Resenha: A Filha Perdida, de Elena Ferrante

quarta-feira, janeiro 04, 2017

Já faz algum tempo que sinto uma certa curiosidade pelo trabalho de Elena Ferrante. Os volumes da tetralogia napolitana (ou sei lá como se chama) vem sendo muito comentados e elogiados entre leitores, sem contar ainda o mistério que envolveu sua identidade. Como eu tenho uma resolução pessoal de não me envolver em trilogias ou coleções sem que todos estejam publicados, acabei optando por um livro avulso e finalmente dar o pontapé inicial (infelizmente não tão bem sucedido assim, pelo menos no meu caso).



Sinopse:“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.” Com essa afirmação ao mesmo tempo simples e desconcertante Elena Ferrante logo alerta os leitores: preparem-se, pois verdades dolorosas estão prestes a ser reveladas.
Lançado originalmente em 2006 e ainda inédito no Brasil, o terceiro romance da autora que se consagrou por sua série napolitana acompanha os sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade, Leda, que, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide tirar férias no litoral sul da Itália. Logo nos primeiros dias na praia, ela volta toda a sua atenção para uma ruidosa família de napolitanos, em especial para Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena que sempre está acompanhada de sua boneca. Cercada pelos parentes autoritários e imersa nos cuidados com a filha, Nina parece perfeitamente à vontade no papel de mãe e faz Leda se lembrar de si mesma quando jovem e cheia de expectativas. A aproximação das duas, no entanto, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças da própria vida — e de segredos que ela nunca conseguiu revelar a ninguém.

O livro:

Escrito em 1ª pessoa, acompanhamos toda a trama pelo olhar de Leda, o que pode ser desconfortável para alguns leitores. As lembranças, percepções e inquietações da protagonista dificilmente são consideradas compreensíveis, em especial no tocante a ideia idílica de maternidade. 

Não que o livro aparente ser algo destinado a tocar no assunto da decepção com a qual muitas mulheres se deparam diante de um retrato diferente do comercial de margarina. Não é um livro que pretenda ter um toque feminista. É apenas o fato de que Leda não tem filtros. Ela buscava ser diferente, buscava ser independente e muitas vezes 'não se encaixava' nos papéis em que se envolveu, como o de esposa e mãe. Papéis que se revelaram como empecilhos para sua personalidade e seus desejos. Sua mente é revelada sem a menor cerimônia para o leitor. Ela é crua e brutalmente honesta a respeito de tudo. 

Seus pensamentos a respeito de suas filhas, as lembranças a respeito de sua família e seus atos são dissecados e desenvolvidos como se fossem considerações daquelas de todos os dias, a respeito de um livro ou um programa de TV. Isso torna muito fácil a ideia de citá-la como egocêntrica. Pega mal que você exponha certos pensamentos e isso a coloca diretamente na berlinda, em especial quando todas são desenvolvidas de maneira tão franca. Ou pior: quando seus pensamentos várias vezes se concretizaram em atos que muitos não perderiam tempo em condenar. 

Já a trama que a induz? A família que ela observa? Não rende muita coisa, pelo menos não mais que o pontapé para suas reflexões e alguns vôos de sua imaginação.

Avaliação:  

Francamente? Acabei decepcionada se pensar em um panorama geral. Gostei da escrita considerava a personagem intrigante e estava curiosa pelo desenrolar da história - mesmo não gostando do ponto de partida para a situação. O problema foi notar que não faltava muito para o fim do livro e as coisas ainda estavam naquele pé: foi o suficiente para me fazer perder as esperanças. O fim foi algo abrupto, sem muito sentido, sem qualquer resolução. Algo... WTF, talvez? 

Confesso que não entendi o hype que o livro teve sendo alvo de tantas resenhas elogiosas no Skoob. Gosto da escrita ágil e convidativa (aliás, convidativa o suficiente para continuar buscando mais trabalhos da autora), gosto da honestidade de Leda, e isso se contrapõe a minha decepção, equilibrando um pouco a balança na hora de avaliar. Eu me irritei muito com ela, mas não cheguei a odiar a personagem como muitos fizeram. De um certo modo pude ser grata pelo desconforto: a ideia de estar no lugar de outra pessoa e enxergar o mundo de uma maneira que pode não ter muito a ver com a sua pode ser enriquecedora (também é o que faz os livros enriquecedores, de uma certa forma). A ideia é interessante, mas o desenrolar do livro e o que deveria ser o atrativo não rendeu.

Três corujinhas e mais disposição para ler outros livros da autora, ok?


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