nada sobre isso.

6. Sou noveleira: 
Na prática devo dizer que gosto de ficção, e isso inclui as famigeradas e injustiçadas telenovelas. Gosto tanto do tema que ele foi parte fundamental do meu TCC na graduação em Jornalismo. Não aguento ouvir gente dizendo "desligue a TV e vá ler um livro" quando a discussão é telenovela já que o problema é o fato de o veículo TV ser dirigido a massa e portanto utilizado como sinônimo de alienação. Dizem que novela não presta pra nada, que "só mostra mau exemplo e ensina o que não presta" mas essas mesmas pessoas nunca se tocaram sobre o contexto em que os grandes clássicos da literatura foram publicados. Infelizmente não tenho mais a mesma paciência para assistí-las, portanto estou desatualizada.

7. Não gosto de livros narrados em 1ª pessoa:
Sou muito sistemática a respeito do que leio e escrevo (pelo menos no que diz respeito a ficção), e a sensação que tenho é que estou lendo um monólogo interior ininterrupto, o que é bem chato e cansativo. Outro ponto é que a descrição de cenas como ação sempre soa muito mais difícil tanto na escrita quanto na leitura. Muitos autores querem escrever com esse recurso, especialmente os iniciantes, mas poucos tem jeito para isso.

8. Não tenho a menor paciência para ler cenas eróticas:
Sério. Não gosto, não consigo, nem tenho paciência para descrições imensas sobre foda. Li "Cinquenta Tons de Whatever", mas não fiz a menor questão de ler o que era erótico, sem contar que  o pouco das cenas que tentei ler provocaram uma sensação de vergonha alheia sem precedentes. #DesculpaSociedade

9. Leio romances da Harlequin: 
Sim, esse é o meu guilty pleasure e leio especialmente se estiver deprimida. E sim, embora as fórmulas sejam desgastadas (macho alfa, milionário grego ou sheik, órfãos ou filhos de pais omissos, casamentos por conveniência e blábláblá) e também haja cenas de sexo (ler item 8), ainda considero um entretenimento bastante válido.

(Não, não leio os protagonizados por sheiks. Isso aí já é forçar a barra além do limite...)

10. Não tenho problemas para ler no ônibus ou no carro:
Muita gente sente enjoos quando tenta ler dentro do ônibus ou enquanto está no carro (não enquanto está dirigindo, dãããã). Eu, pelo contrário, consigo até mesmo escrever se a estrada estiver em boas condições. Aliás, grande parte das minhas leituras de TCC foram feitas dentro do ônibus mesmo.

11. Não ligo para adaptações cinematográficas de livros: 
Na prática, o que acontece é que posso facilmente passar anos sem ir ao cinema. (Aliás, o último filme que vi no cinema foi a primeira parte do último filme de Harry Potter - As Relíquias da Morte - sendo que nunca assisti os anteriores), portanto o assunto não faz grande diferença para mim. Trato as adaptações cinematográficas ou para a TV como fanfics da obra original, o que torna as discrepâncias muito mais palatáveis e gera muito menos estresse... (aliás, nem sei porque as pessoas se estressam justamente por isso...)


As perguntas:

1. O hábito da leitura vem de onde? 
De casa! Meus pais sempre gostaram muito de ler, portanto cresci como leitora e não abro mão da leitura por nada.

2. Você prefere livros físicos, ebooks ou os dois?
Os dois. Para falar a verdade não entendo essa frescura de 'sentir o cheiro do livro'. Pelamor, o importante é ler. Se eu gosto do livro, faço questão de ter os dois, mas francamente não me importo com a plataforma, mas o e-reader dá um banho em termos de praticidade.

3. Você tem e-reader?
Atualmente tenho um Kindle Paperwhite de primeira geração. Já tive um Kindle com botões (o primeiro a venda no Brasil) e um Kobo Glo, que hoje está com minha mãe. Adoro e-readers! Minha vida de leitora ficou super prática!

4. Qual o seu gênero literário preferido?
Não tenho exatamente um gênero literário preferido, mas normalmente leio dramas e romances com mais frequência que outros gêneros.

5. Lê literatura brasileira?
Leio, mas não tenho muito contato com a literatura brasileira clássica ou os autores consagrados. Leio com mais frequência os contemporâneos, como é o caso da Leticia Wierzchowski e do Daniel Galera.

6. Gosta de ler resenhas antes de comprar um livro?
Sim: normalmente as resenhas já indicam se o livro promete ser bom ou se vou perder tempo caso decida comprá-lo sem nenhuma outra informação.

7. Qual sua série literária favorita?
Não costumo acompanhar séries literárias, detesto esperar (maldito seja George R.R Martin), mas amo a trilogia 1Q84, do Haruki Murakami.

8. Lê, em média, quantos livros por mês?
Vish, não tenho nem ideia. De dois a três. Se for um bom mês chego até a ler quatro.

9. Tem preconceito com algum gênero literário? Por que?
Tenho com livros eróticos. Na verdade não tenho paciência para ler algo com a maioria da história feita por pegação ou por detalhes milimétricos de anatomia e 5986597698 páginas de gente se comendo. (Sim, acontece com frequência, tanto em livros quanto com fanfics) 

10. Compra livros online ou prefere ir à livraria?
Compro muito pela internet, porque não tem livrarias por perto, sem contar que os descontos costumam ser muito bons. O problema é que fico ansiosa com a entrega. E se eu estiver em uma livraria, é certeza sair com alguma compra, mas normalmente ela é planejada com antecedência. 

11. Autor ou autora da qual você não perde um livro sequer?
Uh! São vários autores, mas Leticia Wierzchowski, Xinran e Haruki Murakami (dois quais ainda não consegui ler todos) são os que tento acompanhar com mais frequência.

Ufa, terminou! E como mencionei anteriormente, não conheço blogs suficientes para fazer indicação para a tag nem sugestão de perguntas. Nesse caso encerro por aqui :-)

Até mais!
E lá vamos nós para a primeira resenha de 2015! Ok, com um ligeiro atraso de 13 ou 14 livros (e mais uns três ou quatro guilty pleasures que nem conto como leitura), porém antes tarde do que nunca. Mesmo porque, eu demorei eras até pensar em resenhar esse livro. Foi algo bastante difícil de ler, de refletir e escrever.

Então, vamos lá:


Ardil-22Autor: Joseph Heller
Editora: BestBolso | 560 páginasAmbientado na Segunda Guerra Mundial, este clássico antibelicista e satírico consagrou Joseph Heller no meio literário. Ardil-22 foi livremente inspirado nas próprias experiências de Heller, que entrou para a United States Army Air Corps e aos 20 anos foi enviado para a Itália, onde voou em 60 missões de combate como bombardeador em um B-25. Este primeiro romance do autor foi aclamado pela crítica inglesa ao enfatizar, de modo irônico, o absurdo da guerra e as atrocidades cometidas nos campos de batalha. O livro inspirou o filme de guerra homônimo dirigido por Mike Nichols, uma peça de teatro apresentada no John Drew Theater de Nova York, a comédia M.A.S.H. de Robert Altman sobre a Guerra da Coreia e, mais recentemente,o 66º episódio da série televisiva Lost, intitulado Catch-22. Um clássico mais que atual nos dias belicosos de hoje.

Esse livro tem uma história pessoal. É um daqueles que conheci através do canal da Tatiane Feltrin e tive curiosidade em ler: algo que acontece com uma certa frequência. O problema é que, entre o dia da compra e o dia em que pude colocar um ponto final nessa resenha, vários meses se passaram e muita água correu nesse rio. E sim, tive sérios bloqueios tanto para ler e persistir na leitura quanto para escrever alguma coisa a respeito.

O que aconteceu foi o seguinte: durante minhas tentativas eu mal conseguia chegar até a página 20. Os vai-e-vem da narrativa me irritavam o suficiente para colocar o livro de lado e adiar novas incursões. Até que um dia, após meses de enrolação, resolvi tentar mais uma vez e prossegui. E demorei na leitura, me envolvi até o momento em que as páginas terminaram, os post-its sumiram (e misteriosamente apareceram colados no livro) e perceber o quanto seria difícil resenhá-lo. E o quanto muito do que se pode falar a respeito dele pode soar como spoiler, o que complica bastante uma missão que já soa quase impossível.

Bom: na prática temos um livro com uma narrativa não-linear, cujas voltas e reviravoltas - especialmente nos trechos de ironia - podem deixar leitores confusos e irritados, mas o avançar das páginas vai deixando o humor de lado até sobrar muito pelo qual é necessário refletir. É uma obra que requer paciência e pode acabar subestimada caso haja pressa em formar uma opinião a seu respeito, principalmente em seus primeiros capítulos.

A ironia, que é a qualidade mais citada na obra, pra mim foi bastante irritante quando soava em excesso. Não que seja um defeito do livro, mas sim um propósito: em certas situações ela representava a descrição de uma situação tão complicada de entender que chegava a dar um verdadeiro nó naquilo que eu julgava estar compreendendo. Porque sim: a guerra é absurda, irônica e cheia de voltas até que alguém se dê conta do quanto isso a representa, não como apenas um recurso de narração, mas uma situação real.

Após a metade do livro esses absurdos e ironias vão perdendo o ar de inocência, ou a comicidade. Eles passam a adquirir o ar de realidade, daquela sensação de impunidade que conhecemos tão bem quando ela é infligida contra nós. Passam a ter o gosto metálico do reconhecimento daquelas verdades que nos atingem porém pouco paramos para refletir sobre seu significado.

"Ardil-22" é um livro repleto de socos no estômago, especialmente quando temos um olhar atento sobre aquilo que nos cerca. Talvez por isso seja tão impossível resenhá-lo de uma forma coerente (ou pode ser uma incapacidade minha mesmo, não nego essa possibilidade).

Entretenimento? O livro é bem mais que isso. Leia com paciência e cada página poderá valer muito a pena.

Ok, eu sei que esse aqui deveria ser um lugar dedicado a resenhas literárias. Um blog no qual eu deveria colocar minhas leituras em ordem e fazer algo que preste com elas ao invés de deixá-las gastando meus neurônios, algo repleto de promessas. E obviamente, como acontece com toda promessa feita em clima de festa do ano novo, essa também acabou se perdendo em algum lugar da minha agenda, entre minhas obrigações e as coisas que quero fazer.

Mas, porém, contudo, todavia, ainda posso usar esse blog para mais do que resenhas sérias. (Aliás, a quem estou querendo enganar, já que não sou séria coisa nenhuma?). Ainda posso fazer posts sobre o cotidiano de uma leitora, sobre impressões que estou tendo durante minha leitura, sobre meus duelos internos para lidar com alguns dos livros que tento ler e trocentos outros dilemas que talvez possam interessar a alguém além de mim. Então, dou início ao marcador do "(quase) diário de uma leitora."

Certo, já entendi a indireta. Vou parar de enrolar.

Ok, isso mesmo. Eu só estava enrolando antes de começar a postagem do dia. E o que esteve ocupando minha mente nos últimos dias é o fato de que 2015 não parece ser um bom ano para minhas leituras. Sei que só estamos no começo, mas está bem difícil.

Contando desde o primeiro dia de 2015 até a data atual, já posso contabilizar 11 livros. Sim, é uma quantidade acima da média em muitos sentidos especialmente levando em consideração aqueles que não compartilham da mesma compulsão por leitura. Normalmente eu não levaria a "contabilidade" a sério, mas nesse caso ela reflete o meu desânimo. Em tempos normais já teria lido bem mais do que isso e o meu desânimo vale como um sinal incômodo.  


Certo: foram 11 livros. E devo dizer que foram 11 leituras que nem sempre me deixaram lá muito satisfeita. Dessa lista, apenas quatro me deixaram feliz, mesmo que não necessariamente por uma boa história, mas pelo grau de envolvimento que me despertaram. Fora isso, o que me resta nesse momento é um profundo desânimo de olhar para minha estante, onde juntei os livros físicos que ainda não li, e também de olhar meu Kindle, sempre tão fiel e disposto. E do jeito que as coisas estão fluindo, devo ler bem menos esse ano, o que não é exatamente um problema já que a qualidade é mais importante que a quantidade.

Dentre minhas pseudo promessas para 2015 estão a de (tentar) ler os livros que estão parados há séculos na minha estante e também a de buscar a leitura de clássicos. Então sigo tentando desencalhar o que tenho parado (dois deles estão bastante propensos a serem doados para a biblioteca municipal), abrindo espaço para novos livros que não deixo de comprar e também tendo bom resultados com os clássicos (antigos ou mais atuais) que me dispus a tentar. Tudo na marcha lenta e também inconstante que meu ânimo permite.

Mas tudo bem. Não tenho exatamente um projeto leitura em mente, muito menos uma obrigação. Além disso ainda estamos em março. Ainda há esperanças para um 2015 decente nesse departamento.

( R'hllor, dei-me forças para resenhar esses 11 livros qualquer dia desses...)
E eis que estou de volta... e precisando MUITO criar vergonha na cara para voltar a blogar já que não houve uma quantidade de posts considerável entre esta e minha última retrospectiva literária. Ok, sei de tudo isso, mas não é exatamente algo que posso acrescentar como meta para o próximo ano já que metas de réveillon servem apenas para servirem como base para uma próxima lista de metas.

Mas, deixando as desculpas de lado, vamos lá para a retrospectiva. Infelizmente devo dizer que 2014 não foi um ano dos mais animadores em se tratando de leituras, mas sempre há algumas compensações...


Contabilidade de leitura de 2014:


Conforme escrevi acima, 2014 não foi muito animador. Segundo os números do Skoob (pelo menos ele serve pra isso enquanto não criam o raio de um aplicativo para celular), li 93 livros. No que diz respeito a quantidade, não foi animador visto que li bem menos que em 2013, quando fechei com a marca de 120 livros. Foi um ano difícil, cheio de problemas que resultaram em desânimo para ler e também as ressacas literárias.



Quantidade não é o mais importante. Quantidade nunca deve estar acima de qualidade, mas devo admitir que sinto como se tivesse lido muito pouco. Talvez por ter sentido que não tive tantos bons resultados nas minhas escolhas.


Os meus piores livros de 2014:


Que tal começar com as más notícias dessa vez? Pelo menos para sentir que o fim deve fazer com que o ano não tenha passado em vão...


Páginas de uma História - Lílian Reis
:

 



Sério, não vou gastar maiores palavras com explicações sobre esse livro. Creio que já dei todas as explicações possíveis quando já tive o trabalho de escrever uma resenha sobre ele, na época em que eu ainda tinha vergonha e tentava blogar.


Última Chance - Tatiane Dunkel
: 




Não que seja ruim, ruim, ruiiiiiiiim mesmo. Na prática era um livro que tinha tudo para ser algo, especialmente quando a autora pretende fazer da história uma trilogia. O problema é que a protagonista carece muito de amor próprio, assim como muitas das descrições eróticas são do tipo WTF, sem contar o fato de haver situações arrastadas e pretextos estranhos para que se arraste por páginas e mais páginas até o final, que tem um pretexto bastante WTF também. Sabe quando um único livro fecharia razoavelmente a situação toda e seria o bastante? Pelo menos pra mim será o bastante porque não pretendo ler o segundo.


As espectativas frustradas de 2014:


Em 2013 não cheguei a fazer essa categoria, mas 2014 merece essa inovação. Ah se merece...


5º lugar: Quarteto de Noivas - Nora Roberts:
 



Siiiim! Estamos falando de uma obra toda. Não que sejam livros ruins, mas só consegui gostar de dois deles: o primeiro e o último. Era como se não houvesse pretextos para as demais histórias e apenas fosse empurrado com a barriga. Não consegui gostar e não fiz nenhum grande esforço para isso.


4º lugar: Vida de Escritor - Gay Talese
: 




Esse livro tem uma história looonga a respeito de minhas expectativas sobre ele e também uma resenha, também do tempo em que eu ainda blogava com alguma regularidade. Definitivamente não é um livro que tenha valido a pena. No meu caso, não valeu nem pelo valor jornalístico pelo nome do autor. E a decepção me impede de escrever mais, sinceramente.


3º lugar: Austenlândia - Shannon Hale:
 



Com o meu gosto por Jane Austen, e também por meu antigo trabalho no Cabine Literária, acabei lendo o Austenlândia tendo altas expectativas devidamente frustradas com a leitura. Tem uma resenha a respeito dele no próprio site do Cabine Literária e vou indicá-lo porque estou com uma tremenda preguiça de escrever outra apenas para postar aqui, dsclp.


2º lugar: Aprendi com Jane Austen - Willian Deresiewicz
: 



Mais um da série "li porque tinha a ver com Jane Austen", Tive altas expectativas com esse livro. Altas de verdade, mas depois descobri que era apenas um cara arrogante, idiota e chato e que acabou se tornando um cara apenas chato após descobrir a autora. Não valeu as dilmas que gastei no livro e nem meu precioso tempo com a leitura, embora não seja um 'livro ruim'. 


1º lugar: Trilogia Divergente - Verônica Roth



Acho que o melhor é não escrever nada a respeito da trilogia carinhosamente apelidada de 'ente-ente' e que foi uma completa decepção. E sinceridade, como eu já escrevi uma resenha sobre os livros, não vou sequer tentar fazer isso novamente. Não vale a pena tamanho esforço. Só posso dizer que começou bem, mas terminou de uma forma completamente broxante. E isso não pelo final em si, mas sim pela total falta de planejamento para aquele final.


Os favoritos de 2014:


Vamos falar de coisa boa? *cara de vendedora de produtos da Rede TV mode on*. Ok, beleza. Então veja o que fez meu 2014 valer a pena:


10º: A Garota que você deixou para trás - Jojo Moyes
: 



Romance muito interessante e denso sem ser chato. Vale super a pena ler. E tem resenha por aqui já que foi uma das minhas primeiras leituras de 2014 e eu estou com preguiça de falar mais sobre o que eu já disse antes...

9º: A Invenção das Asas - Sue Monk Kidd:
 



Eu gostei muito desse livro, especialmente pelo fato de conter personagens reais mesmo que a história seja romanceada. Melhor ainda por se tratar de muito da história de Sarah Grimke, grande nome da causa feminista e abolicionista. Mas também não vou entrar em maiores detalhes sobre ele nesse post porque já escrevi uma resenha sobre a obra.

8º lugar: Persépolis - Marjane Satrapi: 



Lido no início do ano (o primeiro livro, pra dizer a verdade e por isso mesmo tem resenha), Persépolis é algo que encanta do começo ao fim devido a força dos desenhos e a história tocante da autora, assim como sua narrativa, muito sensível e memorável. Minha intenção é adquirir "Bordados", outra obra de Marjane Satrapi que espero conseguir assim que a vida ($$$$$) começar a colaborar com essa pobre e modesta blogueira que vos escreve. 

7º lugar: O Castelo de Vidro - Jeannette Walls:
 



"O Castelo de Vidro" não é uma obra de ficção, mas sim a história da família da autora, a jornalista e escritora Jeannette Walls. E é uma história bastante louca sobre relacionamentos disfuncionais, mas com narrativa extremamente forte e cativante. Vale a pena cada página lida, sem dúvida alguma. Infelizmente esse eu li em um período no qual não estava mais com muita paciência de escrever e resenhar algo.

6º lugar: Miss Brontë - Juliet Gael:


 
Além do gosto por Jane Austen, também desenvolvi uma curiosidade imensa pelas irmãs Brontë. Mesmo romanceado, o livro traz informações muito interessantes sobre a vida de Emily, Anne e Charlotte, embora a última seja a protagonista e também a irmã mais famosa. É uma leitura que faz cada minuto gasto valer a pena.

5º lugar: Trilogia 1Q84 - Haruki Murakami: 



Gosto bastante de Haruki Murakami e quando me envolvi com a trilogia 1Q84 sequer consegui parar de ler. Terminava com um dos livros e imediatamente me envolvia com o outro. Como mencionou uma outra leitora da qual não lembro o nome, é como ler um mangá sem imagens. São livros excelentes, mas que levam o leitor a loucura em determinados momentos, especialmente por deixar pontas soltas. Mas claro, entraram para a lista de favoritos porque os personagens são muito interessantes mesmo. Só não menciono mais a respeito porque já tem resenha da trilogia aqui no blog.

4º lugar: As Sombras de Longbourn - Jo Baker:
 



Seguindo o gosto por Jane Austen e especialmente por "Orgulho e Preconceito", essa obra caiu como uma luva. O livro de Jo Baker tem o foco nos criados de Longbourn, que é o local onde se passa a maior parte da história de Orgulho e Preconceito, contando as respectivas trajetórias dos criados, focando também em outros lados dos personagens criados por Jane Austen, inclusive em lados desconhecidos de alguns deles, porém prezando pela fidelidade no que diz respeito ao caráter e a linha da história original. É um dos meus livros preferidos para toda a vida!

3º lugar: Madame Bovary - Gustave Flaubert: 



Durante muito tempo quis ler "Madame Bovary" mas várias circunstâncias atrasaram a realização desse desejo, especialmente várias outras obras entrando na pilha dos livros desejados. Mas eis que um belo dia encarei o arquivo no Kindle e levei a leitura adiante. E meu deus, por que demorei tanto a ler afinal? De forma impressionante não consegui sentir empatia por nenhum personagem, mas nada disso me fez sequer pensar em deixar o livro de lado. A narrativa é tão interessante e os personagens eram tão envolventes que não dava para desistir. Foi uma das minhas últimas leituras do ano e também uma das aquisições que estão na lista de favoritos para a eternidade. 

2º lugar: A Redoma de Vidro - Sylvia Plath: 



Minha história com "A Redoma de Vidro" é bem longa. Isso porque muita gente dizia que era excelente. Mas quando comecei a procurá-lo era um livro muito difícil de encontrar e tudo que eu tinha era um PDF muito do sem vergonha. Não achei a narrativa nada convidativa e acabei deixando. Porém um dia soube que a Biblioteca Azul tinha relançado a obra e investi. Descobri que o PDF era uma tradução meio estranha, e a narrativa do relançamento era muito superior. Li e me envolvi demais com Esther, me identificando muito com a personagem mesmo que a empatia não fosse lá das maiores. E imediatamente após a leitura do ebook, investi em comprar o livro físico.  

1º lugar: Americanah - Chimamda Ngozi Adichie: 



O primeiro lugar é insuperável. Tão insuperável que esse acabou sendo meu último livro lido em 2014 porque simplesmente não consegui pensar em algo melhor para encerrar o ano. E pensar que eu tive tanto receio em ler, crendo que meu humor não estaria em condições de ler algo que pensava ser muito carregado de situações complicadas, porém definitivamente isso não aconteceu. O livro é maravilhoso, assim como a narrativa e as questões raciais que a autora traz. E Ifemelu entrou para a galeria de personagens preferidos para a vida, assim como o livro está na estante de livros preferidos forever.



Bom, essa é a minha retrospectiva literária. Para 2015 acrescentei 25 livros como meta, que na verdade são os que estão na minha estante intocados até agora. Será que eles estarão na retrospectiva ou será mais um ano no qual eu os deixarei de lado?

Até a próxima retrospectiva! 
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