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A Garota da Biblioteca

Até o momento devo dizer que, embora eu tenha pelo menos tentado planejar minhas leituras, minhas escolhas de livros para 2015 começaram de forma bastante intuitiva. Não tenho uma fila planejada, um cronograma definido: quase sempre prefiro me guiar segundo o meu humor, que nem sempre é dos mais colaborativos.

Por que estou falando tudo isso? Porque não vejo nenhuma outra maneira de explicar a razão pela qual li esse livro:



Quebrada em Grande Estilo
Título Original:Bitter is the New Black – Confessions of a Condescending, Egomaniacal, Self-Centered Smartass"
Autora: Jen Lancaster
Editora: Gutenberg | 331 páginasJen Lancaster era uma alta executiva do ramo da tecnologia de Chicago que tinha a vida com que todas sonham: o homem ideal, o emprego perfeito, glamour, estilo, grifes, viagens e dinheiro para gastar. Mas, sem que ela percebesse o que inevitavelmente ia acontecer – já que estava ocupada demais fazendo as unhas, comprando sapatos e sendo paparicada –, seu mundo vira de cabeça para baixo quando ela perde seu emprego, o que faz seu padrão de vida despencar.

Neste delicioso livro inspirado na vida real da autora, ela narra tudo o que precisou fazer para se reinventar a partir do instante em que teve de trocar seu polpudo contracheque pelo seguro-desemprego e amargar várias portas se fechando diante dela. Rindo das próprias desgraças e mantendo seu humor despachado e sarcástico, ela conta percalços que poderiam acontecer com qualquer um, mas de um modo infinitamente mais interessante e divertido do que em geral faríamos.

Realmente não sei bem como explicar a escolha do livro. Talvez eu estivesse triste e quisesse algo capaz de limpar a mente e desintoxicar de leituras anteriores. O ebook estava lá, o meu kindle tinha espaço para armazená-lo, eu tinha madrugadas para ler, então ok. E não sei o que mais posso dizer além de "ok". Ah, talvez um "miga, seje menas".

Como provavelmente era a intenção inicial, não consegui sentir nenhuma empatia por Jen. Ela era a imagem daquelas patricinhas que tanto atormentavam protagonistas nos filmes da Sessão da Tarde e do Cinema em Casa, e com as quais nunca cheguei a ter paciência. Competente naquilo que faz, porém fútil, egocêntrica, infantil, praticamente um ser vazio. E isso não mudou muito conforme o livro se estendia, mostrando os perrengues financeiros que ela e seu companheiro passaram a enfrentar e sua jornada em busca do dinheiro e do sustento de cada dia. (sim, as coisas ficam dificeis a esse ponto).

Humildade? Sim, isso vem aos poucos. Afinal dá para perceber que temos uma redenção a caminho, portanto o interessante é notar a trajetória. Um spoiler? Não, realmente não. Se tudo tivesse continuado uma merda, provavelmente não teríamos um livro sobre o assunto, muito menos a carreira de escritora que se seguiu. Hoje, Jen Lancaster conta com pelo menos sete livros de sua autoria, portanto o indicativo de um final considerado feliz é um fato. A despeito de todos os "miga, seje menas", não posso ignorar o fato de que ela é perseverante e vai até o fim naquilo que tenta fazer, o que a torna pelo menos, não tão intragável durante o decorrer do livro.

Devo dizer que o livro conta com boas tiradas. Narrado em primeira pessoa, as memórias da autora são colocadas no papel de forma bastante mordaz, e provavelmente foi isso que me fez seguir adiante em algo que não me trouxe maior proveito do que a pretendida detox mental.

Sinceramente? Não gosto do livro, mas indico para quem gosta desses "projetos de vilã" e ao mesmo tempo deseja uma leitura mais descontraída.

E a classificação fica sendo duas estrelinhas mesmo, e olhe lá.

Se tem algo que eu posso dizer a respeito de 2015 é que estou conseguindo realizar diversos desejos literários. Ou melhor, estou conseguindo ter acesso a diversos livros que eu gostaria de ler. E um deles diz respeito ao assunto da resenha de hoje:

Bordados - Marjane Satrapi

Título original: Broderies
Editora: Quadrinhos na CIA.| 136 p.
Os almoços de família na casa da avó de Marjane Satrapi, em Teerã, terminavam sempre com o mesmo ritual - enquanto os homens iam fazer a sesta, as mulheres lavavam a louça. Logo depois começava uma sessão cujo acesso só era permitido a elas - o 'bordado'. O 'bordado' iraniano seria equivalente ao brasileiríssimo 'tricô', não fosse uma acepção bastante particular - a expressão designa também a cirurgia de reconstituição do hímen, uma decisão pragmática para as mulheres que não abrem mão de ter vida sexual antes do casamento, mas sabem que precisam corresponder às expectativas das forças moralistas do país. O grupo que se reúne na casa da avó de Marjane é uma amostra de mulheres com moral e experiência bastante variadas, mas sempre às voltas com o machismo e a tradição. Casamentos malfadados, virgindades roubadas, adultérios, frustrações, golpes e autoenganos, mostram que no Irã amar e desamar pode ser ainda mais complicado do que podemos supor.

Conforme dei a entender no parágrafo inicial, esse era um livro desejado há muito tempo. Isso porque além de ser um livro da Marjane Satrapim autora de 'Persépolis', também tem uma temática que aprecio muito que é a do cotidiano feminino no oriente médio. Porém, o que me separava do livro era o precinho, nada vantajoso para o meu pobre bolso, mas nada como promoções do Submarino para garantir a realização de certos sonhos.

Então, desejo satisfeito, hora de falar sobre ele. E o que posso dizer?

Posso dizer que não é indicado ler pensando em "Persépolis", já que o clima da história é outro: se "Persépolis" é um drama biográfico, "Bordados" é pura comédia, pelo menos em uma comparação simplista. Isso levando em consideração a frase que vai dar o tom da obra:

Legenda: "Falar dos outros pelas costas é ventilar o coração"
Legenda: "Falar dos outros pelas costas é ventilar o coração"

Posso dizer também que é um livro que acaba rápido demais. É um livro bem curto, dá para ler de uma só vez. A linguagem da autora é tão leve que não dá para perceber que as páginas estão passando. E a qualidade das histórias? Ímpar! Os relatos são hilários.

Quem não tem muito conhecimento a respeito do universo feminino no oriente médio provavelmente vai se surpreender ao notar como os dilemas da mulheres iranianas expostos nos quadrinhos são bem semelhantes aos das mulheres ocidentais. É claro que existe o machismo e o peso da tradição, mas é bem divertido ver o tipo de fofoca com as quais elas estão lidando. Por exemplo:

  • Uma mulher, mãe de quatro filhas, mas que nunca viu um pênis na vida.
  • Uma que diz que ser a amante de um homem casado é o melhor papel.
  • Uma que procurou uma feiticeira e fez um trabalhinho 'sujo' na tentativa de se casar com o seu amante.
  • A frequência do 'bordado' entre as mulheres, que tem vida sexual ativa enquanto solteiras mas fazem a cirurgia para o casamento.

Em resumo: é algo que vale muito a pena ler. É uma leitura rápida e muito divertida. Dá para esquecer dos problemas e dar boas risadas. E a classificação é... quatro corujinhas. Sim, quatro porque o livro é curto.

Bom, acho que já mencionei antes que sou uma fã dos trabalhos das irmãs Brontë, não é mesmo? E assim como ocorre com Jane Austen, meu interesse não se limita somente as obras originais de Charlotte, Emily e Anne. Por sorte calhei de descobrir esse amor na hora certa já que apenas os famosos "Jane Eyre" e "O morro dos ventos uivantes" - e suas respectivas adaptações para o cinema - não seriam o suficiente.

Hoje temos acesso não somente as obras mais famosas mas também as menos conhecidas, os spin-offs e também biografias romanceadas. E em meio a esse interesse recém descoberto, não pude deixar de lado a oportunidade de ler algumas dessas obras, especialmente os demais trabalhos originais das irmãs Esse é o caso de "Shirley", escrito pela irmã mais famosa do trio.

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ShirleyAutora: Charlotte Brontë
Editora Pedrazul | 397 páginas
Nas profundezas da Yorkshire rural, Briarfield, por volta de 1811, as guerras napoleônicas causavam grandes transtornos. O comércio estava péssimo, comerciantes enfrentavam a bancarrota e usineiros como, Robert Moore, um jovem e ambicioso cavalheiro, se via forçado a lutar para manter o seu negócio. É neste cenário, em que a ordem social de toda a região estava abalada, que a vibrante, emancipada, inteligente e misteriosa jovem herdeira, Shirley Keeldar, retorna à mansão de Fieldhead. Obstinada, assim que ela toma posse da grande quantidade de terra, da casa e do imóvel onde funcionava o moinho de Robert Moore, muita coisa começa a mudar na região. Rapidamente se torna amiga íntima da órfã e delicada Caroline, uma menina muito bonita, sobrinha do reverendo anglicano Helstone. Shirley guarda um segredo, mas isso não impede que todos os homens elegíveis do município, assim que souberam de sua chegada e fortuna, lhe propusessem casamento. Exceto Moore que, preocupado com seu negócio, não dava muita atenção ao assunto, muito menos a uma das jovens que era secretamente apaixonada por ele. Intrigas, rebeliões, doenças, solidão, orgulho e paixão marcam este romance que, no final, os verdadeiros sentimentos, finalmente, vêm à luz e a verdade é descoberta.

Lançado em 1849, "Shirley"foi seu segundo romance publicado, ganhando as ruas após "Jane Eyre". Logo em seu título temos uma particularidade e tanto: na época, Shirley era um nome incomum, e considerado masculino o que serviu bem para ajudar na delimitação da personagem título e dar o tom de sua personalidade como veremos mais adiante.

Dentre as protagonistas temos Shirley Keeldar e Caroline Helstone. Elas apresentam personalidades bem opostas: Shirley é ousada, obstinada e valoriza sua independência, o que definitivamente era bastante ousado para aqueles tempos: em suma, ela tem nome e atitudes também consideradas masculinas. Já Caroline Helstone é meiga, sensível e tímida, porém não menos inteligente. E embora sejam personalidades opostas, trata-se de uma amizade bastante duradoura. Também é possível dizer que os opostos se atraem não somente no amor.

Narrada em terceira pessoa por um narrador onisciente e sem nome, a escrita é fluida e não apresenta grandes dificuldades para acompanhar a trama. Logo em seu início podemos ver uma das marcas registradas de Charlotte que é uma escrita bastante sagaz e repleta de finas ironias e é bastante convidativa até o aparecimento das protagonistas. Isso reduz a sensação de 'encheção de linguiça' que muita gente detesta nos clássicos.

Falando nelas, tanto Caroline quanto Shirley são personagens muito ricas em personalidade e força, cada uma a sua maneira. Charlotte não economizou em palavras ao criá-las ou descrever suas emoções e isso se traduziu em personagens bastante críveis e capazes de despertar afeição por parte dos leitores. Essa é uma boa marca nos trabalhos da autora e uma das coisas que mais gosto de apreciar quando leio suas obras.

Tal como "Jane Eyre" temos em jogo temas como independência feminina e fortes amores, porém também podemos contar com um plano de fundo bem mais agitado. O caos das guerras napoleônicas não são somente pano de fundo, mas representam parte fundamental da história, o que a tornou bastante dinâmica em termos de ação. Se em sua obra mais famosa, a história pessoal da protagonista e a personalidade de Mr. Rochester era capaz de preencher páginas e mais páginas sem que sentíssemos tanta falta de acontecimentos externos, "Shirley" traz conflitos muito interessantes a baila e sem soar como aula de história.

Da esquerda para a direita: Anne, Emily e Charlotte Brontë, retratadas pelo irmão Branwell.

Esse livro também traz mais informações interessantes sobre a autora: como todas as obras de Charlotte, também temos aqui uma boa dose de coisas pessoais. De acordo com estudiosos, Shirley foi baseada no que Charlotte imaginava de Emily ("O Morro dos Ventos Uivantes") caso tivesse nascido em uma família rica, onde sua personalidade obstinada pudesse prevalecer e se sobressair sem que houvesse dificuldades.

Já sobre Caroline, o comentário é que suas características se basearam em Anne ("A Moradora de Wildfell Hall") descrita como doce, conciliadora e reservada. A tese sobre Caroline também desperta algumas dúvidas já que em diversos momentos ela se assemelha muito ao que já foi escrito sobre a própria Chalotte, mas de todo modo isso serve para mostrar o quanto a autora usou de sua própria vida para criar suas tramas.

Como fã de Charlotte Brontë e que, além desta obra também já leu "Jane Eyre" e "Vilette", devo dizer que estamos falando de um livro muito interessante. Tal como 'Jane Eyre', temos o encanto de uma boa narrativa, bastante fluida e também mordaz em vários momentos. Eu me senti grudada no livro, porém quase ao fim senti como se a trama tivesse perdido o foco. Os atos que se desenrolam para levar ao desfecho me pareceram que Charlotte estava com pressa em terminar o livro e sem inspiração para encontrar novas saídas (aliás, um panorama muito reconhecido no mercado literário de todos os tempos.). Mas devo dizer que isso não diminui em nada o brilho da história.

Enfim, devo dizer que esse é o meu segundo colocado no ranking dos preferidos de Charlotte Bronte. Ok, não que signifique muita coisa, afinal ela escreveu somente quatro livros, mas como já li três deles, creio que seja um Top 3 válido, pelo menos até que eu consiga ler "The Professor". Ate lá, "Shirley" é uma leitura que vale muito a pena!

Quatro corujas para essa belezinha! (sim, eu disse isso. Processe-me)

Não é segredo para ninguém que minhas últimas semanas não foram nada fáceis. Problemas se acumulando, imprevistos surgindo e além de tudo isso, uma tremenda falta de ânimo para me envolver com leitura. Isso fez com que eu ficasse sem válvulas de escape, já que os livros costumam ser as melhores ferramentas para me distrair. Ou seja: eu estava em meio a uma ressaca literária.

Siga a @manunajjar

Imagem: Não achei nem na busca reversa do Google. Quem souber me avise, please!
Os sintomas da ressaca literária são facilmente identificáveis pelo menos no meu caso: concentração dispersa, 'cabeça cheia', falta de vontade de sequer olhar para a estante ou para o Kindle, desânimo notável pela ideia de ter que escolher algo para ler. Sintomas que são péssimos para quem é leitora quase compulsiva. 

Além do estresse, algumas ressacas literárias acontecem após ter lido um livro muito bom. Eu mesma já passei por isso depois de livros como "Americanah" e "Ardil-22". Aliás, devo dizer que esse tipo representa a maioria das ocorrências do problema . Não que exista algum número ou pesquisa nesse sentido, isso é apenas um achismo. 

Imagem: Editora Arqueiro

Seja como for, durante esse período vi muita gente falando que estava passando por algo parecido e também usando o nome de 'ressaca literária' para nomear esse período tenso na vida de qualquer leitor A maioria dessas pessoas eram marinheiras de primeira viagem nesse assunto, portanto acho que vale compartilhar algumas dicas sobre o que fazer: 

1. Leia livros de não-ficção: Muitas vezes minha ressaca literária é reflexo do excesso de livros que leio. Com isso minha mente fica cheia de histórias e simplesmente pede tempo para conseguir digerir os assuntos, especialmente se as últimas leituras forem de livros densos. Nesse caso, os livros de não-ficção - especialmente as biografias - são armas bastante valiosas. No meu caso, esse tipo de obra é capaz de 'limpar a mente' e preparar o espírito para uma próxima leitura.

2. Leia livros de outro gênero: Comecei a sair da minha última ressaca literária quando resolvi ler uma distopia após uma sequência de romances e new adults. Na ocasião apelei para eles devido ao fato de precisar de uma leitura leve, mas com o tempo a temática começou a me intoxicar. Para acabar com os excessos lancei mão de uma alternativa completamente diferente em gênero literário. E funcionou. Pode ser que a mudança de ares possa fazer bem também no seu caso.

3. Apele para o seu guilty pleasure: Sabe aqueles livros que são um tremendo prazer culpado e que temos vergonha de assumir que lemos? Então, eles são boas ferramentas contra a ressaca  literária. O meu guilty pleasure são romances da Harlequin. Não sou leitora fiel, mas se a sinopse é boa gasto meus R$ 9,90 ou um pouco mais em ebooks desse tipo.

4. Respire fundo e espere passar: Essa poderia ser a primeira alternativa, mas eu sou muito impaciente para me dar essa folga a menos que seja necessário. Mas se o seu cérebro está pedindo arrego vale a pena tentar dar esse descanso a ele antes de tentar qualquer uma das alternativas acima. Vá fazer outra coisa e tente não se preocupar com isso. Quando menos esperar sua vontade de ler vai dar o ar da graça.  

E você? Tem algum truque para fugir dessa dita-cuja? 
Tcharaaaan! Overdosando (essa palavra existe?) de posts durante a semana após um longo período de abstinência! E a culpada por isso é a Lady Sybylla, que me incluiu na TAG Liebster Award. Convenientemente eu estive sem internet durante um longo período e ela não me falou nadinha... até a hora que resolveu soltar a bomba.



E siiim! Responderei a TAG, que segue algumas regrinhas:

  • Escrever 11 fatos sobre você
  • Responder as perguntas de quem te indicou a TAG
  • Indicar de 11 a 20 blogs
  • Fazer 11 perguntas para quem você indicar
  • Inserir no post uma imagem com o selo Liebster Award
  • Linkar de volta quem indicou.

Sim, responderei, mas com algumas alterações: eu não tenho 11 blogs a quem indicar. Aliás dá para contar nos dedos os blogs que conheço e por serem muito mais antenados do que eu provavelmente já responderam a TAG. Portanto, sem indicações e nem sugestões de novas perguntas.


11 fatos sobre mim:



1. Aprendi a ler através de gibis: 

Meus pais comentam que, para variar um pouco no acervo de histórias infantis, eles compravam gibis da Turma da Mônica. Com o passar do tempo - e a medida em que fui aprendendo a ler - acabei dispensando a ajuda deles e tentava ler sozinha. Ainda tenho alguns em casa, inclusive o almanacão dos 30 anos.

2. Não tenho o menor problema com spoilers:
Perdi as contas de quantos livros eu li já sabendo qual seria o final. Meu foco é o desenvolvimento da história, portanto não estou nem aí para possíveis revelações de enredo.

3. Adoro Jane Austen:
Comecei a ler Jane Austen enquanto estava na faculdade, mas não pude prosseguir na leitura, porém, anos depois conheci melhor o trabalho dela e hoje tento manter um acervo de livros da autora e de trabalhos baseados em sua obra. Aaaamo!

4. Adoro as irmãs Brontë:
Não lembro como me interessei pelo trabalho delas, mas o primeiro livro que li foi "Jane Eyre". Depois disso, minha relação com os livros das irmãs é a mesma que tenho com os de Jane Austen. Aliás, gostaria que houvesse mais de Anne Brontë para ler.

5. Sou autora de fanfics:
Se alguém conhece o blog Limão em Limonada, sabe que sou autora e já escrevi vários posts sobre o universo das fanfics e suas semelhanças com a blogosfera. Hoje o blog está fora do ar devido ao maravilhoso serviço #sqn do Uol Host, mas pretendo resgatá-lo algum dia. E não, minha identidade de ficwriter é secretíssima então não vou falar mais nada sobre isso.

6. Sou noveleira: 
Na prática devo dizer que gosto de ficção, e isso inclui as famigeradas e injustiçadas telenovelas. Gosto tanto do tema que ele foi parte fundamental do meu TCC na graduação em Jornalismo. Não aguento ouvir gente dizendo "desligue a TV e vá ler um livro" quando a discussão é telenovela já que o problema é o fato de o veículo TV ser dirigido a massa e portanto utilizado como sinônimo de alienação. Dizem que novela não presta pra nada, que "só mostra mau exemplo e ensina o que não presta" mas essas mesmas pessoas nunca se tocaram sobre o contexto em que os grandes clássicos da literatura foram publicados. Infelizmente não tenho mais a mesma paciência para assistí-las, portanto estou desatualizada.

7. Não gosto de livros narrados em 1ª pessoa:
Sou muito sistemática a respeito do que leio e escrevo (pelo menos no que diz respeito a ficção), e a sensação que tenho é que estou lendo um monólogo interior ininterrupto, o que é bem chato e cansativo. Outro ponto é que a descrição de cenas como ação sempre soa muito mais difícil tanto na escrita quanto na leitura. Muitos autores querem escrever com esse recurso, especialmente os iniciantes, mas poucos tem jeito para isso.

8. Não tenho a menor paciência para ler cenas eróticas:
Sério. Não gosto, não consigo, nem tenho paciência para descrições imensas sobre foda. Li "Cinquenta Tons de Whatever", mas não fiz a menor questão de ler o que era erótico, sem contar que  o pouco das cenas que tentei ler provocaram uma sensação de vergonha alheia sem precedentes. #DesculpaSociedade

9. Leio romances da Harlequin: 
Sim, esse é o meu guilty pleasure e leio especialmente se estiver deprimida. E sim, embora as fórmulas sejam desgastadas (macho alfa, milionário grego ou sheik, órfãos ou filhos de pais omissos, casamentos por conveniência e blábláblá) e também haja cenas de sexo (ler item 8), ainda considero um entretenimento bastante válido.

(Não, não leio os protagonizados por sheiks. Isso aí já é forçar a barra além do limite...)

10. Não tenho problemas para ler no ônibus ou no carro:
Muita gente sente enjoos quando tenta ler dentro do ônibus ou enquanto está no carro (não enquanto está dirigindo, dãããã). Eu, pelo contrário, consigo até mesmo escrever se a estrada estiver em boas condições. Aliás, grande parte das minhas leituras de TCC foram feitas dentro do ônibus mesmo.

11. Não ligo para adaptações cinematográficas de livros: 
Na prática, o que acontece é que posso facilmente passar anos sem ir ao cinema. (Aliás, o último filme que vi no cinema foi a primeira parte do último filme de Harry Potter - As Relíquias da Morte - sendo que nunca assisti os anteriores), portanto o assunto não faz grande diferença para mim. Trato as adaptações cinematográficas ou para a TV como fanfics da obra original, o que torna as discrepâncias muito mais palatáveis e gera muito menos estresse... (aliás, nem sei porque as pessoas se estressam justamente por isso...)


As perguntas:

1. O hábito da leitura vem de onde? 
De casa! Meus pais sempre gostaram muito de ler, portanto cresci como leitora e não abro mão da leitura por nada.

2. Você prefere livros físicos, ebooks ou os dois?
Os dois. Para falar a verdade não entendo essa frescura de 'sentir o cheiro do livro'. Pelamor, o importante é ler. Se eu gosto do livro, faço questão de ter os dois, mas francamente não me importo com a plataforma, mas o e-reader dá um banho em termos de praticidade.

3. Você tem e-reader?
Atualmente tenho um Kindle Paperwhite de primeira geração. Já tive um Kindle com botões (o primeiro a venda no Brasil) e um Kobo Glo, que hoje está com minha mãe. Adoro e-readers! Minha vida de leitora ficou super prática!

4. Qual o seu gênero literário preferido?
Não tenho exatamente um gênero literário preferido, mas normalmente leio dramas e romances com mais frequência que outros gêneros.

5. Lê literatura brasileira?
Leio, mas não tenho muito contato com a literatura brasileira clássica ou os autores consagrados. Leio com mais frequência os contemporâneos, como é o caso da Leticia Wierzchowski e do Daniel Galera.

6. Gosta de ler resenhas antes de comprar um livro?
Sim: normalmente as resenhas já indicam se o livro promete ser bom ou se vou perder tempo caso decida comprá-lo sem nenhuma outra informação.

7. Qual sua série literária favorita?
Não costumo acompanhar séries literárias, detesto esperar (maldito seja George R.R Martin), mas amo a trilogia 1Q84, do Haruki Murakami.

8. Lê, em média, quantos livros por mês?
Vish, não tenho nem ideia. De dois a três. Se for um bom mês chego até a ler quatro.

9. Tem preconceito com algum gênero literário? Por que?
Tenho com livros eróticos. Na verdade não tenho paciência para ler algo com a maioria da história feita por pegação ou por detalhes milimétricos de anatomia e 5986597698 páginas de gente se comendo. (Sim, acontece com frequência, tanto em livros quanto com fanfics) 

10. Compra livros online ou prefere ir à livraria?
Compro muito pela internet, porque não tem livrarias por perto, sem contar que os descontos costumam ser muito bons. O problema é que fico ansiosa com a entrega. E se eu estiver em uma livraria, é certeza sair com alguma compra, mas normalmente ela é planejada com antecedência. 

11. Autor ou autora da qual você não perde um livro sequer?
Uh! São vários autores, mas Leticia Wierzchowski, Xinran e Haruki Murakami (dois quais ainda não consegui ler todos) são os que tento acompanhar com mais frequência.

Ufa, terminou! E como mencionei anteriormente, não conheço blogs suficientes para fazer indicação para a tag nem sugestão de perguntas. Nesse caso encerro por aqui :-)

Até mais!
E lá vamos nós para a primeira resenha de 2015! Ok, com um ligeiro atraso de 13 ou 14 livros (e mais uns três ou quatro guilty pleasures que nem conto como leitura), porém antes tarde do que nunca. Mesmo porque, eu demorei eras até pensar em resenhar esse livro. Foi algo bastante difícil de ler, de refletir e escrever.

Então, vamos lá:


Ardil-22Autor: Joseph Heller
Editora: BestBolso | 560 páginasAmbientado na Segunda Guerra Mundial, este clássico antibelicista e satírico consagrou Joseph Heller no meio literário. Ardil-22 foi livremente inspirado nas próprias experiências de Heller, que entrou para a United States Army Air Corps e aos 20 anos foi enviado para a Itália, onde voou em 60 missões de combate como bombardeador em um B-25. Este primeiro romance do autor foi aclamado pela crítica inglesa ao enfatizar, de modo irônico, o absurdo da guerra e as atrocidades cometidas nos campos de batalha. O livro inspirou o filme de guerra homônimo dirigido por Mike Nichols, uma peça de teatro apresentada no John Drew Theater de Nova York, a comédia M.A.S.H. de Robert Altman sobre a Guerra da Coreia e, mais recentemente,o 66º episódio da série televisiva Lost, intitulado Catch-22. Um clássico mais que atual nos dias belicosos de hoje.

Esse livro tem uma história pessoal. É um daqueles que conheci através do canal da Tatiane Feltrin e tive curiosidade em ler: algo que acontece com uma certa frequência. O problema é que, entre o dia da compra e o dia em que pude colocar um ponto final nessa resenha, vários meses se passaram e muita água correu nesse rio. E sim, tive sérios bloqueios tanto para ler e persistir na leitura quanto para escrever alguma coisa a respeito.

O que aconteceu foi o seguinte: durante minhas tentativas eu mal conseguia chegar até a página 20. Os vai-e-vem da narrativa me irritavam o suficiente para colocar o livro de lado e adiar novas incursões. Até que um dia, após meses de enrolação, resolvi tentar mais uma vez e prossegui. E demorei na leitura, me envolvi até o momento em que as páginas terminaram, os post-its sumiram (e misteriosamente apareceram colados no livro) e perceber o quanto seria difícil resenhá-lo. E o quanto muito do que se pode falar a respeito dele pode soar como spoiler, o que complica bastante uma missão que já soa quase impossível.

Bom: na prática temos um livro com uma narrativa não-linear, cujas voltas e reviravoltas - especialmente nos trechos de ironia - podem deixar leitores confusos e irritados, mas o avançar das páginas vai deixando o humor de lado até sobrar muito pelo qual é necessário refletir. É uma obra que requer paciência e pode acabar subestimada caso haja pressa em formar uma opinião a seu respeito, principalmente em seus primeiros capítulos.

A ironia, que é a qualidade mais citada na obra, pra mim foi bastante irritante quando soava em excesso. Não que seja um defeito do livro, mas sim um propósito: em certas situações ela representava a descrição de uma situação tão complicada de entender que chegava a dar um verdadeiro nó naquilo que eu julgava estar compreendendo. Porque sim: a guerra é absurda, irônica e cheia de voltas até que alguém se dê conta do quanto isso a representa, não como apenas um recurso de narração, mas uma situação real.

Após a metade do livro esses absurdos e ironias vão perdendo o ar de inocência, ou a comicidade. Eles passam a adquirir o ar de realidade, daquela sensação de impunidade que conhecemos tão bem quando ela é infligida contra nós. Passam a ter o gosto metálico do reconhecimento daquelas verdades que nos atingem porém pouco paramos para refletir sobre seu significado.

"Ardil-22" é um livro repleto de socos no estômago, especialmente quando temos um olhar atento sobre aquilo que nos cerca. Talvez por isso seja tão impossível resenhá-lo de uma forma coerente (ou pode ser uma incapacidade minha mesmo, não nego essa possibilidade).

Entretenimento? O livro é bem mais que isso. Leia com paciência e cada página poderá valer muito a pena.

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