twitter facebook instagram
Tecnologia do Blogger.
  • Home
  • Índice

A Garota da Biblioteca

Lembra quando mencionei sobre o fato de eu ler como se estivesse em uma maratona? Pois é, esse livro tem uma história. Eu comecei e terminei de lê-lo no mesmo dia em que terminei "A garota que você deixou para trás", em um domingo de tédio no qual estive offline. Não é a primeira vez que emendo um livro no outro, mas foi a primeira com a qual conseguir atingir um estado de exaustão mental.

Quando terminei o livro de Jojo Moyer, quis me envolver com uma leitura diferente. Nada de dramas ou romances, pelo menos após uma série anterior de leituras bem carregadas. Vasculhei o que tinha disponível no Kindle e acabei me deparando com a perspectiva de me envolver com algo do nosso querido João Verde (ok, infame, mas tudo bem.).


O Teorema Katherine - John Green
Editora Intríseca - 304 páginas
Após seu mais recente e traumático pé na bunda - o décimo nono de sua ainda jovem vida, todos perpetrados por namoradas de nome Katherine - Colin Singleton resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e o melhor amigo no carona, o ex-criança prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar o fora, descobre sua verdadeira missão: elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam. Uma descoberta que vai entrar para a história, vai vingar séculos de injusta vantagem entre Terminantes e Terminados e, enfim, elevará Colin Singleton diretamente ao distinto posto de gênio da humanidade. Também, é claro, vai ajudá-lo a reconquistar sua garota. Ou, pelo menos, é isso o que ele espera.

Antes de mais nada, conheci John Green por causa de "A culpa é das estrelas", e por sorte foi antes de o livro ter estourado no Brasil. Embora eu o tenha conhecido através de seu "marco profissional", não esperei nada com o qual pudesse fazer uma comparação. Simplesmente não há o menor sentido em querer fazer uma comparação a não ser pelas referências nerds então essa percepção já foi o bastante para me livrar do lugar comum dos fãs alucinados pelo "Okay, Okay". Nesse caso, vamos lá:

Dentre os livros que já li do John Green, este foi o menos interessante. Os que li até o momento foram: "A culpa é das estrelas", "Will Grayson, Will Grayson", e "Cidades de Papel", nessa ordem. E embora tenha personagens legais, "O Teorema Katherine" não me conquistou. Em primeiro pelo tamanho das referências matemáticas, afinal um livro que fala em teoremas tem de ter matemática (dãããã...). Eu tenho sérios problemas com matemática, números e exatas em geral, simplesmente não rola. Em segundo porque, ao contrário dos outros livros, não teve uma ação concreta, algo que interessasse ao leitor. Ou melhor, a ação que deveria ser o ápice veio no começo do texto, portanto as situações de pico nas quais Colin se envolveu posteriormente não tinham um auge. Pelo menos não como eu esperava, então embora houvessem passagens de humor bem interessantes, na prática o livro era maçante.

De qualquer modo, consegui gostar MUITO de Hassan e do rabecão de satã. Figuras impagáveis e que fizeram o livro valer a pena enquanto Colin estava perdido demais em sua fossa e em seu desespero para transcender o prodígio em busca da genialidade, o que aparentemente se passou em uns 90% do livro. Essa busca, além das histórias com "Katherines" em si são o que há de mais importante para saber. Ele não quer ser o mero digitador, o mero imitador. Ele quer ser o criador, o autor, o gênio. É fácil entender o desejo dele enquanto se é adolescente. Quem não quer ser importante? Fazer algo de representativo no mundo? É um desejo normal, mas no caso de Colin é uma obsessão, e é nesse sentido que se dará o seu aprendizado, por isso mesmo é um livro no qual a ação não é exatamente uma "ação".

Uma obra interessante para quem tem alguma afinidade para exatas e paciência para as agruras jovens. Minha empatia pelo período de adolescência não é exatamente tão grande quanto deveria. Por isso duas corujas é o máximo que consigo oferecer em classificação ao livro.

Durante os últimos dias, a leitura tem sido como uma maratona para mim. Quando percebo, noto que estou lendo um livro atrás do outro e isso me desgasta, porque é bem fácil ultrapassar os limites especialmente quando você tem métodos suficientes para driblar a questão do horário (maldito Kindle Paperwhite e sua luz interna salvadora). E foi nesse embalo que eu li A garota que você deixou para trás de Jojo Moyes:


A Garota que Você Deixou para Trás - Jojo Moyes
Editora Intríseca - 384 páginas.
Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo — a família, a reputação e a vida — na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra. Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.

O livro é dividido em dois tempos distintos e tipos narrativos, alternando a narração em 1ª pessoa, na voz de Sophie, e a 3ª, para seguir a história de Liv. Não sou muito chegada a esses capítulos em vozes alternadas , mas a escolha faz sentido, visto o contexto em que a história se dá, onde a única (ou quase) que pode narrar por Sophie é ela mesma, enquanto o que diz respeito a Liv e a sua luta pelo quadro, deve ser narrado em tom concreto, sem grandes dúvidas para o leitor.

Dito isso, devo mencionar algo surpreendente (pelo menos em se tratando de mim): senti empatia pela maioria dos personagens especialmente por Sophie. Foi uma das poucas vezes que uma narrativa em primeira pessoa me fisga a ponto de me embalar em uma história, pude imaginar e vivenciar o ambiente e seus gestos de uma maneira palpável e isso é o auge de um leitor. No caso de Liv, tive momentos de oscilação em minha empatia - há passagens onde ela fica realmente insuportável. - mas, ainda assim, o saldo é positivo. E isso é um ALÍVIO tendo em vista que tenho me tornado um ser intolerante com a burrice crônica de alguns personagens, mas posso ter paciência dependendo do contexto de suas histórias.

Outro ponto interessante é que se trata de um livro cheio de reviravoltas. Posso até  ousar dizer que esse é tão movimentado quanto livros da Lucinda Riley (acredite: se eu estou usando essa autora como parâmetro, o negócio vai longe.) só que neste caso, com uma melhor qualidade, pelo menos na minha opinião.

Com relação ao seu trabalho anterior, não há grandes semelhanças no tipo de texto usado em "Como eu era antes de você" e "A garota que você deixou para trás". Nem era de se esperar algo parecido, afinal são histórias e contextos bem diferentes, embora a comparação seja inevitável nesse sentido: a editora seguiu o padrão da capa de "Como eu era antes de você" para lançar o novo livro. Levando a semelhança dos títulos em consideração e sem olhar a sinopse, dá  até para pensar que se trata de um livro sequência.

Enfim, se você gosta de romance e uma pitada de drama, esse livro pode ser uma excelente pedida. Apesar de serem 384 páginas, elas vão passar bem rápido.

Quatro corujas!

Bom, eu disse para mim mesma que, após sair de um drama super-pesado como foi o caso de "A Árvore das Lágrimas", eu passaria para um livro que pudesse me trazer um pouco mais de alegria. Mas claro que algo tinha de aparecer para mudar as coisas, e nesse caso foi minha própria teimosia.

Tentando usar um pouco mais o meu tablet (sim, eu tenho um que quase não uso), instalei alguns apps de leitura, o que inclui os referentes ao Kobo e ao Kindle, já que possuo ebooks comprados pelos dois sites. Isso foi o bastante para me fazer lembrar que tinha o ebook "O céu está em todo lugar" para ler. Um livro no qual há tempos estive interessada, mas cujo serviço incrível fantástico fenomenal da Editora Novo Conceito me fez adiar a leitura quase a ponto de desistir.

A razão? O ebook veio com a fonte colorida. As letras possuiam a cor azul escuro, cujo resultado é a reprodução de tons de cinza, ao invés do adequado preto para a leitura. O que não facilita a vida de quem tem um e-reader pois a falta de contraste faz com que a cor da fonte não tenha muita diferença com a cor da tela. Assim que percebi o problema, enviei um email para a Novo Conceito, que após semanas, me responderam que dariam um jeito na situação, mas não resolveram até hoje... mais de quatro meses após o primeiro contato.

Foram meses e meses penando e lendo apenas cerca das dez primeiras páginas antes de abrir mão da leitura. Só na última semana me lembrei do livro devido a instalação dos apps no tablet. No fim acabei indo para o aplicativo da Kobo, e para não ser obrigada a me deparar com aquele azul que detona os olhos, coloquei a leitura para a configuração "noite", que deixa o fundo da página em preto e a fonte em branco.

Ler no tablet (odeio!) foi o único jeito. Obrigada, Novo Conceito! #sqn

Não foi uma leitura exatamente confortável nos termos visuais, mas pelo menos passou a ser tolerável (com a página branca não rola, e a função "sépia" apenas azula a página no caso desse ebook. E resolvidos os transtornos iniciais, lá fui eu para mais uma história de perda.


O Céu Está em Todo Lugar - Jandy Nelson
Editora: Novo Conceito - 424 páginas
Este é um livro de estreia vibrante, profundamente romântico e imperdível. Lennie Walker, de dezessete anos de idade, gasta seu tempo de forma segura e feliz às sombras de sua irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre abruptamente, Lennie é catapultada para o centro do palco de sua própria vida - e, apesar de sua inexistente história com os meninos, inesperadamente se encontra lutando para equilibrar dois. Toby era o namorado de Bailey, cujos sentimentos de tristeza Lennie também sente. Joe é o garoto novo da cidade, com um sorriso quase mágico. Um garoto a tira da tristeza, o outro se consola com ela. Mas os dois não podem colidir sem que o mundo de Lennie exploda...

Então, vamos ao livro: sabe o que mencionei antes sobre empatia? Pois é, demorei muito a ter algum tipo de empatia por Lennie. E ainda saí no lucro pois houveram livros pelo qual não fui capaz de sustentar empatia nenhuma pela maioria dos personagens. O livro mesmo só passou a ser mais do que uma ladainha sobre perda e solidão e se tornou interessante para mim beeeem depois da metade. O que significa que foram várias, várias e várias páginas apenas de lamúria, luto e de confusões mentais da personagem (que é muito, muito muito, MUITO, confusa mesmo), o que pode ser normal para quem leu e releu "O Morro dos Ventos Uivantes" 23 vezes.

Por vezes tive a impressão de que houve passagens de tempo e gestos simplesmente omitidas e tive dificuldades em entender esses trechos, tendo de reler até que fizesse algum sentido. Na realidade, qualquer processo de luto é arrastado por si só, mas a confusão mental de Lennie definitivamente não ajudava em nada.

Mas ok, que tipo de adolescente não é confuso? Minha tolerância ficou bem maior após "Páginas de uma História", portanto prossegui, mesmo meu lema particular sendo "a vida é curta para insistir em um livro ruim".  E continuei até simplesmente ser fisgada por Joe e por toda a família Fontaine, que me levaram no embalo pelo restante do livro. Os personagens são fascinantes! Especialmente Joe, que me deixou realmente feliz por ter suportado a nuvem pesada da personalidade de Lennie por tanto tempo.

Joe, seu lindo! Você acabou carregando esse livro nas costas! Gosto tanto de você quanto gosto do Sr. Darcy, de "Orgulho e Preconceito".

Páginas e páginas se passaram de forma simples, não porque a leitura passou a ser leve, mas porque a confusão mental de Lennie simplesmente passou a ser dirigida para além do luto e suas referências culturais que me obrigaram a recorrer trocentas vezes às notas de rodapé até o momento em que desisti pois estava quebrando o ritmo da leitura. Mas no fim, valeu a pena. Não foi tempo perdido, e terei coisas boas para levar deste livro, um lugarzinho cativo na minha memória.

Se você é um leitor com paciência, está aí um bom livro, mas que carece de um pouco de esforço para chegar lá. Diante disso, três corujas me parece a classificação ideal.

Nos últimos dias estive muito envolvida com livros físicos. Por alguns dias, deixei de lado o meu Kindle e me dediquei a leitura dos livros novos que comprei no Submarino. Um destes foi "A Árvore das Lágrimas", que comprei não por recomendação de amigos ou por ser um bestseller (não, não é, pelo menos não no Brasil). Simplesmente vi a sinopse e resolvi me arriscar, já que a intuição dizia ser uma coisa boa desde o primeiro olhar. E não me arrependi. O impacto foi tão forte há uns dois ou três dias não consegui pegar em outro livro ou me arriscar a sequer escolher outro nesse meio tempo.

A Árvore de Lágrimas


A Árvore das Lágrimas
Naseem Rakha
Editora: Suma das Letras - 352 páginas
Irene e Nate Stanley viviam bem com os filhos Bliss e Shep na fazenda da família até Nate anunciar que recebeu uma proposta de trabalho irrecusável em outro estado. Irene reage mal à notícia. Parece pressentir que algo de ruim vai acontecer. Quando a família começa a se ambientar ao novo lar e finalmente digerir a mudança, os temores de Irene se concretizam: Shep, aos 15 anos, é morto a tiros num aparente assalto à casa da família. O assassino, Daniel Robbin, um jovem mecânico com extensa ficha criminal, é capturado e recebe a pena de morte. Muito tempo depois, Irene ainda não conseguiu superar a perda do filho. Seus anos seguintes resumem-se na ansiosa espera pela execução de Daniel. A angústia e o desespero que sente são tamanhos que Irene cogita buscar contato com o assassino, trocar cartas com ele e tentar entender seus motivos. Tentar perdoá-lo e, assim, quem sabe colocar um ponto final em toda a dor. Uma decisão difícil de explicar à família e que, por isso mesmo, ela esconde pelo maior tempo possível. Quando a data da execução se aproxima, as emoções de todos estão à flor da pele. Os Stanley ficam frente a frente com as feridas do passado e Irene vê que não é a única a guardar segredos. Todos ali carregam feridas pessoais e que só podem ser superadas se estiverem dispostos a lidar com a tolerância e o perdão.

Antes de mais nada devo dizer que trata-se de um drama muitíssimo bem escrito e muito forte também. É tão bem escrito que é muito fácil você sentir ódio à primeira vista por alguns personagens, e olha que eu senti ódio imediato por praticamente todos, até mesmo pelos protagonistas, salvo raras exceções. Odiei desde o início Irene, Bliss e Carol (irmã de Irene) e essa impressão não se desfez nem mesmo quando o fim finalmente chegou.

E não posso dizer que minha antipatia por elas tenha sido exatamente negativa: o nojo que peguei por Irene e por Carol me fez ir mais rápido para ver onde isso iria dar. Também senti raiva de Nate e isso se justifica a medida que o livro avança, mas o que senti, ao me deparar com todos os que me despertaram o ódio puro e espontâneo foi que finalmente estava diante de personagens verdadeiros o bastante para me envolver emocionalmente com o que lia a ponto de ter um nó permanente na garganta a cada página, a cada frase. Isso é lucro. Um lucro tremendo ver um escritor capaz de causar tantas reações distintas em seus leitores.

Outro ponto importante a ressaltar é que não é necessário mais que dez páginas para entender algo importante acerca de Shep. Algo que não posso contar visto que seria spoiler, (e tem gente que leva esse tipo de coisa a sério demais), mas que fará várias coisas ao longo do livro serem mais compreensíveis e também incrivelmente bem construídas, seguindo em direção a um final imprevisível e comovente.

Para quem gosta de drama (drama de verdade) é um livro muito bem recomendado. Quatro corujas e muitas lágrimas diante desse livro, sério mesmo.

Creio que não deva ser uma novidade o fato de que eu gosto de literatura sobre mulheres. Que fique claro que isso não é o mesmo que literatura feminina, ou chick-lits (embora eu também goste). Estou falando em livros que contem a história de mulheres, especialmente as que vivem em lugares inóspitos ou enfrentam desafios quase inimagináveis para seguir a vida cotidiana. De livros que falam sobre pessoas como Malala Yousafzai e Ayaan Hirsi Ali e de outras mulheres que não necessariamente sejam famosas, mas ainda assim admiráveis. Portanto, não deve ser exatamente uma surpresa o meu gosto pelos livros de Xinran.

Xinran é uma jornalista chinesa. Não escreveu nenhum bestseller com expressão no Brasil, mas me lembro que desde o dia em que vi uma notinha em uma sessão de literatura de uma revista feminina, fiquei com um dos seus livros em mente e uma vontade imensa de ler. Este livro era "As Boas Mulheres da China", que retrata as histórias que Xinran tomou conhecimento enquanto foi a apresentadora do programa de rádio "Palavras na brisa noturna", entre 1989 e 1997. Histórias de mulheres que há muito suportavam o preconceito e a humilhação por sua condição feminina. Este foi o primeiro livro que li inteiramente usando o computador (sim, eu fiz essa cagada) e o comprei assim que pude. Nunca consegui tirar as histórias de minha mente.

Mais tarde, adquiri o ebook de "Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida", que fala sobre as mulheres que não puderam vivenciar a maternidade por terem tidos bebê do sexo feminino onde, por força de tradição e também política, apenas os filhos homens são valorizados. Uma obra que faria muito marmanjo cair no choro, de verdade. Um livro que entrou para minha lista de preferidos e ao qual não descansei até comprar o impresso. E nesta mesma leva, comprei "As filhas sem nome", que também era algo que queria ler há muito tempo, mas o dinheiro era curto para comprar.

Enfim: confira:


Título: As filhas sem nome
Autora: Xinran
Editora: Companhia das Letras - 296 páginas
Sou uma moça do interior, por favor, seja gentil e cuide de mim." Era assim que Três, Cinco e Seis se apresentavam na cidade grande. Nascidas em uma pequena aldeia chinesa, as filhas do camponês Li Zhongguo haviam se mudado para Nanjing em busca de oportunidades.
Vencendo o ceticismo do pai, um homem desgostoso por ter apenas filhas mulheres e que, por isso, jamais lhes deu um nome verdadeiro, elas escapam ao destino de subserviência e ignorância a que estavam fadadas. Na cidade, as jovens descobrem seu lugar no mundo, mas não abandonam o afeto e o respeito pelo lugar de origem.
Baseado em histórias colhidas por Xinran durante as pesquisas para seu programa de rádio, o romance aborda com delicadeza as tradições, sem deixar de lado as denúncias do medo e da ignorância herdados de uma ditadura longa e violenta.

Lendo este livro, fui capaz de encontrar uma realidade mais simples de se lidar emocionalmente. Talvez porque já tivesse lido dois livros anteriores e totalmente baseado em histórias verdadeiras. Não que "As Filhas Sem Nome" não seja baseado em fatos reais, mas ainda assim, trata-se de um romance. As dificuldades que as meninas passam, por maiores que sejam, ainda não chegou tão perto da realidade nua e crua dos outros livros, do peso de ser uma mulher em lugares onde são como objetos inanimados, ou tem como única serventia fazer os serviços domésticos e reproduzir, desde que tenha o filho homem. Afinal, uma mulher que só dê a luz à "palitinhos" e não a "cumeeira" não tem utilidade ou "pelo que" viver. Aliás, falando em dificuldades, eu esperei bem mais nesse sentido, mas talvez o peso que as personagens suportam ao longo do livro devido à vida do campo não comportasse espaço para outras possíveis humilhações.

O final do livro, ao contrário do que outros leitores mencionaram, não me decepcionou embora tivesse logicamente despertado curiosidade. Já que as personagens são baseadas em histórias reais, é claro que quereríamos saber do futuro de cada uma delas, o que não foi tão possível devido ao fato de a autora ter perdido o contato com as musas inspiradoras. Minha empatia foi despertada por Cinco, talvez ainda por me lembrar algumas histórias de "As boas mulheres da China". Não sei dizer.< Embora tenha esperado mais dele, gostei muito de "As filhas sem nome".

Embora seja um relato ficcional, é um retrato bastante vivo das mulheres da China rural e de tudo que as oprime. Recomendo com três corujas, já que como não foi meu primeiro livro da autora, acabei reconhecendo parte dos relatos e perdendo a sensação de surpresa diante dos acontecimentos.

E eis que temos aqui o primeiro clássico de 2014. A autora não podia ter sido mais selecionada: Jane Austen, alguém ao qual comecei a ler apenas na época da faculdade mas que me despertou o prazer por algo tido como irrepressível (afinal de acordo com um consenso quase geral, os clássicos são intocáveis e devem ser considerados sempre perfeitos).

Até escolher “Mansfield Park”, já tinha lido “Razão e Sensibilidade”, “Persuasão”, “Orgulho e Preconceito” e “Emma”. A sensibilidade da autora me toca, assim como o seu refinamento e tato para falar dos problemas da sociedade, portanto achei que seria hora de me envolver com a vida e o cotidiano de Fanny Price.


Título: Mansfield Park
Autora: Jane Austen
Editora: Best Bolso - 432 páginas
Aos 12 anos de idade a jovem Fanny passa a morar de favor em Mansfield Park, a casa do esposo de sua tia, Sir Thomas Bertram. Inteligente e estudiosa, ela logo se torna amiga de seu primo Edmund, o filho mais novo de seus tios, apesar de ser sempre destratada por seu tio e pelas suas primas fúteis. Com o passar do tempo Fanny se torna uma bela mulher, que acaba chamando a atenção de Henry Crawford, jovem que se tornou recentemente seu vizinho juntamente com sua irmã, Mary. Notando o interesse de Henry por Fanny, os tios dela logo promovem um encontro entre os dois para logo depois se sentirem revoltados com o desprezo que a jovem demonstra pelo seu novo vizinho.

Ao contrário de alguns dos vários clássicos com os quais me envolvi no meu caminho de leitora, Jane Austen consegue me envolver inteiramente. Os dramas e cotidianos parecem bem críveis assim como as preocupações dos personagens. Alguns itens de narrativa me envolvem mais, como a facilidade com que se passa de um ponto para outro: um estilo comum para a época e comum sobretudo para Austen. Aliás, um estilo ao qual ela tinha grande habilidade para lidar, ainda mais considerando a época e o preconceito inerente ao sexo feminino naqueles tempos. Por algumas vezes fui capaz de querer matar alguns personagens: em especial a simpática Tia Norris, um amor de pessoa.

O resultado da minha leitura é que estou em dúvida se considero Mansfield Park o segundo ou o terceiro melhor livro no meu ranking de preferência de Jane Austen até o momento. Essa preferência pode causar estranheza já que esse não é uma das obras mais apreciadas da autora. De qualquer modo, ainda pretendo ler a "A Abadia De Northanger" e reler "Razão e Sensibilidade" antes de chegar a alguma conclusão nesse sentido. Não vai ser sacrifício, afinal ler Jane Austen é sempre um grande prazer.

Leitura recomendada, porém com três corujas de classificação.

Textos novos
Textos antigos

Quem?


A Garota da Biblioteca

Amor pelos livros, admiração pela cultura inútil e tendências ao burnout.

Arquivos

  • ▼  2021 (2)
    • ▼  dezembro 2021 (1)
      • Resenha: A pequena livraria dos sonhos, de Jenny C...
    • ►  janeiro 2021 (1)
  • ►  2020 (2)
    • ►  novembro 2020 (1)
    • ►  setembro 2020 (1)
  • ►  2017 (3)
    • ►  janeiro 2017 (3)
  • ►  2016 (15)
    • ►  dezembro 2016 (3)
    • ►  outubro 2016 (1)
    • ►  agosto 2016 (1)
    • ►  julho 2016 (2)
    • ►  junho 2016 (1)
    • ►  março 2016 (1)
    • ►  fevereiro 2016 (2)
    • ►  janeiro 2016 (4)
  • ►  2015 (41)
    • ►  dezembro 2015 (9)
    • ►  novembro 2015 (1)
    • ►  outubro 2015 (2)
    • ►  setembro 2015 (1)
    • ►  agosto 2015 (6)
    • ►  julho 2015 (9)
    • ►  junho 2015 (7)
    • ►  maio 2015 (2)
    • ►  abril 2015 (3)
    • ►  março 2015 (1)
  • ►  2014 (32)
    • ►  dezembro 2014 (1)
    • ►  abril 2014 (5)
    • ►  março 2014 (8)
    • ►  fevereiro 2014 (6)
    • ►  janeiro 2014 (12)
  • ►  2013 (19)
    • ►  dezembro 2013 (8)
    • ►  julho 2013 (2)
    • ►  maio 2013 (6)
    • ►  abril 2013 (1)
    • ►  fevereiro 2013 (2)
  • ►  2012 (2)
    • ►  outubro 2012 (1)
    • ►  agosto 2012 (1)

Classificação das resenhas

Sensacional!
Sensacional!

Muito bom!
Muito bom!

Só OK
Só OK

Já li melhores
Já li melhores...

Horrível
Horrível.

Categorias

(Quase) Diário de uma leitora biografia Cabine Literária clássico Desafio Literário 2017 E-reader Esquisitices ficção Jane Austen Kindle Manu Não Ficção Podcast Resenhas romance romance histórico suspense Sybylla TAG terror

Leitores

Visualizações

Criado com por beautytemplates. Personalizado por Sybylla.