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A Garota da Biblioteca

A Casa da Águia - Tetralogia dos Ptolomeus - Livro I é um livro maravilhoso. Lembro de ter comprado sem muita pretensão, mas como sou fascinada por romances históricos, especialmente aqueles no Antigo Egito, este foi uma escolha bem óbvia para mim. A tetralogia dos Ptolomeus começa com a história do primeiro Ptolomeu, governante do Egito após a conquista de Alexandre, o Grande.

A Casa da Águia


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Sinopse:

Uma história esquecida nas areias do tempo, num universo tecido pelas mãos de ídolos não mais cultuados. Rá, o deus-sol. Anúbis, o faraó do mundo inferior, deus dos mortos e condutor das almas. Thot, o escriba do Egito, o grande mágico, o juiz que pesa o coração dos homens e o narrador de "A Casa da Águia". Primeiro volume do Quarteto dos Ptolomeus.

É com a capa da divindade que Duncan Sprott se veste para contar a trágica história de Ptolomeu e seus descendentes. Por 12 gerações soberanos do Nilo — desde Alexandre, o Grande, até a queda de Cleópatra. Os olhos de Thot, acostumados a perscrutar a alma dos homens, são o farol perfeito para iluminar a trajetória desse macedônio. O soldado que guardou o corpo de seu comandante e mais tarde se tornou faraó, coroado deus-vivo.


O livro


Duncan preferiu narrar o livro pela voz do deus Toth, o que ficou fantástico. Toth é petulante e até arrogante durante a leitura, mas narra com riqueza de detalhes a forma como, lentamente, Ptolomeu se torna o faraó do Egito e o precursor da última dinastia egípcia. A ideia do autor é narrar as dez gerações da família de ptolomeus até sua última rainha, Cleópatra.

Toth não dá muita atenção ao leitor. Ele o trata como um aluno intransigente que não precisa de muitos detalhes de batalhas, por exemplo. Mas como deus da sabedoria, temos detalhes de outros eventos, como partos, confecção de tônicos, cerimonias religiosas. O deus mostra a mudança que ocorre em seu país quando Ptolomeu recebe a sugestão dos sacerdotes de se nomear faraó. Isso o faria ganhar o respeito do povo, que entenderia que a ordem divina foi restabelecida.

Temos alguns episódios que narram as vitórias do exército macedônico, a crueldade dos gregos ao conquistar os lugares, as decisões polêmicas de Alexandre.

Ei! Forasteiro! Ei! Seu ignorante! Você, que tem estado para chegar há tanto tempo! Você está muitíssimo atrasado! Sim! É com você mesmo que eu estou falando, leitor. Porque acho que você não sabe nada sobre Ptolomaios - Ptolomeu. Sobre Ptolomeu, o grego que foi faraó do Egito. Tampouco sobre a terrível tragédia de sua casa. Você não sabe quem foi Ptolomeu, sabe? Nunca ouviu falar dele, ouviu? Você não sabe nem sequer pronunciar o nome dele. Verdade! O que você merece mesmo, e sem demora, é uma sova no solado dos pés.

Página 27

O choque de culturas entre gregos, macedônios e egípcios é muito interessante. Quando Ptolomeu foi coroado faraó, sua esposa se recusava a ser comparada com Hathor, a vaca sagrada, já que para os gregos era uma ofensa. Toth deixa bem claro que torce o nariz, digo, torce o bico para os forasteiros e que era necessário aguentar esses caras para a sobrevivência do Egito enquanto nação soberana. Com a morte de Alexandre, ficou ainda mais fácil para os sacerdotes manipularem Ptolomeu, dizendo que se ele fizesse isso ou aquilo, o povo egípcio ficaria descontente e deixar um povo descontente era abrir as portas para a anarquia.

Cleópatra
Cleópatra nos terraços de Philae, pintura de Frederick Arthur Bridgeman

Não é uma dinastia fácil de acompanhar. Incestos são comuns, tem cena de estupro, bebedeira, mortes e envenenamentos. Toth pode ser racista e preconceituoso e acho que seja natural devido sua posição de expectador - sendo que antes era um deus soberano - diante do que acontece em seu país. Temos mulheres fortes e poderosas, algumas sendo muito más ao longo da história.


Avaliação


Título original: The House of the Eagle
Editora: Record
Ano: 2005
Páginas: 572

A maneira como a história é narrada pode incomodar algumas pessoas porque é a visão de um deus soberano e todo-poderoso, portanto o que ele dá importância nem sempre é o que o leitor quer ler. São poucos os diálogos. Os textos são longos blocos de texto com as divagações de Toth sobre os Ptolomeus, que lhe são um mistério. Ele não consegue entender muitas de suas ações, em outras parece justificá-las.

O que acho mais legal aqui é justamente o fato de ter um deus egípcio narrando, saindo um pouco da esfera distante do narrador em terceira pessoa, ou da visão mais fechada de um narrador em primeira pessoa de dentro da dinastia ptolomaica. Mesmo não sendo uma narrativa nos moldes que conhecemos, é interessante sair da zona de conforto e ler este livro, um relato cru e muito intenso.

O livro vem com um glossário, mapas, detalhes da dinastia e até unidades e medidas gregas. No entanto, o autor não colocou uma bibliografia, então não sabemos o quanto é licença poética e o quanto é história. Cinco corujas para o livro e uma recomendação para que você também leia, ou vai apanhar de Toth!

E eis que estou de volta após um longo tempo de ausência. E como o ano está especialmente tenso no que diz respeito a leitura, é a vez de responder a uma tag e esperar que isso possa me render algum ânimo para voltar a ler.

A tag é "Dias da Semana em Livros" e foi sugerida pela Sybylla, do Momentum Saga e que também dá os seus pitacos por aqui com diversas resenhas. É uma tag que dispensa maiores explicações, então acho que dá para ir direto ao assunto:


Domingo - Um livro que você não quer que termine ou não quis que terminasse:

Vish, não tive esse sentimento com livro nenhum, pelo menos até onde me lembro. 

Segunda - Um livro que você tem preguiça de começar

"After" de Anna Todd. Na prática todo o meu interesse a respeito dele tem a ver com o fato de ser uma fanfic que ganhou o mundo e o mercado literário. Mas fique com uma preguiça tremenda desde que vi a quantidade de livros que estão sendo lançados dessa série. Acho que vou empurrar com a barriga ainda por um bom tempo. 

Terça - Um livro que você empurrou com a barriga ou leu por obrigação

Tento ao máximo não ler livros por obrigação, mas um que terminei de má vontade recentemente foi "As Senhoritas de Amsterdã". Era um livro que queria ler desde o lançamento, mas que quando finalmente tive o contato me deixou com muita vontade de desistir. Demorei uns seis meses para ler algo que poderia ser lido em dois dias, no máximo.

Quarta - Um livro que você deixou pela metade ou está lendo no momento

Acredite se quiser, mas não terminei de ler a coleção 'Harry Potter'. Não li o último livro, e como minha última leitura de algo da série foi em 2007, acabei esquecendo de boa parte da história, de modo que precisarei reler os livros anteriores para entender.

Quinta - O livo de quinta. Um livro que você não recomenda:

"Uma História da Terra e do Mar". Sério, não recomendo a ninguém. Esse era outro livro que desejei desde o lançamento, mas que me fez ter vontade de jogá-lo longe quando comecei a ler. Palavras bonitas e nada mais. Foi um desperdício do meu tempo, infelizmente.

Sexta - Um livro que você quer que chegue logo (lançamento ou compra)

Atualmente o livro do qual tenho desejo mais próximo disso é "Homens sem Mulheres" do Haruki Murakami.

Sábado - Um livro que você quis começar de novo assim que terminou

"Americanah" sem sombra de dúvidas. Céus, que livro bom! *se agarra com livro*
Sou uma fã assumida dos livros da editora DarkSide. Tenho algumas das publicações porque admiro o esmero, o capricho nas obras que eles publicam. Sem contar que eles se arriscam e trazem obras que editoras tradicionais do mercado não costumam publicar. O Demonologista foi uma obra que chegou com bastante animação, mas...


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Sinopse:
O personagem que dá título ao best-seller internacional é David Ullman, renomado professor da Universidade de Columbia, especializado na figura literária do Diabo – principalmente na obra-prima de John Milton, Paraíso Perdido. Para David, o Anjo Caído é apenas um ser mitológico.

Ao aceitar um convite para testemunhar um suposto fenômeno sobrenatural em Veneza, David começa a ter motivos pessoais para mudar de opinião. O que seria apenas um boa desculpa para tirar férias na Itália com sua filha de 12 anos se transforma em uma jornada assustadora aos recantos mais sombrios da alma.

Enquanto corre contra o tempo, David precisa decifrar pistas escondidas no clássico Paraíso Perdido, e usar tudo o que aprendeu para enfrentar O Inominável e salvar sua filha do Inferno.

O livro

David vive uma vida melancólica. Sua esposa o traiu com um professor na universidade onde ele dá aulas e a única alegria de sua vida é sua filha de 11 anos. David tem grande amizade com uma professora e colega, quase um amor platônico, conta tudo para ela, menos o estranho convite que recebeu de uma mulher misteriosa, que pede que ele vá a Veneza investigar algo que seria de sua alçada. David é demonologista, um especialista na figura do demônio ao longo da história e da literatura.

Desgostoso da vida, ele aceita a viagem misteriosa depois de uma conversa pouco agradável com o amante da esposa. David então pega a filha e eles voam para Veneza, ficam no melhor hotel da cidade, como se fosse uma viagem de férias. Eis então que ele lembra por qual motivo estava na cidade e vai atrás do endereço que lhe foi fornecido. Ao chegar lá, ele é munido de uma câmera e entra em uma sala onde tem um homem preso à uma cadeira. E ele fala como se conhecesse David, como se tivesse noção da melancolia em sua vida.

Aquela pessoa faz com que David sinta suas convicções sejam balançadas. Ao sair dali aos tropeços, sem nem olhar para onde vai, ele percebe que sua filha está em perigo. Volta ao hotel, disposto a sair de lá o mais rápido possível. Mas enquanto arruma as malas, ela some. Por intuição, ele vai ao telhado e percebe que há alguma força controlando as situações e até sua filha, que despenca do telhado.


Avaliação

Título original: The Demonologist
Editora: DarkSide
Ano: 2014
Páginas: 320

Depois que alguns amigos leram e disseram que o livro não é tudo isso que parecia ser, fiquei bem desanimada de ler. Assim que o livro saiu em ebook resolvi pegar para ler e ver se valia à pena comprar a versão física. E vi que não vale. Tirando a belíssima arte da capa, que dá a impressão de ser um livro antigo, com a brochura desgastada, fiquei com a nítida impressão que o livro era um rascunho para um livro maior, melhor escrito.

O livro não assusta. O demônio não é tão bem caracterizado e assustador quanto esperei que seria. O protagonista é um bundão. Lamento, mas não tem outra palavra para descrevê-lo. A única personagem de destaque é a professora e melhor amiga de David, O'Brien, que está com um câncer incurável, mas que resolve ajudá-lo na busca para identificar o demônio que tomou sua filha. O final acontece abruptamente, sem resolver nada depois de 300 e tantas páginas. Ou seja, O Demonologista é somente um rascunho do que poderia ter sido.

E acho que o pior de tudo foram os erros de português do livro. O livro foi traduzido e deve ter passado por uma revisão, mas pelo visto nem mesmo o revisor pegou os erros que foram publicados. Foi o último prego no caixão do livro.

Uma coruja. E olhe lá.

Adoro um bom suspense, um bom thriller criminal. Adoro. E a premissa de o Tribunal das Almas é muito boa. Tem suspense, tem organizações secretas da Igreja Católica, tem até Chernobyl. Acho que é por ter tanta coisa que o livro fica extremamente cansativo.

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Sinopse:

Em O tribunal das almas, Donato Carrisi mostra novamente seu talento e o porquê do sucesso de seu thriller anterior, O aliciador. Conciliando um enredo repleto de reviravoltas e personagens complexos, Carrisi aborda os mais obscuros recônditos da psique humana. Enquanto uma chuva desaba sobre Roma, dois homens se reúnem num antigo café na piazza Navona. O sigiloso encontro tem como assunto principal o desaparecimento de Lara, uma jovem estudante. O caso poderia ser como muitos outros, a não ser por um pequeno detalhe: a porta do apartamento dela estava trancada por dentro. Agora, um deles, Marcus, tenta descobrir o que aconteceu com Lara – e se ela ainda está viva. Sofrendo de amnésia, ele não sabe a própria identidade; apenas que tem um talento notável para perceber as pequenas incoerências que o ser humano inevitavelmente deixa para trás. Marcus vive em meio às sombras e geralmente passa despercebido pela multidão, e talvez justamente por isso ele saiba como circular com habilidade pelo mundo do crime. Apenas um homem que conhece verdadeiramente o mal que a alma humana é capaz de provocar consegue enxergar certas coisas. Enquanto isso, a especialista em fotografia criminal Sandra Vega lida com seus próprios demônios. Seu marido David faleceu há cinco meses em circunstâncias extremamente suspeitas, e agora cabe a ela desvendar o ocorrido naquela fatídica noite.


O livro

Em um primeiro momento, conhecemos Marcus. Ele é um misterioso investigador que sofre de amnésia após sofrer um ferimento na cabeça. Ele então é chamado por um colega para entrar em um apartamento, sem contar muitos detalhes. Marcus tem uma grande capacidade de enxergar detalhes que outros investigadores não têm. Mas ele é um investigador clandestino. Ele e seu amigo trabalham para uma organização secreta chamada de Tribunal das Almas.

Enquanto isso, a história deles se cruza com Sandra, fotógrafa da polícia científica que ficou viúva recentemente. Seu marido, David, disse que estava viajando a trabalho, pois era fotógrafo, mas na verdade ele nunca saiu da cidade. Sandra nunca entendeu a mensagem que recebera dele no celular e que nunca apagou para poder ouvir a voz dele sempre que possível. A única coisa que ela sabe é que David investigava algo chamado O Tribunal das Almas e aí parte em busca das pistas que ele deixou.

Enquanto Marcus investiga o que houve com a dona do apartamento e como ela pode ter sido retirada de lá sem ser pela janela ou pela porta - trancada por dentro - a história dele e de Sandra se cruza. Paralelamente a tudo isso - com cenários sombrios e ótimas descrições - um homem infarta e a médica do resgate descobre que ele é um conhecido assassino serial de mulheres. E ela descobre que ele foi o assassino de sua própria irmã. Ela deve salvar sua vida?

Às vezes, gostaríamos que a realidade fosse diferente. E se não podemos mudar as coisas, então pomo-nos a explicá-las à nossa maneira. Mas nem sempre conseguimos.

Além disso, um investigador misterioso persegue uma pessoa ainda mais misteriosa que veio diretamente da tragédia de Chernobyl. Este caso é contado ao contrário, o que fará total sentido no final do livro.


Avaliação

Eu curto este tipo de livro, curto suspense e ação policial. E achei a forma como o autor lidou com todos esses sub-enredos muito engenhosa. Temos aqui personagens muito profundos, com dilemas e demônios pessoais, muitos sentimentos envolvidos e cenários sombrios que realmente dão um frio na barriga durante a leitura.

Título original: Il tribunale delle anime
Editora: Record
Ano: 2013
Páginas: 434

No entanto, esses sub-enredos paralelos e o excesso de personagens tornam o livro um tanto cansativo. São tantas pessoas, nomes, lugares e personagens secundários com tantos outros detalhes sobre suas próprias vidas que vai se tornando uma leitura um pouco morna. Temos grandes momentos de tensão entrelaçados à vida de Marcus e Sandra, mas aquilo esfria para dar lugar à uma misteriosa dupla de gato e rato pela Europa. Não sei. Senti que isso poderia ter sido menos, que poderia ser melhor trabalhado, sem tanta ponta para atar depois. Por si só o Tribunal das Almas seguraria a obra até o final.

Para os fãs de thrillers policiais eu realmente recomendo O Tribunal das Almas, mas apenas se estiver com tempo e disposição. A leitura prende, o mistério também, mas esse monte de gente e nomes e lugares e mistérios podem ser excessivos para quem não tem tanta paciência. Três corujas para o livro de Carrisi.

Sabe aquele livro que promete, promete, até que começa bem e depois descamba? Aquele com fórmulas batidas e com um romance complicado que não convence? Então. É esse.

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Sinopse:

Britt Pfeiffer passou meses se preparando para uma trilha na Cordilheira Teton, um lugar cheio de mistérios. Antes mesmo de chegar à cabana nas montanhas, ela e a melhor amiga, Korbie, enfrentam uma nevasca avassaladora e são obrigadas a abandonar o carro e procurar ajuda. As duas acabam sendo acolhidas por dois homens atraentes e imaginam que estão em segurança.

Os homens, porém, são criminosos foragidos e as fazem reféns. Para sobreviver, Britt precisará enfrentar o frio e a neve para guiar os sequestradores para fora das montanhas. Durante a arriscada jornada em meio à natureza selvagem, um homem se mostra mais um aliado do que um inimigo, e Britt acaba se deixando envolver. Será que ela pode confiar nele? Sua vida dependerá dessa resposta.


O livro

Korbie, melhor amiga de Britt, tem uma casa nas montanhas. Existem trilhas emocionantes cruzando o vilarejo onde fica a casa e por isso Britt se preparou para caminhar por elas, junto da melhor amiga. É uma forma de esquecer o ex-namorado, que tanto amou e que no fim terminou o relacionamento.

Já de cara é possível perceber que, por mais amigas que sejam, existe uma competição idiota entre as duas. Isso é algo que me incomoda bastante, porque costuma aparecer em livros com certa frequência, onde duas jovens ou duas mulheres, acabam competindo uma com a outra pelo KCT que for. Aqui não foi diferente. Elas são amigas, quase irmãs, mas Korbie que é rica, tem casa nas montanhas e beleza, vive fazendo listinha se comparando com a "melhor amiga". AHAM

Enquanto estão subindo as montanhas a nevasca cai com uma violência digna de O Dia Depois de Amanhã. Para não morrerem congeladas dentro do carro, elas saem no meio da nevasca e encontram um chalé que aparenta ter movimento. Depois de implorarem para entrar, Britt dá de cara com um rapaz que a ajudara mais cedo no posto de gasolina. Ele entrou na onda da brincadeira de Britt quando ela encontrou o ex-namorado, por quem ainda molhava a calcinha e apontou para o primeiro rapaz aleatório que viu. Era esse sujeito, que se apresentou como Mason. Que coisa os dois se encontrando de novo, neam??

Os capítulos se alternam entre passado e presente, com Britt ainda pensando no ex-, que é uma mala, enquanto ela pega como refém por Mason e seu comparsa Shaun, que é um babaca. Eles querem que ela os leve pelas trilhas, evitando os postos da polícia e alegam que a deixarão partir assim que for possível, enquanto Korbie ficou no chalé.


Avaliação

O livro tem vários problemas. Além do romance mela-cueca de Britt sonhando com o ex-, Britt olhando diferente pra Mason, Britt se apaixonando por Mason, Britt é a perfeita Mary Sue. Uma adolescente que consegue sobreviver numa floresta, no meio de dois bandidos e que consegue identificar o caminho em meio à uma nevasca e que ainda sente um tesão por um dos sequestradores. Britt manja de tudo muito rápido, não dá mancadas, e se recupera super bem de ver um cara tomar um tiro na cabeça para no dia seguinte estar em baixo das cobertas com Mason.

O leitor é levado a acreditar em muitas coisas durante a leitura, mas percebi que o livro ficou sem consistência perto do final. A autora praticamente implica a amiga de Britt numa série de crimes que vinha acontecendo nas montanhas, mas o assunto desaparece e nunca mais é mencionado. Ué?? Faltou revisão?

Depois disso, ainda temos um capítulo imenso e arrastado, onde fiz leitura dinâmica, que é sobre Britt e seu rumo na vida, se ela vai ver Mason de novo, blá, blá, blá. Fórmula batida.

Duas corujas para esse desperdício de papel e e-ink.

No embalo das leituras e em meio a um projeto de ressaca literária surgindo na minha vida, resolvi colocar na minha lista de leituras um livro de não-ficção. É o tipo de coisa que 'limpa minha mente' e foi aí que entrou o livro "A Arte de Pedir". O resultado? Mixed feelings...

Sim, eu dei um spoiler da minha opinião, mas espero que você se interesse em entender meus motivos.

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Cantora e compositora, ícone indie, feminista, mulher de Neil Gaiman, agitadora e mobilizadora de multidões online: Amanda Palmer é um retrato perfeito da boa conexão entre o artista e seu público.

Após desligar-se de sua gravadora, Amanda recorreu ao então recém-lançado Kickstarter, site de financiamento coletivo, para conclamar os fãs a colaborar financeiramente para a produção do próximo álbum de sua banda. O projeto arrecadou mais de 1 milhão de dólares, recorde que chamou atenção tanto da imprensa como da indústria fonográfica. Desse episódio surgiu o convite para uma celebrada palestra nos TED Talks. O tema: saber pedir.

Desdobramento inevitável da palestra homônima, o livro A arte de pedir trata essencialmente de recorrer ao outro, sem temor, sem vergonha e sem reservas. Por que não pedimos ajuda, dinheiro, amor, com a mesma naturalidade com que pedimos uma cadeira vazia num restaurante ou uma caneta, na rua, para fazer uma anotação? Pedir é digno e necessário, e é a conexão entre quem dá e quem recebe que enriquece a vida humana, defende Amanda. Longe de ser um manual sobre como pedir, o livro é uma provocação bem-vinda e urgente, que incita o leitor a superar seus medos e admitir o valor de precisar e doar ajuda, sempre.

Antes de mais nada, devo dizer que tenho problemas com a ideia de 'pedir'. Normalmente sou a pessoa extremamente empática que se oferece para ajudar, mas acaba fazendo o papel de trouxa, tão conhecido como meme nos últimos meses. Pedir ajuda é um problema porque, dependendo do assunto, é mais fácil eu esgotar todas as alternativas para resolver o assunto sozinha. E se eu preciso pedir quase sempre faço isso com algum constrangimento. Então o livro me parecia uma boa opção nesse sentido.

E foi. As histórias de Amanda trabalhando como estátua viva são um bom exemplo disso e dão uma boa amostra do significado de 'generosidade'. As histórias pessoais de Amanda com o marido também são significativas, em dar amostras de partilha através dos pequenos gestos. (Sim, eu gosto disso e sempre gostei desse tipo de relato). Então só de encontrar esse tipo de história, já foi o suficiente para ter um quentinho no coração e isso é inquestionável. Mas eu mencionei o mixed feelings, não foi?

Meu problema com o livro teve a ver com o formato. Por diversos momentos senti que ela batia sempre no mesmo ponto, enrolava sempre nas mesmas histórias e similaridades, o que fez a obra ficar super arrastada em diversos momentos. Eu lia várias páginas e tinha a sensação de não conseguir sair do lugar. Mesmo uma boa história pode ficar enjoativa se for esticada demais e isso aconteceu com frequência após a metade do livro. E quase desanimei a ponto de deixar o livro de lado, mas como já tinha passado da metade acabei insistindo.

Em um panorama geral, é um bom livro, mas provavelmente ele poderia ser mais curto, ou ter outras histórias representativas caso o tamanho fosse uma questão importante. Nesse caso, três corujas é mais que o suficiente em uma avaliação.
  
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