Resenha: Vida de Escritor, de Gay Talese

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

E eis que finalmente li um livro que paquerei, cobicei e enrolei por muito tempo! Estou falando de "Vida de escritor", de Gay Talese, que está nos meus planos e metas de leitura desde 2010. E embora estivesse nos planos há muito tempo, só consegui comprá-lo no ano passado: desde então ele passou muito tempo na minha estante, exposto à poeira... até fevereiro de 2014.

Yes, eu li. E agora estou aqui para dizer se a espera valeu a pena.


Vida de escritor
Autor: Gay Talese
Editora: Companhia das Letras - 509 páginas
Vida de escritor não é uma autobiografia convencional. É um livro sobre o ofício da escrita, e os reveses que acometem aos que por ele se aventuram. Entre as agruras para encontrar uma boa história é que Talese nos deixa divisar sua vida e, especialmente, sua carreira.

Vida de escritor começa e termina com uma história de derrota ainda mais doída. Talese passou anos viajando ao redor do mundo atrás de Liu Ying, uma atacante da seleção chinesa de futebol. Na final da copa do mundo de 1999, disputada entre os Estados Unidos e a China, ela perdeu o pênalti decisivo, que daria a vitória a seu país. O drama da jovem espelha a frustração de Talese, que não consegue fazer nem sequer uma reportagem sobre Liu Ying.

Septuagenário, Gay Talese poderia ter feito um livro de memórias complacente. É sem qualquer condescendência consigo mesmo - mas também sem se comprazer no sofrimento -, no entanto, que ele demonstra como o fracasso é inerente à profissão. Ao construir Vida de escritor em torno de personagens anônimos ou menores, o autor na prática se solidariza com eles. E dá uma lição que só a experiência e a sabedoria propiciam: mesmo na autobiografia de um jornalista, o que importa são os outros.

(Acho que vale dizer que dei uma cortada na sinopse, porque caso contrário ela seria mais longa do que pretendo ser com essa resenha.)

Bom, a primeira pergunta: valeu a pena ter paquerado tanto esse livro? Minha resposta é "não".

Decepcionante? Com certeza. O livro tem várias considerações a respeito do trabalho de um jornalista, alguns dilemas referentes à ética no que se refere à privacidade, algumas coisas interessantes sobre o processo de escrita e desenvolvimento de matérias. Mas na maior parte do tempo é simplesmente um livro maçante e que exige muita paciência para ser lido. Foi preciso muito esforço para terminar, e isso porque fui muito insistente. Não quis abandonar um livro do qual já tinha passado da metade, nem que do qual já tinha cobiçado tanto.

Gay Talese é um nome importantíssimo do jornalismo e eu queria muito saber o que ele tinha a dizer. Do seu livro, colhi alguns bons trechos, boas frases e assuntos interessantes, porém passei mais tempo me lamentando quando ele focava em um assunto tedioso, como sua fixação geral por restaurantes, embora sua intenção fosse boa.

É um livro que recomendo para quem tem intenções com relação à comunicação, especialmente para quem deseja ser jornalista ou tem interesse no assunto. Sua área de interesse é bem específica, não diria que serve para quem deseja ser escritor. No mais, para quem tem interesse em jornalismo, provavelmente será útil.

Classificação de uma corujinha (e devo dizer que tá ótimo).

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