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A Garota da Biblioteca

Eis que 2016 está acabando. E claro, no clima de retrospectiva e resoluções típicos do fim de ano, posso resumir meu ano neste blog como um tremendo fail. Sim, afinal mesmo que o número de livros lidos este ano seja maior que o ano passado, não foi como se eu estivesse aplicada com a ideia das resenhas. Mas tudo bem, reconheço minha culpa e, diante disso, vou pelo menos me esforçar para fazer algo além da retrospectiva literária. Para isso, posso me valer das TAGs salvadoras!

A tag é "Chatice Literária", criado pelo Pausa para um Café. Quem me convidou para responder foi a Sybylla do Momentum Saga (como sempre, né fia?). Então vamos a minha humilde tentativa:


1 - Um livro que você achou que seria legal, mas foi chato:

"Dentro do Segredo" de José Luís Peixoto: O livro relata a experiência do autor como turista na Coréia do Norte. Em ocasião das celebrações do centenário do falecido ditador Kim Il-sung duas semanas, um grupo de turistas ocidentais (o autor incluído) teve autorização para um roteiro turístico de duas semanas, incluindo a capital e outros lugares raramente visitados. Eu gosto de ler sobre a Coréia do Norte, e pelo menos dois livros com essa temática estão na minha atual lista de favoritos para a vida. O problema foi a expectativa: esperei muito por esse livro, ainda mais considerando o fato de que sempre tive curiosidade em saber como funcionavam os pacotes de turismo para estrangeiros interessados no país, mas sabe quando o livro te disse muito pouco? Pelo menos a mim ele não disse quase nada, salvo algumas curiosidades aqui e ali. Não teve nenhum significado pra mim, talvez um efeito esperado depois de ter passado por outros livros sobre o lugar. O significado que ele teve para mim foi a persistência já que demorei muito a terminá-lo.

2 - Um livro que todos dizem que é fantástico, mas você não achou:

Se eu fosse responder essa pergunta usando o primeiro livro que pensei para esse quesito, acho que não sairia viva caso um fã mais ardoroso lesse o post. Então optei por algo menos polêmico:

"Conselhos Amorosos de Emily Bronte" de Anne Donovan é um daqueles livros que está cheio de resenhas elogiosas no Skoob. Some isso ao fato da pessoa que vos escrever ser fanzoca das irmãs Bronte? O problema é que a obra tem muito pouco de Emily Bronte (e não justifica muito a inclusão de seu nome no título além de atrair os fãs da autora), restando a história de uma garota que talvez não tivesse feito tanta merda na vida se passasse por uma terapia do luto logo no começo da história. Sério, péssimo.

3 - Um livro que tinha tudo para ser bom, mas é chato

Posso incluir dois livros aqui, produção? Posso sim. O blog é meu e eu faço as regras:

"As Senhoritas de Amsterdã" de Martine Fokkens e Louise Fokkens é um livro que resume meus problemas com expectativas: sempre tive curiosidade na figura das irmãs Fokkens. E claro que um livro que prometia suas histórias me deixaria interessada, mas infelizmente só me restou a frustração. O livro tem exatamente 208 páginas e levei quatro meses e meio para ler. Bizarro levando em consideração de eram pequenas histórias, todas com poucas páginas, entre passado e presente. Ainda mais bizarro porque leio livros bem maiores que esse em muito menos tempo. Mas grande parte das histórias eram absolutamente banais, sem graça e sequer mereceriam ganhar a notoriedade de um registro escrito.

"O Momento Mágico" de Jeffrey Zaslow também me rendeu grandes expectativas no coraçãozinho de leitora e também altas decepções. A situação toda me pareceu muito forçada, com uma escrita toda destinada a provocar uma emoção que me soou exagerada. Faltou naturalidade. Ou talvez meu velho ceticismo não tenha me ajudado nessa hora. Talvez eu apenas não seja romântica o suficiente para isso.

4 - Um livro com personagem principal intragável

Para essa questão, tive duas opções em mente, mas como em um dos casos sou bem dada a levar em consideração a ideia de tentar me colocar no lugar do personagem, acabei deixando de lado. O que me resta?

"Sedução da Seda" de Loretta Chase tem como protagonista a modista Marcelline Noirot. Como se não bastasse o livro em si ser ruim, mal escrito, mal planejado e super repetitivo, ele simplesmente não traz personagens carismáticos. Não consegui gostar de nenhum deles, muito menos da protagonista. Marcelline passou mais da metade do livro sendo arrogante. E não, não sou daquelas que espera uma protagonista típica-mocinha-delicada. Marcelline era apenas arrogante e mais nada: nenhuma outra qualidade além do talento como modista e da frase "Sou a melhor modista do mundo". Foi uma experiência tão ruim que o livro me fez sair da onda de romances de época na qual estava envolvida. Um banho de água fria daqueles.

5 - Um livro com final terrível

"Voragem" de Jun'ichiro Tanizaki foi um livro altamente recomendado por uma amiga. E estava tudo indo muito bem até a metade da história, até que as coisas começaram a ficar muito enroladas. Sabe quando o autor parece ficar impaciente e o livro fica inverossímil? A situação piora no final. Francamente, esperava mais.

6 - Um universo que você nunca gostaria de morar

Não sou exatamente uma super leitora do gênero de ficção científica ou mesmo fantasia, mas por hora acho que Game of Thrones é uma boa sugestão de universo no qual não ia rolar no meu caso. Acho que nem preciso entrar muito em detalhes, né? De qualquer modo não terminei de ler os livros publicados até o momento e acho que vou demorar a pegar neles novamente.

7 - Um livro que você tem na estante mas tem medo de ler por parecer chato

Se está na minha estante, eu não tenho medo de que possa ser chato. Se eu achasse isso, nem estaria lá, acredite. O negócio é que preciso estar no clima para o tipo de leitura e me planejar. O meu exemplo mais atual para esse tópico é "Sussurros" de Orlando Figes: pego o livro, leio algumas páginas, deixando de lado para um momento mais apropriado. A temática dele é densa, cheia de fatos históricos e datas e precisa de um pouco de tempo para absorver, sem contar que é um tijolão super desconfortável de manusear. Não é um troço que vou sair levando pra tudo que é lado.

8 - Um livro que tinha tudo para ser chato, mas foi bom. 

Não leio nada que seja chato, gente. Até o momento não tenho parcerias com editoras, então não tenho obrigação de ler nada, em especial o que possa achar chato.

E então? Leu algum desses livros da lista ou quer compartilhar sua lista de chatices literárias?

Deixe um comentário!
Peguei esse livro sem saber direito sobre o que se tratava. A sinopse me parecia promissora, mas nem sabia que tinha virado filme ou que tinha todo o rebuliço em cima por causa disso. Levei apenas um dia para terminar a leitura e admito que fiz mil suposições sobre o misterioso crime que aparece na trama.

Capa de A Garota no Trem

Siga a @Sybylla_

Sinopse:
Um thriller psicológico que vai mudar para sempre a maneira como você observa a vida das pessoas ao seu redor.
Todas as manhãs, Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas dágua, pontes e aconchegantes casas.
Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes a quem chama de Jess e Jason , Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess na verdade Megan está desaparecida.
Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos. Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota No Trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.

O livro

Rachel Watson é alcoólatra e vê seus dias passarem de acordo com o vai e vem do trem, indo e voltando para o trabalho. Sua vida anda vazia e sem sentido desde o divórcio com Tom, tudo parece desmoronar, enquanto ela fantasia ao ver as pessoas em suas casas da janela do trem. Ela até tem um casal preferido, deu nomes a eles e inveja sua felicidade.

Sem medir as consequências de seus atos, Rachel bebe e bebe muito. As pessoas percebem, até seu marido, que não hesita em pedir o divórcio e ir morar com a amante, com quem tiveram uma filha. Isso por si só já joga Rachel em uma espiral de bebedeiras e viagens de trem constantes, além de sempre decepcionar a amiga com quem divide apartamento.

Tem momentos do livro em que você quer estapear Rachel para que ela acorde para a vida. Em outros, ficamos com pena e queremos abraçá-la e dizer que vai ficar tudo bem. Ela faz muita burrada, muita, depois não se lembra devido à amnésia alcoólica. Sua vida parece ganhar algum sentido quando ela percebe que a mulher que ela tanto invejava pela janela do trem está desaparecida e, tentando ajudar, ela vai à polícia.

O problema é que uma alcoólatra com histórico de desordem e problemas emocionais, acusada de invadir a casa do ex-marido não é uma testemunha muito confiável. E é assim que Rachel se envolve cada vez mais com o caso, ao perceber que ninguém lhe dará ouvidos.


Avaliação

O livro prende e prende bastante. É impossível não se identificar com algumas sensações, emoções e tristezas da protagonista Rachel, que mostra uma força inesperada perto do final do livro. Acho que o principal ensinamento aqui é que ninguém é o que parece ser e isso quase custa a vida dela. Personagens detestáveis e irritantes, situações perigosas e intrincadas que vão se revelando aos poucos conforme deciframos a mente de Rachel, que já vimos, pode não ser muito confiável.

A autora nos leva por esses caminhos tortuosos nos revelando os verdadeiros fatos sobre o desaparecimento de Megan e dividindo a narrativa entre três mulheres: Rachel, Megan (a mulher que ela via pela janela do trem) e Anna, a amante de seu ex-marido que acabou se casando com ele. A forma com que Paula nos leva pela vida de Rachel é primorosa e até um pouco triste, pois a forma como os outros a veem dá pena. E a maneira como Rachel se tortura, pensando em seu ex-marido e em sua vida perfeita e feliz acaba atingindo o leitor também.

Quem está precisando de um bom thriller psicológico e não pretende dormir tão cedo, pode pegar A Garota no Trem tranquilamente. Ele perde um pouco de ritmo e fica meio devagar em alguns momentos, mas não é algo que chega a atrapalhar a narrativa em si. Quatro corujinhas e uma recomendação para você ler também. ♥

Título original: The Girl on the Train
Editora: Intrínseca
Páginas: 378
Ano de lançamento: 2015

Sim, minha gente: Eu tenho uma certa atração por livros que falem sobre livros ou os coloquem no centro dos enredos. Sendo assim, não é nenhuma surpresa que "Ler, Viver e Amar em Los Angeles" esteja na minha lista de leitura. O problema é que não é de hoje que me dou mal com esse tipo de livro, e esse não foi uma exceção.
  

Sinopse:
Um romance que se inicia em uma livraria, e acaba apimentado por diversos dilemas.
Divorciada pela segunda vez, a vida de Dora se resume a ficar na banheira acompanhada de uma garrafa de vinho e muitos livros – de Tolstoi a Mark Twain, de Flaubert a Jane Austen.
Numa das idas à livraria para se reabastecer para o próximo “porre literário” ela conhece Fred, seu príncipe encantado: formado em Literatura, oferece a ela ideias inteligentes, romantismo e uma válvula de escape.
Mas a convivência com a família do namorado traz à tona sentimentos novos e a desperta para importantes decisões. Dividida entre Fred e o arrependido ex-marido, bem como entre o ócio e a retomada da vida profissional, a personagem nos proporciona uma história divertida, sexy e inteligente.
A heroína imperfeita Dora reflete a angústia da busca por realização e felicidade com que toda mulher irá se identificar.


O Livro:


Narrado em 1ª pessoa, acompanhamos o cotidiano de Dora, discorrendo a respeito de seus problemas, seu passado, sua vida financeira, seu divórcio e sua rotina. Ela não está exatamente em seu melhor momento, então o cenário para o porre literário parece perfeito como forma de enfrentar a situação. O esforço para voltar a trabalhar e um novo interesse romântico prometem agitar um pouco sua vida, assim como a companhia dos seus amados livros. E após um primeiro capítulo razoavelmente interessante, a qualidade vai dar uma volta, comprar um cigarro e não volta mais.

O livro faz diversas promessas, mas não chega a cumprir nenhuma delas. Os livros mesmo aparecem muito pouco, e geralmente de uma maneira na qual seus personagens - em especial a protagonista - usa para agir como a "pessoa elevada do rolê", destilando preconceito literário e esnobismo a respeito de autores e leitores que não se enquadram em seus altos padrões de qualidade. 

Falando em Dora, a sinopse promete uma personagem que "proporciona uma história divertida, sexy e inteligente", mas tudo que encontrei foi uma criatura insuportável e esnobe de carteirinha. Ela não tem o menor carisma ou educação. Aliás, isso vale tanto ela quanto Fred, seu interesse amoroso. De certa forma, dá para entender porque os dois se atraíram.

Avaliação: 


A escrita é fluida, mas a história simplesmente não acontece. A personagem é tão insuportável que, após o primeiro capítulo, foi desamor a primeira vista. Consegui detestar quase tudo e nem mesmo as poucas considerações a respeito de livros, autores e literatura foram capazes de despertar meu interesse. Acabei fazendo leitura dinâmica em alguns trechos - em especial os de sexo - e terminando o livro somente por obrigação, em uma tentativa de sentir que não perdi totalmente meu tempo e dinheiro. Um horror. Posso classificar esse como uma das piores leituras que já fiz.

Uma corujinha e olhe lá. Talvez meia coruja fosse uma nota mais adequada. Com certeza seria uma nota mais justa.


Quando notei que "O Diário Secreto de Lizzie Bennet" ganhou uma continuação, imediatamente coloquei o novo título na minha lista de desejos. Afinal, sendo uma fã da obra de Jane Austen, eu não deixaria essa oportunidade de lado. Tudo isso mesmo o foco sendo uma personagem que, até então, me dava náusea mesmo por uma simples menção.



Sinopse:
Continuação de O diário secreto de Lizzie Bennet, a adaptação moderna de Orgulho e preconceito Baseado na premiada série de web The Lizzie Bennet Diaries — uma adaptação moderna e transmídia de Orgulho e preconceito —, este livro é estrelado por Lydia, a espevitada irmã de Lizzie, conforme ela encara as alegrias e os tropeços no caminho de se tornar adulta na era digital. Antes de Lizzie começar seu popular vlog, Lydia era apenas uma garota normal tramando maneiras de matar aula e criar a identidade falsa perfeita para entrar nas baladas. Talvez ela não tivesse muito foco, mas amava sua família e se divertia para valer. Até que o vlog de Lizzie transformou as irmãs Bennet em sensações da internet, e Lydia adorou virar o centro das atenções, conforme as pessoas assistiam, debatiam, postavam no Twitter, no Tumblr e em blogs sobre a vida dela. Mas então Lydia aprendeu que nem toda atenção é positiva... Depois que seu ex-namorado, George Wickham, aproveitou a fama recém¬adquirida de Lydia, traiu sua confiança e destruiu sua reputação, ela não é mais uma garota ingênua e despreocupada. Agora, Lydia terá de batalhar para reconquistar a confiança e o respeito de sua família e encontrar seu lugar no mundo. Narrado na voz inconfundível e cativante de Lydia, este livro começa exatamente no ponto em que O diário secreto de Lizzie Bennet parou e oferece uma nova abordagem a Orgulho e Preconceito. Apresentando reviravoltas originais, novos personagens incríveis e textos hilariantes, As épicas aventuras de Lydia Bennet leva o leitor para dentro da vida de nossas irmãs favoritas, de um jeito que certamente vai agradar quem já é fã da série — e de Jane Austen de modo geral — e encantar novos leitores.

O Livro:


Se o imaginário popular tem Lydia Bennet como uma garota mimada e absolutamente insuportável, a adaptação moderna do universo de Jane Austen trata de dar a personagem um pouco mais de espaço. Isso significa dar mais atenção aos desdobramentos dos problemas que a presença de Wickham causou em sua vida. Se em "Orgulho e Preconceito" ela sequer sofreu qualquer espécie de incerteza e mal se deu conta do que arriscou, em "As Épicas Aventuras de Lydia Bennet" a situação é outra. A ideia é menos ingenuidade e mais maturidade já que os atos de seu ex-namorado acabaram por lhe trazer consequências duradouras e também públicas. Na obra original de Austen, a situação foi consertada por Darcy sem grandes problemas, mas não é o caso aqui. Todos ficaram sabendo do que aconteceu, e sua exposição - ainda que não chegasse ao cúmulo - tornou sua situação pública. 

Neste livro ela pensa no que aconteceu, na forma como Wickham traiu sua confiança da pior maneira possível e no quanto ela quer e precisa amadurecer, seja para reconquistar a confiança de sua família quanto por si mesma. Sua voz narrativa evoluindo a medida que encontra os obstáculos e planeja novos passos, esbarrando em velhos hábitos e comportamentos, seguindo aos trancos e barrancos, mas sempre com o desejo de evoluir e conquistar seu caminho. (Não, não chega a ser um spoiler, minha gente).

Avaliação


Narrado em 1ª pessoa, tal como o "Diário Secreto de Lydia Bennet, o livro é leve, fluído e bem escrito, sendo capaz de proporcionar uma nova faceta de uma personagem que até então estava no meu Top 5 pessoal de "mais odiados de todos os tempos". Isso tornou a história uma surpresa bastante agradável. Talvez a Lydia escrita por Austen não tivesse chance de mostrar alguma evolução, mas o mesmo não acontece em sua versão atual.

Claro, devo dizer que o livro também não chega a ser perfeito. Esperei um pouco mais no seu desenvolvimento com relação aos acontecimentos descritos (a viagem para Nova York, caso prefira que eu seja mais específica), e sua relação com personagens importantes surgidos dessas ocasiões. Em alguns momentos senti como se algumas peças do quebra-cabeças não se encaixassem da forma como deveriam, a sensação de que alguns detalhes ficaram para trás - ainda que não fossem vitais para o desenvolvimento da história. Foi algo estranho, mas nada que atrapalhasse a leitura.  

O resultado? Quatro corujinhas fofas e a conclusão de que posso olhar para Lydia Bennet com um pouco mais de carinho afinal.


Um dos meus assuntos preferidos para leitura nos últimos tempos com certeza é a Coréia do Norte. Por isso mesmo me senti sortuda ao descobrir esse livro. Ele prometia matar uma curiosidade que eu já nutria há algum tempo e isso me fez criar muitas expectativas. O problema? A expectativa é a mãe da decepção, e o resultado não foi diferente.


Sinopse:
Em inusitada viagem à Coreia do Norte, o escritor José Luís Peixoto descobre as principais cidades e atrações do país em meio aos cânticos, estátuas e obeliscos do regime mais fechado do mundo. Em 2012, o governo norte-coreano realizou grandes celebrações pelo centenário do falecido ditador Kim Il-sung, pai do regime comunista que controla o país desde 1948. Nessa ocasião excepcional, um grupo de turistas ocidentais obteve autorização para viajar durante duas semanas num roteiro que incluiu a capital, Pyongyang, e diversos lugares raramente visitados por estrangeiros. A possibilidade de conhecer a vida cotidiana dos norte-coreanos estimulou uma antiga curiosidade do escritor português José Luís Peixoto. Radicalmente contrário a qualquer governo ditatorial, Peixoto mesmo assim embarcou na excursão, pomposamente batizada The Kim Il-sung 100th Birthday Ultimate Mega Tour, para ver e sentir de perto esse país banido do convívio internacional por sua insistência em fabricar armas nucleares. O resultado de suas experiências como turista na Coreia do Norte é este livro híbrido de relato de viagem e realismo mágico. Imerso no alucinatório culto à personalidade que domina todos os aspectos da cultura norte-coreana, Peixoto viajou pelo país sob a vigilância sorridente dos guias e dos retratos oficiais. Um clima de pesadelo, que contrasta com o discurso triunfalista das autoridades, é o pano de fundo deste percurso fantástico pela distopia inventada por uma caricata dinastia de tiranos.

O livro


Narrado em 1º pessoa, temos aqui algo que pode ser considerado algo parecido com um relato normal de viagens. O atrativo, é claro, fica por conta do fato de não estarmos falando em um lugar comum, mas sim um dos países mais fechados do mundo. Isso significa que tudo - ou praticamente tudo - que diga respeito a sua estadia diz respeito a uma percepção absolutamente filtrada e dependente do olhar hiper vigilante de outras pessoas: por onde anda, o que você vê, come, fala e ouve. Uma experiência de redoma, por assim dizer, com muitas regras a seguir em troca daquilo que se considera um privilégio e na qual as menores coisas podem significar infrações, e isso vem desde o início:


O papel da alfândega tinha uma lista de artigos proibidos. Se levasse algum na bagagem, devia assinalá-lo com uma cruz. Esse era o caso das armas, munições ou explosivos, mas também dos aparelhos de navegação e GPS, dos telemóveis e de qualquer meio de comunicação; não se podia levar drogas, narcóticos e venenos, mas também era interdito levar obras históricas, culturais e artísticas. Não era permitido entrar no país com qualquer tipo de material impresso.

A partir daí temos acesso a visão do autor a respeito da sua estadia, das coisas que viu e experimentou, da visão filtrada, do culto ao Grande Líder e as idiossincrasias das proibições e vigilância do regime. Além disso, também oferece vislumbres de miudezas cotidianas. Aliás, ele passa muito tempo falando na miudeza das miudezas, o que torna muitas vezes a leitura algo muito arrastada.

Avaliação


Bom, eu mencionei que a expectativa é a mãe da decepção, não é? Então está na hora de explicar a razão desse comentário: nesse meio tempo li diversos livros a respeito da Coréia do Norte, e cada um deles trouxe uma informação nova. O problema é que "Dentro do Segredo" não me ofereceu praticamente nada, salvo algumas curiosidades aqui e ali. A leitura não teve nenhum significado pra mim, talvez um efeito esperado depois de ter passado por outros livros sobre o lugar. 

No fim, o que mais me marcou a respeito do livro foi a persistência necessária para encerrá-lo, já que a leitura foi bastante arrastada. Era promissor, mas tudo foi muito concentrado nos atos dele, muito no relato da miudeza das miudezas e em divagações broxantes desanimadoras. Eu poderia ter abandonado a leitura? Claro, mas não o fiz pois demorei para conseguir o livro. Não queria desperdiçar esse tempo e esforço.

Talvez seja uma boa leitura para quem está começando a se interessar pelo assunto, mas provavelmente não é uma boa para quem se interessa por algo mais. Duas corujinhas e olhe lá.


Eu sou uma grande fã de romances históricos. Geralmente eu falo só de ficção científica, né? Mas romances históricos me cativam e Os Príncipes da Irlanda é um daqueles épicos romances, que atravessa gerações. O mais legal do livro é que a personagem principal é a cidade de Dublin.

Os Príncipes da Irlanda


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Sinopse:
O autor examina o conturbado passado da Irlanda, desde os primórdios de sua fundação, passando pela invasão viking, até a Reforma. Rutherfurd cobre os 11 séculos iniciais do país, com personagens fictícios que, perfeitamente ajustados aos relatos reais estudados em profusão pelo autor, trazem ao leitor brasileiro o universo histórico daquelas terras tão enigmáticas. A obra compõe o primeiro volume da saga Dublin e tem como ponto de vista as pessoas daquela cidade.

O livro

A saga de Dublin começa antes da chegada de São Patrício, que catequizou a Irlanda, antes da chegada das tribos celtas. A região onde hoje fica Dublin era um delta lamacento que desaguava no mar da Irlanda. A região era conhecida com Dubh Linn. Temos um casal, o príncipe Conall e a camponesa Deirdre, que viviam na época dos reis de Tara e que, provavelmente, deram origem à lenda celta do deus Cuchulainn.

O autor coloca personagens fictícios em situações que aconteceram ou que podem ter acontecido. Através dos olhos de diversos personagens, interligados em uma delicada genealogia, vemos as mudanças acontecendo no delta de Dubh Linn. O começo pode ser bastante violento, pois as tribos praticavam sacrifícios humanos nos festivais pagãos; em seguida tem a invasão viking, que inaugurou um novo período na região de Dubh Linn, antes da chegada de São Patrício.

História e mitologia estão intrinsecamente ligados às trajetórias de sete famílias, ao longo de vários séculos, os Ui Fergusa e O’Byrne; os Smith; os MacGowan; os Harold; os Doyle; os Walsh e os Tidy. Cada novo capítulo histórico da Irlanda inaugura também um narrativa de cada família. O autor foi especialmente detalhista no capítulo sobre Brian Boru, o Grande Rei de Toda a Irlanda (Árd Righ Gaidel Éirinn), sendo que após sua morte em uma batalha contra os Vikings, a ilha nunca mais esteve sob o domínio de um único monarca. Aliás, toda a parte sobre a invasão viking mostra a tensão de viver sob o julgo de estrangeiros, os movimentos de resistência e os oportunistas, que conseguiram lucrar com a situação.

O livro chega até o século XVI da história irlandesa, com Silken Thomas, importante figura histórica que fez o rei inglês prestar mais atenção às questões irlandesas, que acabou levando à criação do Reino da Irlanda, em 1542.

Avaliação

Esta não é só uma obra de romance histórico. É uma aula de história em si, pois a invasão viking, a chegada de São Patrício, a unificação da Irlanda por Brian Boru, os conflitos com os ingleses, todos os fatos históricos realmente aconteceram. Nós os vemos através de personagens fictícios, mas os eventos são reais, e as consequências do capítulo anterior conduzem ao capítulo seguinte. Transformar a Irlanda e, em especial, a cidade de Dublin em uma personagem, foi uma ideia genial.

O livro também tem mapas, que mostram a ilha em si, o assentamento original de Dubh Linn e a Dublin medieval. Eu como boa geógrafa que sou, apoio mapas em livros e este, que tem a cidade como protagonista, não podia deixar de ter. A narrativa perde um pouco de ritmo do meio para o final, em algumas páginas ele se arrasta mesmo, mas vale à pena continuar.

Título original: Dublin Foundation
Coleção: A Saga de Dublin Livro I
Editora: Record
Páginas: 700
Ano de lançamento: 1ª edição 2006

Este é o primeiro livro da saga; o próximo é O Despertar da Irlanda, que continua a saga a partir do século XVI. Se você é fã de romances históricos como eu, vai curtir muito este livro. Quatro corujas para Dubh Linn e sua conturbada história e uma recomendação para você ler também.


Até mais!
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