Resenha: Ísis Americana, de Carl Rollyson

sábado, julho 18, 2015

Não me lembro de já ter citado isso antes, mas "A Redoma de Vidro" é um dos meus livros preferidos de todos os tempos. Embora já conhecesse por nome - e também por diversas resenhas de vloggers - tive acesso a ele há pouco tempo, quando o título foi relançado no Brasil. E depois da leitura, também passei a me interessar pela vida da autora.





Não é de hoje que a vida de Sylvia Plath desperta curiosidade. A conjunção de intensidade de seu trabalho e de sua morte trágica com certeza causaria o interesse de qualquer um, tanto que podemos encontrar diversas biografias no mercado literário. O problema é que quase todas elas são amplamente criticadas pelo tratamento concedido as pessoas citadas. Em meio a toda essa polêmica, fiquei interessada quando vi a noticia da publicação de "Ísis Americana", pela Bertrand Brasil.

Ísis Americana: A Vida e a Arte de Sylvia Plath
Autor:Carl Rollyson
Editora: Bertrand Brasil | 392 páginas
A vida e a obra de Sylvia Plath assumiram proporções lendárias. Educada na Smith College, uma faculdade particular de artes para mulheres, a escritora norte-americana manteve um relacionamento conflituoso com a mãe, Aurelia, e, após o casamento com o poeta Ted Hughes, foi absorvida pelo redemoinho da consagração literária. Seus poemas foram disputados, rejeitados, aceitos e, por fim, aclamados por leitores de todo o mundo.

Aos 30 anos, Sylvia cometeu suicídio enfiando a cabeça num forno enquanto os filhos dormiam no andar de cima, em quartos que ela vedara contra o gás venenoso. Ariel, uma coletânea de poemas escritos numa velocidade avassaladora durante seus derradeiros meses de vida, tornou-se um clássico moderno. Seu único romance, A redoma de vidro, passou a fazer parte do cânone literário, constando em listas de leituras para estudantes de vários países.

Nesta biografia a primeira a utilizar materiais recém-integrados aos arquivos de Ted Hughes na Biblioteca Britânica , Carl Rollyson nos apresenta uma Sylvia Plath poderosa, que abraçou tanto a baixa quanto a alta cultura para se transformar na Marilyn Monroe da literatura contemporânea.
Como eu já sabia das discordâncias a respeito das biografias de Plath, fui procurar informações e resenhas sobre "Isis Americana" no Goodreads e ver qual foi a recepção recebida pelo livro. Momento esse no qual tive um banho de água fria pelo número de críticas. De qualquer modo, resolvi investir na leitura já que não contava com maiores opções. E me arrependi profundamente pela insistência.

Não posso falar a respeito dos dados da biografia em si e das maiores polêmicas que o assunto Sylvia Plath e seu casamento com Ted Hughes é capaz de despertar. Não sou versada na vida da autora, nem ciente da maioria das informações aos quais outros leitores de países com maior mercado teriam mais acesso e facilidade para discorrer. Mas posso falar da obra como um todo, de sua linguagem e de seus problemas.

Se você leu a sinopse, deve ter notado a inserção de Marilyn Monroe no assunto. Parece ok, pelo menos lendo rápido. Um leitor comum espera que seja apenas um chamariz, uma forma de fazer com que todos possam entender o quanto Sylvia Plath é icônica. O problema é que o autor estabelece relações e comparações entre ambas durante o fucking livro inteiro, até mesmo onde sequer há contexto para tal. Tudo isso a ponto do leitor ter vontade de mandá-lo escrever a biografia da atriz. O problema é que ele já escreveu sobre Marilyn Monroe, e pelo visto está bem longe de esgotar o assunto...

Outro problema é que a escrita é tediosa. A salvação fica por conta de boas informações a respeito da personalidade e da vida particular de Plath e Hughes: coisas que toda biografia tem e que aparentemente eram de amplo conhecimento (muitos resenhistas do Goodreads afirmaram que o livro não traz informações novas), mas que pra mim eram novidade.

Um alerta importante é que essa não é uma biografia recomendada para quem está se iniciando em Sylvia Plath, como foi o meu caso. O indicado é que ele já tenha conhecimento prévio dos trabalhos da autora e talvez até mesmo de outras biografias escritas sobre a poeta. Caso contrário, é como tentar entender um filme complexo sem sequer ter assistido a metade.

Minha avaliação? Duas corujas e olhe lá.

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